domingo, 30 de outubro de 2016

"Onde andas Jorge Nuno?": Vitoria FC 0x0 Futebol Clube do Porto (crónica)

Ficha de jogo completa em fcporto.pt

O apito final de João Pinheiro no Bonfim originou um conjunto de emoções que simplesmente proibiu qualquer escrita. O perfeito estado de ebulição, não permitia no momento qualquer processamento. Exigia-se tempo. Porque, quando se escreve, é necessário tomar uma posição sólida e clara. A escrita de electrocardiograma não ajuda em nada. E há tanto por dizer... Mas primeiro o filme do jogo, porque o Futebol Clube do Porto empatou em Setúbal, algo que não acontecia desde 06 de Outubro de 1997. Do ponto de vista histórico, os três pontos eram quase uma garantia no Bonfim. Só que não. 

A partida começou à Futebol Clube do Porto: lenta. Mas a iniciativa moraou do lado forasteiro, como sempre. O Setúbal não entrava na área do Futebol Clube do Porto, que conseguia chegar ao último terço, mas sem o engenho necessário para criar uma verdadeira chance de golo. O primeiro momento de esperança surgiu com uma bicicleta de Felipe, já depois do quarto de hora, mas Bruno Varela amarrou sem problemas. Depois foi André Silva a ver o seu remate interceptado, cenário que ocorreu várias vezes. A verdadeira oportunidade surgiu nos pés de Óliver, marcavam 25 minutos. Isolado por Diogo Jota, hesitou e deixou Bruno Varela intervir. Depois foi Diogo Jota a cabecear muito perto da baliza. O Futebol Clube do Porto explorou com maior insistência a largura, mas era no meio que as coisas se podiam resolver. Herrera tentou com o pé esquerdo. Como a bola veio, a bola foi, e o seu remate saiu ao lado. A ameaça pairava sobre a baliza de Bruno Varela, mas o nulo resistia ao intervalo.

Primeira parte de sentido único a favor do Futebol Clube do Porto, com um par de oportunidades claras, mas uma tremenda falta de pontaria e eficácia dentro de um jogo globalmente fraco para a qualidade individual dos intervenientes de preto.


Os números Goalpoint.pt ilustram bem o que se passou na primeira parte

É apanágio de Nuno Espírito Santo iniciar as duas partes com os mesmos onze. E assim o fez. E o que é facto é que nada mudou. André Silva foi o primeiro a avisar. Mas o minuto 54 traz a melhor oportunidade. Otávio faz a bola pingar na cabeça de Diogo Jota, que não consegue desviar a bola de Bruno Varela. Que perdida! Foi aquele momento de "epá não sei se ganhamos". A hora de jogo trouxe a primeira mexida, com troca de mexicanos. Corona entrou para o lugar de Herrera. Assumiu-se finalmente o 4-4-2 em pleno. Mas, sem a eficácia desejada, Nuno Espírito Santo fez dupla troca, com Diogo Jota e Óliver a darem lugar a Brahimi e Rúben Neves. E trocou novamente o desenho. Dois atrás e três irreverentes no apoio a André Silva. O minuto 77 traz um fora-de-jogo bem assinalado a Fábio Cardoso, que introduziu a bola na baliza, depois da cobrança de um livre que nem devia ter existido. O golo foi bem anulado, mas deu esperança ao Setúbal, que conseguiu partir o jogo nos últimos minutos, e viu, no seu minuto 84, o momento chave do protagonismo de terceiros. Otávio foi carregado na área por Vasco Fernandes, mas Jorge Pinheiro decidiu ao contrário e mostrou cartão amarelo ao brasileiro do Futebol Clube do Porto. Momento "facepalm" da partida. Nesse momento foi-se tudo: o discernimento, a organização e dois pontos.


(+) 

Felipe: Na falta de um elemento ofensivo que se destaque, há que falar da boa exibição do defesa-central do Futebol Clube do Porto. Impediu com eficácia as raras chegadas do adversário ao último terço do terreno e tentou fazer de avançado por várias vezes. Pelo menos tentou... Escapou a sanção disciplinar quando atinge a cara de adversário que não vê a chegar.

Danilo: Outro que tal. Recuperou bolas, interceptou e desarmou como ninguém na hora de defender. Está firme, está seguro, está... comendador. O problema está mesmo para a frente. Imagine-se só se o Futebol Clube do Porto tinha um par de lapsos de concentração no sector defensivo... 

Adeptos: A curva esteve em peso no Bonfim. Fizeram sentir a sua presença de princípio a fim, e não tiveram o que mereciam. Esses nunca tiveram dúvidas sobre o que fazer, como fazer, ou com que intensidade. Foi prego a fundo durante hora e meia. E será prego assim quarta-feira e domingo. Disso não tenho dúvidas.


(-)  

Herrera: O mexicano é o sintoma mais proeminente do vazio que é a estratégia implementada por Nuno Espírito Santo. Do ponto de vista individual, cortou, desarmou, interceptou e reiniciou jogadas. Mas, a partir daí, é um marasmo completo. Isto porque não alcança uma concordância entre o que sabe fazer e o que parece lhe ser pedido. E isso não é culpa de quem vai lá para dentro, mas sim de quem o escolhe. 

Jorge Nuno Pinto da Costa: Onde anda, Presidente? Vidas pessoais não são para aqui chamadas. Aponto a minha crítica a si em particular, pois acredito que o meu velho Jorge Nuno Pinto da Costa nunca falharia de forma tão consecutiva na escolha de treinador do Futebol Clube do Porto, não permitiria este tipo de registo dentro de campo por tanto tempo, nem sequer deixaria acontecer esta arbitragem e ser manso perante ela. Noutros tempos, o apito já estava na boca e o braço apontado para a marca antes do Otávio chegar ao chão. E com toda a razão! Porque foi penalty! E o árbitro viu. Se não assinalou, foi porque não quis. O que mais me entristece é o estado que influencia tudo o resto, seja a equipa, o adversário ou apito. É que hoje o Futebol Clube do Porto não é respeitado nem mete medo a ninguém. É manso... Quem realmente fomentou o nível de reputação que um dia alcançámos, hoje deixa escapar todo o seu trabalho de décadas pelas mãos sem compreender que já não é capaz de o segurar ou recuperar. Qual profecia a frase que foi dita durante a Gala dos Dragões de Ouro, na passada segunda-feira: 


"Rigor, Competência, Ambição e Paixão. São estes os quatro pilares. Se um destes falhar, tudo pode ruir. Todo o trabalho de décadas que se tem construído pode cair."  

De forma deliberada, Jorge Pinheiro não quis assinalar esta grande penalidade. Onde vai gastar o voucher?


Exibição boa ou má, queria os três pontos como tudo! Mas nem isso... Evidentemente que o ponto mais fraco da exibição de ontem foi a eficácia. Das poucas vezes que conseguimos alvejar a baliza contrária faltou o critério necessário e um pingo de discernimento e acutilância. Aquela assertividade que advém de uma confiança intrínseca, e não estimulada por palmas ou assobios da bancada. Do banco vieram alterações, mas sem consequências positivas. Nuno Espírito Santo mexeu tarde e sem eficácia, originando nova questão grave: Depoitre foi escolha tua? Acho que já toda a gente percebeu que demonstra pouco futebol. Mas será que foi opção para Nuno? Será que Nuno escolheu Depoitre a dedo? 


Por muito penalty por assinalar, três remates à baliza é pouco para o Futebol Clube do Porto. Foto original

Se a recepção ao Club Brugge será uma final, o Futebol Clube do Porto acrescentou novo jogo decisivo no domingo seguinte. Na sexta-feira, um empate frente ao líder não seria uma catástrofe. Era mau, mas não uma catástrofe. Hoje é. E uma derrota é um abandono a qualquer aspiração. Por isso, o Futebol Clube do Porto entrará novamente no Estádio do Dragão em brasas.  Eu obviamente estarei lá. Não fujo. Porque há que estar presente. Para apoiar durante e para no fim reagir, ora através do aplauso, ora através do assobio. No assobio não me apanham, fruto da falta de arte. 


Desanimado. Portista.


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Um abraço.

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