terça-feira, 18 de outubro de 2016

"Acordar a tempo": Club Brugge 1x2 Futebol Clube do Porto (crónica)

Ficha de jogo completa em fcporto.pt

É triste quando um treinador de bancada tem os olhos mais abertos que um treinador de banco. O Futebol Clube do Porto venceu num duelo de antigos guarda-redes no banco de suplentes, através das mudanças  que saíram desse mesmo banco. Nuno Espírito Santo apostou no onze teoricamente mais forte, promovendo três alterações face ao jogo para a Taça de Portugal, frente ao Gafanha. Casillas, Layún e Felipe regressaram para um 4-4-2 sem um extremo direito, com o lateral mexicano a assumir novamente todo o flanco, o capitão Herrera ficou a par de Óliver, e Diogo Jota a apoiar André Silva. Rúben Neves e Silvestre Varela ficaram na bancada. Vamos ao filme.

A partida começou equilibrada mas o Club Brugge ganhou rapidamente o ascendente. Foi Casillas a ter de intervir, parando um remate de Vossen. Depois, fez uma enorme defesa frente a um livre de van Rhijn, À terceira, e depois de muitas indecisões de parte a parte, Vossen recepciona, e, bem enquadrado, remata para 1-0. Dupla falha de Layún, falha de Danilo Pereira e o primeiro golo da equipa belga na fase de grupos. O Futebol Clube do Porto tentou responder. Otávio foi o primeiro a tentar, mas o cabeceamento ao cruzamento de Óliver saiu ao lado. Depois foi Herrera a tentar o empate, com Butelle a defender como soube, que fez o mesmo quando Marcano foi à frente tentar a sua sorte de cabeça. Otávio tentou a magia, mas acabou sem soluções e desequilibrado. A pressão aumentava com o chegar da meia hora, mas sem consequências no marcador. Pina tem o 2-0 nos pés depois de uma má abordagem ao lance da defesa do Futebol Clube do Porto, mas Casillas acaba por resolver. A sorte também não acompanhou totalmente o remate de Héctor Herrera. Última nota da primeira parte para um amarelo a Layún depois de protestos desnecessários. 


Números Goalpoint.pt. Mais posse, mas um equilíbrio desequilibrado pela eficácia. 

Primeira parte fraca do Futebol Clube do Porto, com demasiada bola, mas pouca largura, sempre muito dependente dos laterais para criar o desequilibro pelas faixas. Um jogo demasiado afunilado e que serve pouco os avançados acaba por criar um resultado justo, premiando a eficácia adversária perante a passividade defensiva nos primeiros 15 minutos de jogo.


Para a segunda parte, Nuno Espírito Santo parece não ter percebido o problema e deu um voto de confiança aos jogadores e à estratégia. Naturalmente, a equipa belga voltou a estar perto do 2-0. A fraca pressão na zona central deu espaço a Vormer para rematar. Felizmente, o remate saiu ao lado. Nuno Espírito Santo acorda para a vida perto da hora de jogo e faz entrar Brahimi e Corona para o lugar de Herrera e Diogo Jota. 4-3-3 bem desenhado em campo, com o argelino na esquerda e Corona na direita. Otávio junta-se a Óliver no meio. Rapidamente Brahimi tentou surpreender, com Butelle a defender para canto. Depois é Layún a ter espaço para o remate, mas Butelle volta a encaixar. O Futebol Clube do Porto cresceu no jogo com a mexida e, com melhor definição, manda na partida. Otávio combina bem com André Silva, mas o remate saiu ao lado. O Club Brugge ainda assusta, mas o Futebol Clube do Porto colocou justiça no resultado ao minuto 68. Grande jogada de contra-ataque, com Otávio a lançar Layún, que apareceu com espaço na direita e, sem cerimónias, chutou com força para o empate. Outro Futebol Clube do Porto, outra iniciativa, outro resultado. Otávio deu lugar a André André ao minuto 72 para refrescar um Futebol Clube do Porto motivado e claramente por cima da partida. Layún voltou a tentar de longe, com Butelle a encaixar. A seguir, Óliver descobriu bem Corona, mas o mexicano não consegue encontrar Brahimi. O argelino tentou perto do fim, mas o remate saiu ao lado. O Futebol Clube do Porto foi acumulando remates e oportunidades depois das alterações, mas faltava um maior esclarecimento para dar a volta por completo. Brahimi tentou tirar meio mundo do caminho e acaba por servir André André. Já pressionado, este remata frouxo. A oportunidade acaba por surgir em cima do minuto 90. Claudemir derruba Corona dentro da grande área e faz penalty. Da marca dos 11 metros, André Silva não vacila e dá uma merecida primeira vitória na fase de grupos ao Futebol Clube do Porto.
   


Take a bow, son. What a hit!!!!

(+)


Layún: teve mais tentativas de remate do que os avançados do Futebol Clube do Porto. Sozinho, deu espaço para o golo adversário, mas marcou o empate. Fez o que soube a defender e apareceu muito no ataque. Foi o homem com mais atitude no Futebol Clube do Porto. 

Óliver: A fraca dinâmica de jogo do Futebol Clube do Porto teve no espanhol o principal resistente até que o Treinador do Futebol Clube do Porto decidiu mexer. 

Brahimi: Mesmo com o individualismo habitual, destaco a refrescante iniciativa e irreverência do argelino, contrastante com a previsibilidade registada até ao momento. 

(-) 

NES: Imaginem um Futebol Clube do Porto em 4-3-3 durante hora e meia. Custa-me muito repetir-me. Mas, dada a necessidade, volto a repetir-me. Para quê um Futebol Clube do Porto com dois avançados e manco num flanco, quando tem jogadores e se sente mais confortável e mais acordado com extremos, com largura e com dinâmica em 4-3-3? O jogo interior, frente a uma equipa bem organizada, não se reconhecia e voltou a encontrar muitas dificuldades. Felizmente, acordou a tempo e deu a oportunidade de se reencontrar e foi buscar o jogo. Espero que o Treinador do Futebol Clube do Porto de vez. Não é possível dar uma hora de jogo de avanço à equipa adversária e espero sinceramente que seja possível aplicar o que foi aprendido já no sábado, frente ao Arouca. 

Herrera: ZZZZZzzzzzzz..... Se é para isto, talvez André André possa se demonstrar como uma solução superior.



A frieza de André Silva imperou no momento decisivo. 

Ganhámos! E isso era o mais importante! E claramente merecemos! Mas é crucial retirar conclusões depois desta vitória e perceber de onde ela saiu. Julgo que será perfeitamente óbvio de onde veio. Veio do banco, e veio porque Nuno Espírito Santo acordou para a vida. Uma vida onde que os treinadores de bancada já estavam. Só faltava o Treinador do Futebol Clube do Porto. Apelo à completa ausência da casmurrice habitual de qualquer treinador e seguir com os jogadores e táctica que deram a volta ao texto, já sábado, frente ao Arouca. Para a Youth League, os jovens do Futebol Clube do Porto voltaram a não facilitar. Um "bis" de Rui Pedro deu a vitória ao Futebol Clube do Porto, que regista um pleno de vitórias até ao momento. 

Núneros da partida, pelo Goalpoint.pt. Números que cresceram com as mudanças.


Crente. Portista.


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Um abraço.

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