domingo, 11 de setembro de 2016

"Não foram 4 porque...": Futebol Clube do Porto 3x0 Vitória SC (crónica)

Ficha de jogo completa em fcporto,pt

Uma bela vitória, uma boa exibição, um resultado dilatado, um apito novamente perdido. Na antevisão a esta partida vi-me forçado a referir o nome do árbitro para esta partida. Jorge Sousa foi protagonista de mais uma prova da falta de qualidade do apito em Portugal. Mas já lá vamos. Nuno Espírito Santo optou por mexer na estrutura mais habitual. Óliver regressou ao Estádio do Dragão como titular. Depoitre fez dupla no ataque com André Silva e ala direita totalmente entregue a Layún. Herrera nem foi ao banco.

Logo no início, Casillas teve de ir ao solo fazer a primeira defesa da noite. Depois, foi André Silva que teve nos pés a primeira oportunidade da partida, mas Josué evita o remate. A seguir, Casillas teve de intervir novamente por duas ocasiões e evitar calafrios maiores. O minuto 18 traz o primeiro balançar de redes, mas sem valer. André Silva acaba por por introduzir a bola na baliza, mas o árbitro Jorge Sousa anula o golo. No Estádio do Dragão, não vi nada. Nas repetições da TV, também não. Em casa, depois de rever o jogo, pareceu-me tudo legal. O Vitória aproveita para explorar o número reduzido de unidades do lado direito e reequilibrar a partida, até porque o Futebol Clube do Porto só consegue testar Douglas ao minuto 30. Grande defesa ao cabeceamento de Depoitre. No canto seguinte, é André Silva que falha sozinho o cabeceamento. Na tentativa seguinte, surge o golo. Canto cobrado da direita, Depoitre ganha nas alturas, mas é Marcano que confirma e inaugura o marcador. Do lance seguinte quase surge o segundo. Layún cobra um livre à entrada da área, mas o canto do ferro da baliza evitou o segundo do Futebol Clube do Porto. Foi com esse suspiro que fomos para o intervalo.


Na falta de oportunidade para chutar à baliza, sobra a bola parada.

Primeira parte da partida muito interessante. Regista-se sempre urgência do Futebol Clube do Porto em chegar à frente. O primeiro quarto de hora tem iniciativa Portista, com o Vitória a tentar reequilibrar depois desse período, explorando o lado direito pouco povoado do Futebol Clube do Porto. O quarto de hora final é da equipa da casa, onde surgem finalmente os remates... e o golo!

 Pontos extra por acertar no local mais difícil, mas sem golo. 


Na entrada para a segunda parte, nem deu tempo para aquecer a cadeira. Otávio recebe de Óliver, que, sem cerimónia, dispara para a golo. A bola ainda sofre um desvio no espanhol, crucial para enganar Douglas e aumentar a vantagem, um resultado mais tranquilo, frente a um adversário que certamente entrara para a segunda parte a acreditar que podia retirar algo deste jogo. Com efeito, quando a bola chega aos pés de Óliver, ela ganha outro encanto. Uma bela jogada colectiva liderada pelo espanhol acaba por ter o respeito de João Aurélio, que introduz a bola na sua própria baliza. 3-0 no marcador, e uma tranquilidade pouco usual no Estádio do Dragão. Depoitre também fica a centímetros de desviar um cruzamento de Óliver para o golo. Raphinha tenta responder de longe, com Casillas a voar para a sua defesa da noite. Ao minuto 70, ocasião para lançar Corona no lugar de André Silva e estrear Diogo Jota no lugar de Otávio. O Português teve oportunidade para testar a pontaria, mas o remate saiu por cima. Depois, o momento do aplauso para Óliver, que deu lugar a Rúben Neves. Já perto do fim do jogo, o Futebol Clube do Porto sai em contra-ataque com Corona que, depois de Layún correr o campo todo, tenta oferecer-lhe o golo. É Raphinha que tira o "pão da boca" a Layún, muito à custa da sua integridade física. Mesmo não sendo possível ver o 4-0, o Estádio do Dragão ovacionou a iniciativa dos dois jogadores, e depois de dois minutos de compensação Jorge Sousa terminou a partida.

As estatísticas da partida, cortesia do GoalPoint.pt
(+)

Óliver Torres: O mago regressa a uma casa onde foi muito feliz da melhor forma. Titular no meio-campo, foi sem dúvida o melhor em campo. Emprestou um dinamismo que André André não consegue, uma organização que Herrera não sabe, uma qualidade de passe que Otávio ainda não tem. Mostrou estar mais do que preparado, mesmo tendo poucos treinos com os colegas. Deixem-no jogar, pah!

Layún: Sem palavras para descrever o seu esforço. Joga 180 minutos pela selecção, faz uma viagem transatlântica e apresenta-se a tempo de jogar mais 90 pelo Futebol Clube do Porto a todo o gás. Foi-lhe entregue toda a ala direita do Futebol Clube do Porto até à entrada de Corona. O vaivém era constante e ripostava como podia as investidas de Rúben Ferreira, Raphinha, ou Hurtado, sem apoio directo. André André ficava em zonas interiores. André Silva estava demasiado longe. Mesmo assim, isso não o impediu de sprintar o campo todo para apoiar Corona, coisa que mais ninguém o fez. Que grande!

Marcano: O defesa-central espanhol tem "dias" e, frente ao Vitória, foi um dia sim. Além do golo, demonstrou uma consistência defensiva rara de Azul e Branco. Assim, Boly terá de esperar!

(-)

Jorge Sousa: Alguém tinha de cair aqui, e isso coube a Jorge Sousa. Critério desorientado e interpretação pouco acertada. Faço por não falar de arbitragem, mas o tempo por que passamos assim o exige. Golo mal anulado a André Silva. Uma "gravata" de Rúben Ferreira à hora de jogo que merecia mais do que o amarelo. Uma ridícula interpretação de uma recuperação de bola em falta de Danilo Pereira, e onde João Pedro acaba por ser amarelado para não o deixar escapar. Um preciosismo num lançamento que fez perder um minuto inteiro de jogo só à conta disso. Apenas uma lista seleccionada do número de erros de Jorge Sousa, que parecia querer ser protagonista da partida, e que foi, por más razões. Na teoria, Jorge Sousa deveria ser o melhor árbitro Português. É certamente dos que terá mais experiência. Não se viu qualidade ou segurança no desempenho de Jorge Sousa.

Nota: esta é uma excepção que não pretendo abrir muitas mais vezes. Fora um outro lance de clara interpretação, deixo o apito para outros especialistas. No entanto, já irrita... Os erros e o silêncio na sua resposta.

Que defesa de Iker Casillas!!!

Gostaria de proferir um comentário especial à abordagem de Nuno Espírito Santo para esta partida. Decidiu fazer entrar dois avançados, mas o desenho não foi de todo o 4-4-2. Em casa, provavelmente não era possível ter a visão completa. Já a visão da bancada empresta outro privilégio. Na realidade, o Futebol Clube do Porto só teve extremo-direito com a entrada de Corona. Até lá, tanto André André como André Silva privilegiavam os seus terrenos habituais. Se a atacar, estamos na liberdade de o fazer, a defender é exigido que se cubra os espaços de outra forma. Sensivelmente a meio da primeira parte, esse espaço foi explorado pelo Vitória. O lateral Rúben Ferreira raramente tinha oposição. Outras equipas poderão ser mais eficientes nesse aproveitamento. Agora fica a dúvida. Ou Nuno Espírito Santo não deu ordem para haver extremo, ou alguém não percebeu a mensagem... durante 70 minutos. De toda a maneira, aplaudo a coragem que muitos outros não tiveram de quebrar o modelo habitual, de lançar Depoitre, de dar a batuta a quem a merece e de aproveitar a conjuntura para estrear Diogo Jota. Alguém sentiu a falta de Herrera ao lado de Danilo? Até parecia que o assobio tinha ficado em casa...

No global, uma vitória justa, uma postura intensa e positiva, um teste com respostas à altura, um Estádio do Dragão bem composto, apoiante e satisfeito, um alento importante para os desafios que se avizinham. Já se avista a prova milionária e hoje, domingo, já se regressou ao trabalho. E vamos com tudo, mesmo que não defrontemos apenas 11.


Sim, ganhámos. Mas era bom deixarmos o silêncio de quem parece aceitar ser assaltado dentro de campo.

Crente. Portista.

O que achou desta partida? Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.

Um abraço.

2 comentários:

  1. Mais uma vez tenho que dar os parabéns ao teu blog. Um dos poucos que fala em factos e não em especulação.
    Este fim de semana troquei o estádio pelo sofá (namorada fez o jantar e sobremesa merecia a minha atenção) e apesar de acreditar neste porto ainda não é o meu.
    Sinceramente não gosto que o Porto mude de tactica. Relembro-me de Mourinho fazer as substituições previsíveis e sermos campeões.
    Oliver e otsctivo impecáveis.
    Layun melhor jogador. E o
    se.faz quando maxi estiver bom?
    Portista esperançado

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    1. Caro Fábio Vieira, obrigado pelo comentário.

      De facto, Nuno Espírito Santo tem mudado o modelo de forma constante, contrariando até uma ideia de insistência e consolidação que deveria acontecer no início de temporada. De toda a maneira, aumenta as opções. Pessoalmente, preferia a consistência. Mas, fora a partida em Alvalade, está a resultar. E há que dar o valor a quem o tem!

      Quanto ao Maxi, os bancos do Estádio do Dragão foram renovados. De toda a maneira, é difícil de imaginar que um jogador que recebe 4M€ por época fique no banco...

      Um abraço.

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