segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Silly Season: o resumo, a reflexão.


Aproveitando o fecho do mercado e a pausa para competições de selecções, existe a oportunidade de olhar para trás e reflectir sobre o longa temporada muito "silly" que, anualmente, entretém os adeptos dos clubes na falta de competição.

Em abono da verdade, a "silly season" do Futebol Clube do Porto começou ainda mais cedo que o habitual. Em vez de palpites de terceiros, foi o próprio Presidente do Futebol Clube do Porto a apontar que sectores do terreno teriam especial reforço: o centro da defesa e o ataque. Por outro lado, além de possíveis reforços ainda a confirmar, a indicação dos regressos avizinhava uma tarefa especialmente complicada para o Treinador do Futebol Clube do Porto, na altura José Peseiro, para a nova época Nuno Espírito Santo.

Com efeito, ao analisar o plantel 2016/17, vemos que, forma paralela aos 26 disponíveis na equipa A, detectamos mais de 30 emprestados. Sendo que alguns não terão ordem para regressar, a vasta maioria poderá novamente às ordens de Nuno Espírito Santo em Junho de 2017, espero eu. Pese embora o excesso em números, é natural a busca por maior qualidade e o jornalismo desportivo aproveita para espalhar rumores, mandar palpites, atirar com nomes para a baila. Alguns verdadeiros, outros uma completa barbaridade. Mesmo assim, foi possível no Porta 26 escrutinar os nomes que fizeram mais eco. 

A começar pelo substituto de José Peseiro (I). Nuno Espírito Santo foi a aposta de Jorge Nuno Pinto da Costa, que contrariou a vasta maioria dos palpites publicados, com Paulo Sousa, Marco Silva, Leonardo Jardim ou o regresso de Vítor Pereira como possíveis nomes apontados à cadeira de sonho. Uma aposta inteligente num perfil sereno, num homem da casa, num agenciado de Jorge Mendes. Tudo atributos considerados por quem escolheu. Se é verdade que, mesmo antes da sua apresentação, já existia um diagnóstico das necessidades do plantel, apenas após a sua apresentação foi possível reforçar as suas opções. Antes disso, confirmar a permanência do melhor jogador do Futebol Clube do Porto de 2015/16: Miguel Layún.

Gustavo Goméz era fantástico (II). Mas o escolhido foi Felipe (III), do campeão Corinthians. 6,2M€ por 80% do passe, e o substituto de Maicon estava encontrado, jogador que foi vendido ainda em Junho por cerca de 6M€. Quase de seguida chegava João Teixeira (IV), depois de ter concluído o seu vínculo com o Liverpool. Por essa altura, já se fala de Rafa, mas o rumor mais forte foi sempre a partida de Herrera para Itália. O mercado ainda estava por abrir, mas o Futebol Clube do Porto já tinha confirmado duas contratações. Zé Manuel também era dado como garantido, mas apenas teve honras de apresentação no início dos trabalhos, sem Presidente ao lado, e esteve apenas de visita. Também por isso, foi oportuno o esclarecimento do Presidente do Futebol Clube do Porto ao JN (V), a 18 de Junho. Aí, Jorge Nuno Pinto da Costa apontava baterias à contratação de mais um defesa-central e um ponta-de-lança. Negou as saídas de Herrera e Aboubakar (a China não convinha ao camaronês), assim como as entradas de Gustavo Gómez e Rafa. Mas outros nomes foram sendo adicionados nos dias seguintes. A começar por Alex Telles (VI). Proposta com jogadores. Depois proposta sem jogadores. O que é facto é que, mesmo com Maxi e Layún no plantel, e Victor Garcia e Rafa Soares como alternativas, Alex Telles foi contratado. 6,5M€ para o Galatasary, e Josué havia de percorrer o caminho oposto, por empréstimo. Até porque, além do excesso de opções, surgia ainda Óliver na imprensa (VII). Para mim, não passava de um sonho. Aliás, todo o investimento anterior parecia arriscado, pois havia que fazer contas, com o fim de Junho. O Futebol Clube do Porto contraria as capas de jornais, não vende Rúben Neves, mas chumba no fair-play financeiro. Então quando vi Moutinho (VIII), já nem pensava noutro problema. Porque era preciso começar a pensar em colocar dispensados e reforçar o centro do ataque (IX). No entanto, isso não parecia travar a novela do verão: Rafa Silva (X). Além do Português, surgia Boly como reforço para o centro da defesa. Mas primeiro foi tentado Alex, foi confirmado Depoitre e o evento principal ia vendo novos contornos (XI) de dia para dia, colocando até a nu a informação e contra-informação presente na imprensa desportivas. No fim, Óliver chegou, Diogo Jota veio atrás, e como Mangala ficou pelo caminho, apareceu Boly. Em sentido oposto, foram 8, e ficou Brahimi.


O primeiro onze base, e as alternativas para cada posição.

Em resumo, o Futebol Clube do Porto, contratou pouco, mas vendeu ainda menos. Acima de tudo, procurou mexer de forma cirúrgica, tentando acrescentar opções aos sectores do terreno onde faltavam unidades ao plantel de Nuno Espírito Santo. O tempo dessas mexidas é que será mais do que criticável! Nuno Espírito Santo contou com todos os regresso no primeiro dia do seu Futebol Clube do Porto, mas se Maicon é vendido antes do início dos trabalhos, Licá sai de forma definitiva apenas no último dia do mercado. Se os empréstimos foram feitos a conta-gotas, a grande maioria foi apenas colocada com a competição já iniciada. Esse próprio problema acaba por ocorrer nas contratações. Repare-se que o Futebol Clube do Porto apontou ao mercado CINCO MESES antes de ele fechar. Mas Depoitre, Óliver, Jota e Bolly não chegaram a tempo para a apresentação e condicionaram o início de temporada, quer no campeonato, quer no acesso à Liga dos Campeões. Não se perdeu imenso, é certo. Mas Nuno Espírito Santo partiria muito mais seguro para a competição caso já tivesse a possibilidade de contar com todos. O lançamento de Óliver ao intervalo e a falta de entrosamento de Depoitre são exemplos de um desequilíbrio que poderia ser atenuado com uma maior agilidade no mercado.

Paralelo ao tempo, surge a limitação financeira. Se o Futebol Clube do Porto parte com essas limitações, acompanhadas por um previsível chumbo nas regras da UEFA, não se registou qualquer esforço em ver essa situação remediada nos primeiros dois meses da temporada. Pelo contrário. O Futebol Clube do Porto gasta mais em vendas do que o que recebe em compras. A SAD terá de apresentar resultados no fim deste mês e apresentar o seu orçamento nas primeiras semanas de Outubro.

Mas o Futebol Clube do Porto tem plantel. É o que temos. Mau, ou bom, é o nosso! Por quem foi escolhido? Por Nuno Espírito Santo, Jorge Nuno Pinto da Costa e Antero Henrique, espero eu! Este último já não será alvo do escrutínio dos sócios e accionistas. Para o cargo, já há substituto. E, como adepto, sigo a acreditar que é possível voltar a ganhar.


Crente. Portista.


O que achas das opções que Nuno Espírito Santo tem à sua disposição? Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.

Um abraço.

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