sábado, 24 de setembro de 2016

"Reviravolta contra 14": Futebol Clube do Porto 3x1 Boavista FC (crónica)

Ficha de jogo completa em fcporto,pt

Claramente os senhores da Sport TV nunca tiveram de enfrentar o trânsito do centro do Porto. Mas, como uma equipa da capital também tinha de jogar à sexta-feira, mesmo fazendo o seu jogo seguinte em casa, o Futebol Clube do Porto foi sacrificado e atirado para o horário das 19h00. Típico... Por isso os primeiros 10 minutos de jogo, bem como o golo sofrido, foram uma completa incógnita para mim... 

Mas vamos ao que vi. O 0-1 sofrido não impediu que o Futebol Clube se impusesse na partida e fosse à procura de um melhor resultado. A pressão subsequente ao golo sofrido foi sufocante. Aquele 4-4-2 em 4-3-3 já habitual, com Adrían a fazer companhia a André Silva na frente, Olíver tinha a batuta e sem extremo direito. A presença no último terço era constante, na busca pelo empate. Otávio dá o primeiro aviso. Depois é Danilo que cabeceia ao poste. O empate acaba por surgir. Otávio pica uma bola extra para André Silva encostar para o 1-1. Brilhante visão de jogo e técnica do brasileiro, com o avançado Português a corresponder da melhor forma. A partir daí, o ritmo de jogo abrandou. André André tinha outras opções, mas acabou a rematar ao lado. Danilo voltou a assustar a baliza do Boavista, mas só através de penalty chega o 2-1. Rasgo de Otávio pela esquerda, com falta dentro da área cometida por Henrique. Da marca, André Silva não treme e confirma a reviravolta, já perto do fim da primeira parte, que fechou sem mais lances a assinalar.


Que NINGUÉM se engane. Ele viu! Ou estava a olhar para lá de olhos fechados?
Se não assinalou, foi porque não quis...

Primeira parte completamente controlada e maioritariamente dominada pelo Futebol Clube do Porto. Simplesmente porque é melhor, mesmo a jogar com menos do que o adversário. Aceleração em busca do empate. Ritmo mais lento a partir daí. O rasgo individual deu a possibilidade de chegar à vantagem.



Classe na assistência, simplicidade na finalização.

Para a segunda parte, um Futebol Clube do Porto mais mole, expectante, gestor. Ao minuto 56, Adrián ia-se isolando, mas o árbitro auxiliar que validou o golo do Boavista decidiu invalidar de forma incorrecta a posição de Adrián, que acaba por trocar com Diogo Jota a 20 minutos do fim. Ao minuto 74, Herrera entra para o lugar de André André. Pouco depois, Diogo Jota reclama falta dentro da área por duas ocasiões. Primeiro recebe uma cotovelada. Noutra situação, ganha a frente ao adversário e recebe uma carga. Nuno Almeida fez vista grossa em ambas as situações. O acumular de desgaste no adversário dá um pouco mais de espaço ao Futebol Clube do Porto. Brahimi rende Otávio para os últimos dez minutos. Até que surge a tranquilidade.  Alex Telles vê premiada umas das muitas incursões ofensivas. O cruzamento-remate passa pelas mãos do guarda-redes Kamran, e assim se sentencia a partida. O brasileiro ainda incendiou as mãos de Kamran na compensação, mas o resultado manteve-se. 


Uma tranquilidade que até soube a pato.

(+)

André Silva: É isto. É muito isto. Perante a oportunidade flagrante, não falhar. Frente ao Boavista encostou para o empate e confirmou a reviravolta através de um castigo máximo. Mesmo em 4-4-2, confesso que me interessa pouco o que faz mais. O que lhe peço é que, em frente ao guarda-redes, não falhe. E não falhou. Felipe foi considerado o melhor em campo, mas André Silva incluiu os três "E" na sua exibição da melhor maneira.

Danilo Pereira: Terá certamente ordens para não subir nem ser mais agressivo. Por isso, parece muitas vezes lento ou até fora da partida. Parecido com um outro também Português, mas da capital. No entanto, do ponto de vista defensivo, foi irrepreensível, com sucessivas recuperações de bola, intercepções e duelos ganhos. Os números repelem qualquer tipo de crítica à sua exibição.

Otávio: Bem, ou mal (muitas mais vezes bem), esteve em praticamente todas do Futebol Clube do Porto. Assistência de classe para o empate e penalty sofrido depois de uma brilhante jogada individual. Nuno Espírito Santo volta a ter especial cuidado com a condição física do brasileiro, sendo que ainda não concluiu 90 minutos de nenhuma partida. 


(-)

Apito: Outra vez este tema?? Não só o fora-de-jogo é claro como ainda existem mais lances de onde o Futebol Clube do Porto pode reclamar. O problema acresce de preocupação quando, mesmo depois de uma vitória, continua a existir uma enorme apatia dos responsáveis do Futebol Clube do Porto em falar sobre o tema. Por isso, lá têm ser outros a fazê-lo. A começar pelas redes sociais, onde os frames dos lances seguem muito fortes! É de continuar. Aliás, sem ler, apostaria que o "Dragões Diário" de sábado comentará o desempenho da equipa de ladroagem... desculpem!, de arbitragem... liderada por Nuno Almeida. Mas não chega. Alguém que perca a vergonha das câmaras, por favor...

NES: Insisto na tola do mesmo prego, com o mesmo martelo, pois novamente existem problemas básicos a reparar. Exige-se ao meio-campo uma maior coesão o mais rapidamente possível. São várias as ocasiões onde o adversário é capaz de encontrar espaço entre o médio mais defensivo e os restantes elementos do meio-campo. Outro problema é o elemento que fecha o lado direito da defesa. Relembro um conceito que já referi anteriormente. A atacar, cada um sabe de si. Faz parte da liberdade do Futebol Clube do Porto decidir quantos atacam em cada zona do terreno. A defender, não é bem assim! Layún já se viu perdido com André Bukia, mas quando Talocha (brilhante nome de jogador da bola) aparecia em apoio, era o cabo dos trabalhos. Felipe aliviou vários cruzamentos com origem nesse desequilibro. Depois, gostaria de apelar a uma maior consistência dos escolhidos nesta fase, para que seja possível, aproveitando uma estrutura mais consistente, incluir mais jogadores numa fase mais posterior da temporada. Nuno Espírito Santo não parece ter problemas em rodar a equipa, pois produzir quatro alterações no onze, depois de ter feito cinco em Tondela. 


Os números desta partida, segundo o Goalpoint.pt

Objectivamente não é possível ainda embalar com esta vitória. Bem gostaria, mas apenas existiu intensidade de elogiar durante os momentos em que o Futebol Clube do Porto estava atrás no marcador. Pese embora a insistência em querer chegar rápido à baliza adversária, os números perante um adversário bem inferior não são totalmente animadores. Terça-feira enfrentaremos um adversário ainda mais lutador, que levará vantagem novamente no capítulo físico, mas que tem muita mais qualidade. Havia até quem já pensasse nisso...

Sem querer retirar o ânimo que esta vitória pode dar, é importante trazer para esta publicação um par de reflexões registadas durante o intervalo. A aposta de Nuno Espírito Santo neste desenho, com dois avançados e uma ala sem dono revela-se demasiado espontânea e pouco planeada. Se o Futebol Clube do Porto apresenta um onze sem um único extremo puro, a aposta constante em 2 avançados não tem soluções em quantidade suficientes. Depoitre era a única alternativa ao duo da frente. Recordo-me de um certo jogador emprestado ao Granada que faria todo sentido estar presente neste plantel. Certamente não seria por falta de qualidade, já que Adrián não demonstra muita, talvez também por falta de confiança. Por outro lado, ao mesmo tempo, verifica-se uma insistência em tentar colocar em prática o que Nuno Espírito Santo declarou no primeiro dia: mais objectividade e rapidez na chegada ao último terço, sem posse apenas pela sua existência. Em teoria, tudo muito certo. Na prática, o actual plantel regista um conjunto de jogadores que alcançam um melhor desempenho quando jogando em posse, e maiores dificuldades quando se insiste no passe longo e jogo mais directo, o que parece ir contra os objectivos do Treinador do Futebol Clube do Porto. Este par de reflexões surgem de forma espontânea, já depois de algumas partidas oficiais. Com ainda mais jogos, será possível fazer uma análise mais profunda da matéria.

Nota para a presença de Antero Henrique na zona VIP do Estádio do Dragão. Ainda bem que os "motivos de ordem pessoal" que o levou a abandonar os cargos que desempenhava no Futebol Clube do Porto não o impedem de ir à bola. Pouco habituado à zona VIP do Futebol Clube do Porto durante os jogos, já que se sentava sempre no banco de suplentes, será que se encontrou com o Alex? Por falar nele, nem sabem da melhor que ouvi hoje na bancada. Havia quem invocasse Alex como a razão pela qual Brahimi não se transferiu, devido à comissão de 2.500.000,00€ que exigiu. Brilhante momento de gossip de intervalo...


AH was not impressed....


Crente. Portista.


O que achou desta partida? Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.

Um abraço.

Sem comentários:

Enviar um comentário