sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Economato: Relatório e Contas, época 15/16 (parte II: o preço da aprovação)

Consulte as contas AQUI e o resultado da votação AQUI.

Obviamente que o timing desta publicação é oportuna e peca pela falta de inocência. Em abono da verdade, esta é a oportunidade perfeita para tal. Não pelo sentido da informação, mas pelo castigo que esta traz. A Assembleia-Geral de ontem, dia 3 de Novembro de 2016, tratou com especial foco o Relatório & Contas do Futebol Clube do Porto. Tanto as contas individuais, como as consolidadas foram aprovadas por larga maioria. Disso também não tinha dúvidas. Os sócios do Futebol Clube do Porto apareceram em número suficiente para compor e praticamente lotar o Auditório habitualmente designado para o evento, e o novo Presidente da Mesa da Assembleia Geral ditou que se votassem ambos os documentos em simultâneo. Por isso, o resultado igual. 

Em abono da verdade, pouco ou nada poderia ser feito. As contas já estavam "feitas", não se iriam "desfazer" agora. Acima de tudo, o voto legitimava a estratégia que as criou. Já foi possível analisar, durante a parte I, os traços gerais do documento, com foco na SAD. Tempo agora para deixar escrito o esmiuçar de certos pormenores que cerca de 68% dos sócios presentes no Auditório do piso -3 aprovaram e se demonstraram-se coniventes e solidários.

Do ponto de vista consolidado, o Futebol Clube do Porto apresenta um prejuízo de 50.433.068,00€. Mas como se chega a isto tudo? Existem pequenos pormenores que acabam por ser "pormaiores" nestas contas. Foi muito badalado o tema das remunerações. Já em Outubro de 2014, em Assembleia-geral extraordinária para aprovar a Operação EuroAntas, Fernando Gomes indicou que o caminho era a redução de custos. Ora, desde a necessidade óbvia de um aumento de capital, o Futebol Clube do Porto tem (ou teve) Iker Casillas, Maxi Pereira, Julen Lopetegui, Tello, Osvaldo e Corona, entre outros. Tudo intervenientes que engordaram de forma abrupta a rubrica dos custos com pessoal. Dois anos após fazer exactamente o inverso, invoca-se novamente a intenção de recuar?? Vão enganar outro... 

Mais do que o presente, existe um preço a pagar no futuro. Existe obviamente a venda de jogadores, que já é natural na estratégia da SAD do Futebol Clube do Porto. Fernando Gomes deixou cair, sem querer, que em Janeiro é possível que isso já aconteça, numa antecipação do inevitável. Mas a hipoteca do futuro e o preço a pagar não se esgota por aí. O preço a pagar são as comissões de mais de 15.000.000,00€ a um quarteirão de entidades, valores recorde a nível nacional e que castigam o resultado líquido final. O preço a pagar é a antecipação de 10.000.000,00€ da PT Altice, de 13.370.000,00€ do Stoke pela transferência de Imbula, de 7.450.000,00€ do patrocínio da MEO, tudo empréstimos novos que, aliados à operação de factoring de 4.200.000,00€ devido patrocínio com a UNICER (que, em Abril, o Presidente do Futebol Clube do Porto proferiu um enorme auto-elogio sobre isso) hipotecam receitas que financiariam a operação futura. Essencialmente gastar hoje o dinheiro de amanhã. É este o preço a pagar.

Quanto ao orçamento, e isto falando apenas da SAD, escuso de proferir qualquer comentário, dado que é bem possível que todas as previsões saiam furadas. Afinal, já aconteceu anteriormente. Não necessariamente porque o Futebol Clube do Porto ficou aquém das metas, mas porque mudou a política a meio da execução, razão pela qual sigo céptico em relação à proposta da Administração. 

Não queria deixar de comentar, ainda que de forma breve, as contas apresentadas e aprovadas pelo Clube. Falo apenas do Clube, com o Futebol à parte. Focando apenas no Clube, o Futebol Clube do Porto está bem e recomenda-se. Apanhou com o rombo da SAD, é verdade. Mas, descontando isso, o Clube em si apresenta bons resultados, gestão cuidada e equilibrada e uma aposta positiva nas modalidades e em várias frentes. Sempre confessei que não sigo as restantes modalidades da mesma forma que sigo o Futebol. No entanto, é fundamental exaltar esse bom resultado financeiro, que assim possibilita, em 2016/17, uma aposta inequívoca na competitividade dos representantes do Futebol Clube do Porto no Andebol, no Basquetebol, no Bilhar, no Boxe, no Ciclismo, no Hóquei, na Natação e no Desporto Adaptado. Gostaria de ter aprovado esse Relatório & Contas. Devido ao decorrer dos trabalhos que a Assembleia-Geral, não me foi possível fazê-lo.

Nota para o decorrer global dos trabalhos da Assembleia-Geral. Evidentemente que a grande maioria dos detalhes terão de ficar com quem fez o esforço de estar presente. Os trabalhos decorreram de forma relativamente calma e ordeira, fora um ou outro episódio menos equilibrado, de menor importância e que acontecem neste tipo de eventos. Houve opiniões para todos os gostos e feitios, e é assim que deve ser. É para isso que serve o espaço, e os sócios muito bem o utilizam. Considero, no entanto, fundamental passar uma mensagem inequívoca: Fernando Gomes está de pedra e cal no Futebol Clube do Porto e totalmente de acordo com os resultados apresentados. Admite o desastre, mas assume-o com a restante direcção e administração, na busca por um resultado melhor esta temporada. No entanto, tal como anteriormente tinha revelado, rejeitou 95.000.000,00€ por Danilo, Herrera e André Silva, mas foi o Presidente do Futebol Clube do Porto que teve de explicar, ainda que de forma principesca e atabalhoada como se chegava a esses valores. Além disso, do Presidente do Futebol Clube do Porto existem duas citações fundamentais que são necessárias publicitar. Aos sócios presentes, as minhas sinceras desculpas. Mas tem de acontecer. Não é possível dizer dentro de portas uma coisa e fazer-se fora de portas outra, deixando só para alguns a verdade.



"Em relação ao Futebol, há muito tempo que não via um grupo tão identificado com os valores do Futebol Clube do Porto. E esse é um trabalho que é feito dia-a-dia, e que tivemos que encarar de frente, porque de facto reconheci que estava-se a perder um bocadinho dessa honra de ser do Porto, de ser um jogador à Porto".

"O que vos posso garantir já no domingo é que o Futebol Clube do Porto vai entrar (em campo) só com um pensamento: ganhar. Só com um objectivo: ganhar. E só admitimos ganhar". 


Esteve na Assembleia-geral? Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.

Um abraço.

A justificação para a questão dos equipamentos, muito bem levantada na AG.

2 comentários:

  1. Bom post, meu caro.

    Fica a pergunta: se no final da época não formos campeões, de que serviu hipotecar o clube financeiramente? E que consequências disso irão tirar presidente e administradores da SAD? Eu só vejo uma possível.

    Mas acredito que vamos ser campeões. A começar já no Domingo.

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    1. Caro LAeB, obrigado pelo comentário.

      Confesso que nem quero pensar nisso, pois as consequências teriam de se fazer sentir... E, pelo que vi na 5a feira, ficaria tudo na mesma.

      Domingo é para ganhar. Ponto.

      Um abraço.

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