domingo, 23 de outubro de 2016

"Sentido único": Futebol Clube do Porto 3x0 FC Arouca (crónica)

Ficha de jogo completa em fcporto.pt

Debaixo de uma chuva intermitente, mas castigadora, o Futebol Clube do Porto não aquaplanou e derrotou de forma convincente o Arouca, numa partida de sentido único e metade do relvado para alugar. Otávio e André André foram baixas nas escolhas de Nuno Espírito Santo, com o lugar do brasileiro no onze a ser ocupado por Corona, e que entregou toda a ala esquerda a Alex Telles, com Óliver e Diogo Jota em apoio. Vamos ao filme.

Desde cedo o Futebol Clube do Porto demonstrou que quis resolver a partida rapidamente. Corona foi o primeiro a criar perigo. Se num primeiro momento o mexicano perdeu-se pela linha de fundo, ao minuto 5 passa por dois adversários mas só consegue acertar no poste, sem que a segunda bola sorria para nenhum jogador do Futebol Clube do Porto. Do outro lado, foi Óliver a ser servido por Herrera. Perante Bracalli, permitiu uma excelente defesa do guarda-redes do Arouca. A atitude pressionante e positiva persistiu, com um Arouca apenas preocupado em reter o marcador no nulo. O Futebol Clube do Porto continuou a pressionar o Arouca, mas faltava um momento de finalização capaz de fazer mexer o marcador. Ao minuto 34, Diogo Jota fez tudo bem e, já com Bracalli fora do lance, foi Jubal que cortou em cima da linha. Pouco depois, Marcano apenas penteou a bola no cabeceamento e este saiu ao lado. Ao minuto 43, chega finalmente o golo. Gégé cortou de forma deficiente um cruzamento de Layún, que Diogo Jota aproveitou, nas costas, para servir André Silva. Com tempo e espaço, o melhor marcador do Futebol Clube do Porto deu hipótese nula a Bracalli e inaugurou o marcador. Mesmo em cima do intervalo, Diogo Jota teve nos pés o 2-0, mas o remate sai ao lado.



Sorte, noção e engenho no golo. 


Vantagem justíssima do Futebol Clube do Porto ao intervalo, que parecia que não ia aparecer dentro da primeira parte. Casillas foi um espectador durante o primeiro tempo e o resultado poderia estar bem mais dilatado.



Querem mais domínio do que isto? Estatísticas Goalpoint.pt

Para a segunda parte, Nuno Espírito Santo confiou na mesma estrutura, mesmo considerando um Corona condicionado dada a agressividade contrária. O Arouca esboçou por momentos uma tentativa de reacção, mas o Futebol Clube do Porto rapidamente tomou conta da partida. Em contra-ataque, faltou definição a Diogo Jota. Logo a seguir, André Silva chutou por cima. Já Óliver teve mais, mas não melhor pontaria, e acertou na figura de Bracalli. Ao minuto 58, Vitor Costa empurrou André Silva dentro da área, mas o árbitro Manuel Mota deixou passar. O minuto 65 trouxe uma dupla alteração, com Brahimi e Rúben Neves a entrarem para os lugares de Óliver e Corona. A cerimónia em frente à grande área fez com que nem Brahimi, nem Diogo Jota nem Herrera conseguissem rematar. O resultado estava à justa, mas a intensidade global diminuiu com o passar do tempo. Brahimi procurou o seu tento, mas encontrou oposição na altura do remate. Já ao minuto 78 procurou isolar André Silva. O corte é feito na altura certa mas a bola sobrou para Diogo Jota. Desta vez este procurou a cabeça do colega que, sem Bracalli na baliza, fez o segundo da partida e da conta pessoal. Outra tranquilidade e outra justiça com o 2-0 no marcador. A salva de palmas para o "actor secundário" da partida foi mais do que merecida quando saiu para dar lugar a Silvestre Varela. O jogo não podia terminar sem que Brahimi conseguisse o seu momento de glória. Casillas encaixou um cruzamento sem sentido e disparou para o argelino que recepecionou, cortou para dentro, passou por dois adversários e disparou sem reacção de Bracalli. Um momento egoísta e de classe do argelino que resultou no 3-0 final.



Sobras? Foi o prato favorito desta dupla frente ao Arouca.

(+)

André Silva: "O meu trabalho é marcar golos" disse o avançado do Futebol Clube do Porto após a partida ao fcporto.pt. E cumpriu-o da melhor forma. Máxima eficácia frente a Bracalli. Por isso, o melhor em campo.

Diogo Jota: No meio de um jogo esforçado mas inconsistente do ponto de vista táctico, o Português brilha no oportunismo e na dupla assistência a André Silva. Por momentos pareceu perdido em campo e com necessidade de recuar, mas sem receber jogo. De toda a maneira, o seu registo no campeonato seguiu positivo. 

Corona: Desde o primeiro minuto, e enquanto durou, foi o jogador mais irreverente. A parceira com o seu compatriota Layún e uma ala direita muito explorada permitiu-lhe ser protagonista, exigiu mais tempo de utilização.

(-)

A aula de Educação Visual de NES: Não quer discutir o conteúdo dos seus sarrabiscos, ou da sua tentativa de aula. Um show digno de Toni ou de Vitor Pereira em terras do Médio Oriente. Faço apenas uma apelo: menos paleio, e mais FUTEBOL!!! Aquele tipo de discurso só tem é de ficar no balneário e nunca saltar cá para fora, a não ser talvez no Museu, como um exemplar do trabalho de AVB agora reside. Mesmo depois de uma vitória convincente, a quarta de seguida e a liderança à condição, este é o momento em que acredito menos em Nuno Espírito Santo. Não, Nuno... Não. À frente dos jornalistas não.


Show?? Só dentro do relvado. Brahimi e Corona deram-no, por exemplo.  


Menos paleio, e mais Futebol, por favor. Vamos a isto? Frente ao Arouca, Nuno Espírito Santo teve mais intensidade e intenção nos primeiros minutos, e rapidamente poderia ter resolvido a partida. A estratégia parecia semelhante, mas com uma nuance fundamental. Desta fez foi Alex Telles a não ter companhia certa, com Óliver e Diogo Jota a preencher o espaço vazia do lado esquerdo do ataque, jogadores que compreender o que é fazer a posição, coisa que não acontece com Herrera, André André ou mesmo André Silva, que continua a correr demais para um goleador. NES pede a este onze algo que sabe fazer e que sente confortável em executar. Verificou-se uma maior largura, entreajuda e cobertura do terreno, através de apenas uma alteração. No entanto, continuamos a verificar problemas graves na transição ofensiva em posse. Em diversos momentos do jogo, foi notória a distância entre Danilo Pereira, recuado entre os defesas-centrais com bola, e o restantes médios, que adiantavam-se sem pensar em ajudar na construção, só para depois terem de recuar, ou obrigar Diogo Jota a ser opção de passe curto. Um dos interiores terá forçosamente de perceber que tem de ficar mais perto para ajudar no transporte de bola. Isto treina-se, digo eu. Depois, os golos. E estes golos já não se treinam. Duas sobras e um rasgo de génio. Frutos de insistência e espírito, é certo. Mas bafejados por um ponta de sorte que não aparece todos os dias. E essa falta nós já sentimos na pele. Feliz, agradado, mas não descansado para o que aí vem. 


Atitude. Egoísmo. Classe. Futebol. Não é possível separar o bom do mau em Brahimi. Ou tudo, ou nada.

Hoje tinha de escolher um de dois caminhos. Ou entraria no comboio do empolgados para dizer que somos os maiores e que agora é que vai ser, ou escreveria de forma mais pragmática, alertando para os buracos que ainda existem na forma de jogar. Escolhi pender mais para a última, pois os adversários mais difíceis estão para chegar, não são cegos e certamente querem aproveitar as nossas fragilidades. E porque ainda há tempo para corrigir durante esta semana sem jogos que se inicia. Depois não há margem para tal, com a a deslocação a Setúbal, a crucial a recepção aos belgas e o clássico. Quero comprar bilhete para esse comboio o quanto antes, mas não me sinto seguro. No entanto, acredito que o meu embarque pode ainda chegar.



Adversário que pouco o foi. Estatísticas Goalpoint.pt

Crente. Portista.


O que achou desta partida? Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.

Um abraço.

Sem comentários:

Enviar um comentário