sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Confesso, não esperava que acontecesse...


Confesso que não estava à espera que acontecesse. Foi notícia em vários meios de comunicação social que Antero Henrique estaria de saída da SAD do Futebol Clube do Porto durante o mês de Agosto. Sempre neguei e recusei acreditar, pois Jorge Nuno Pinto da Costa nunca deixa cair um dos seus nem alguém renega a este tipo de chucha por causa de um par de birras.

Mas aconteceu...


O clube começou por informar os sócios. Rapidamente a SAD informou a CMVM

No clube, o Vice-Presidente Antero Henrique foi rapidamente substituído por Luís Gonçalves, antigo Director e Vice-Presidente do Futebol Clube do Porto e actual Director do departamento de "scouting" do Shakthar Donetsk. Já na SAD, e embora Luis Gonçalves passe a ser o director-geral para o Futebol, caso exista sucessão como Administrador, terá forçosamente de passar pela sua assembleia-geral de accionistas, que deverá reunir até ao início de Outubro para apresentação, discussão e aprovação de orçamento, e quem sabe mais uma "Operação EuroAntas".

Em certa medida, há que compreender o "timing" da saída. Se é verdade que essa possibilidade foi tema de capas de jornais com meses de antecedência, sendo que, a dia 18 de Agosto, essa notícia voltou a surgir nas bancas, Antero Henrique espera até ao fecho do mercado de transferência para sair do Futebol Clube do Porto, instituição onde trabalhou durante 26 anos. No entanto, foi apenas recentemente que, depois de cerca de uma década como o "homem-forte" do Futebol, chegou ao cargo de Administrador da SAD. Pouco meses depois desta ascensão, e após ter sido eleito como Vice-Presidente em Abril, segundo o DN, a sua decisão de deixar o Futebol Clube do Porto foi comunicada antes da primeira-mão do play-off de acesso à Liga dos Campeões, frente à Roma. Alegadamente por razões pessoais, suspeita-se que Antero Henrique tenha batido com a porta pelo acumular de decisões nas quais não concordava, onde viu compras, vendas e outras decisões abortadas ao longo dos anos. Por isso, e não pelos três anos de absoluto desaire, finalmente decidiu sair, de livre vontade. Claro que não apanhou ninguém de surpresa, muito menos o Presidente do Futebol Clube do Porto. É mais de um quarto de século no Futebol Clube do Porto, e sempre com Jorge Nuno Pinto da Costa na Presidência. Demasiado para, de um momento para o outro, se dizer que se vai embora.




Há quem diga que Antero Henrique tinha tudo acertado com Marco Silva. Ficará sempre a dúvida.

Além da escolha de Nuno Espírito Santo, Antero Henrique terá ainda de ser responsável por torrar mais de 30.000.000,00€ em compras neste mercado de transferências, tendo registado receitas pouco acima de 13.000.000,00€, já a contar com empréstimos. Por muito pouca influência que teve, terá de assumir pela responsabilidade do cargo que ocupava. O agora ex-Administrador da SAD deixa para o sucessor o dossier Quintero por resolver, que quer rumar a outros continentes. Por agora, treina com a equipa B.


Antero Henrique ainda marcou presença na apresentação da Dragon Force Valência. Original

A questão mais pertinente será compreender até que ponto Luís Gonçalves, como novo homem-forte do Futebol, poderá reconstruir novamente uma equipa de scouting que apontou anteriormente a Hulk, Falcão, James ou Lisandro, mas também uma formação capaz de ombrear com o produto que saiu das mãos de Artur Baeta, a partir de meados do século XX, ou Costa Soares, nos anos 90, que foi o próprio Luís Gonçalves que ajudou a afastar na sua primeira passagem pelo Futebol Clube do Porto. Desconheço o perfil pessoal do escolhido por Jorge Nuno Pinto da Costa. Aliás, julgo que a vasta maioria desconhece as suas intenções. Rodolfo Reis traçou um perfil de "yes-man" do Presidente, incapaz de lhe dizer não. Antero Henrique sempre se apresentou como um homem de poucas palavras e raramente concedia entrevistas, mas entrava muitas vezes em conflito e discussão com Jorge Nuno Pinto da Costa. Espera-se que, pelo menos, Luís Gonçalves possa ser diferente. Possa promover uma comunicação activa e à altura das exigências do Futebol Clube do Porto, coisa que até ao momento ainda não é possível registar. Depois de não se dar a cara pelo assalto e consequente derrota em Alvalade, regista-se uma saída, mas ainda sem uma resposta cabal, à frente das câmaras.

Com ou sem Luís Gonçalves, é facto de continuamos sem ouvir uma única palavra de Jorge Nuno Pinto da Costa pela saída de um Administrador da SAD recentemente nomeado e um Vice-Presidente eleito em Abril, depois de, a 23 de Agosto, ter apelidado a sua saída como um "não-assunto". Uma vez mais finge-se que os accionistas não merecem explicações, que os sócios não merecem um esclarecimento, que os adeptos continuarão a bater palmas, entoar cânticos e prestar vassalagem.

A Antero Henrique, e como Portista, só posso agradecer pelos 26 anos de serviço ao clube, desde a revista Dragões, passando pelas Relações Externas da recém-formada SAD até à supervisão de todo o Futebol, a partir de 2005. O seu palmarés como Director-Geral faz inveja a muito Presidente. O seu registo de transferências também. Desejo-lhe sorte a nível pessoal e profissional, sabendo que as "questões pessoais" que invocou para a sua saída não o impedirão de iniciar um novo projecto desportivo em qualquer clube Europeu de largo orçamento. De toda a forma, espero que, ao mesmo tempo, este esteja agradecido ao Futebol Clube do Porto pela sua milionária conta bancária. Aliás, talvez seja importante deixar aqui uma última bicada a Antero Henrique. Se foi Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente do Futebol Clube do Porto, a abrir o postigo a seu filho Alex para ganhar influência dentro da SAD, há que referir que o fez também apontando o dedo aos maus exemplos que Antero Henrique protagonizava, por transferências de valor exacerbado e largamente compensatórias para intermediários. Aí o palmarés não lhe valeu de nada.


Sete Campeonatos, quatro Taças de Portugal, seis Supertaças e uma Liga Europa. Tudo obra de uma década.

Mas recupero o que já tinha dito em publicações anteriores. Quando existe apenas um galo no poleiro, ele até pode lucrar muito, mas a capoeira está pacífica. A partir do momento em que outro quer mandar, há guerra no galinheiro. Só o mais ingénuo e desatento pensará que Alex e Antero são anjinhos deste mundo. Luís Gonçalves estará obrigado a ter o condão de não incorrer nos mesmos vícios de Antero Henrique, colocando sempre e em todo o momento os interesses do Futebol Clube do Porto em primeiro lugar. Antero sai, a sombra de Alex fica e ganha mais um amigo no Futebol Clube do Porto. É que, se quisessem mandar embora Antero Henrique, os sócios só tinham de não o eleger. Alex não está nessa situação...


Um desabafo, em jeito de conclusão: "Prepara-te, André... A cadeira de sonho já aclama por ti..."


Crente. Portista.


Como vê esta mudança no clube? Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.

Um abraço


Ai se isto acontecia na CMtv......

2 comentários:

  1. Há-de me explicar como é que os sócios podiam não ter eleito Antero Henrique.

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    1. Caro Sigmund V, obrigado pelo comentário.

      De forma objectiva, era não votando na lista onde ele se integrava. Evidentemente que, sendo a única, só poderiam anular o seu boletim. De toda a maneira, o sócio deve sempre expressar, através do seu voto, a sua vontade. Foi o meu caso. Entre outras razões, não me revia na totalidade dos nomes da lista que se apresentou a eleições. Por isso, anulei o meu boletim. 79% dos votantes apoiaram esta lista, e por isso Antero Henrique foi eleito.

      Um abraço.

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