quinta-feira, 15 de setembro de 2016

"A linha média não está a funcionar...": Futebol Clube do Porto 1x1 FC Copenhaga (crónica)

Ficha de jogo completa em fcporto.pt

"A linha média não está a funcionar". Foi a frase que mais ouvi no Estádio do Dragão. De forma repetida e incessante. E do mesmo contestatário. Nada daquele calão habitual. Ou do apelo por mais ou melhor futebol. Nada disso. Um palpite direccionado para uma determinada zona do terreno, mas acompanhado, claro, de insultos para o Treinador do Futebol Clube do Porto, algo impossível de escrever aqui. Uma partida própria para os contestatários. 

O jogo 200 do Futebol Clube do Porto na prova mais importante da UEFA foi comemorado com o empate 47 na competição, frente ao Copenhaga... Se lhe contassem, acreditava? Mais curioso é, pós-jogo, relembrar o apelo vindo da claque dos Super Dragões antes de começar a partida: não desistir.

O Futebol Clube do Porto saiu a jogar e assume a iniciativa desde o início. O desenho de 4-3-3 regressou, com Corona a abrir na direita. Herrera voltou às escolhas de Nuno Espírito Santo e foi uma vez mais capitão. Se o Futebol Clube do Porto começava com mais posse e iniciativa, a primeira oportunidade é do Copenhaga. Santander ganha nas alturas para defender enviar por cima da barra. Os cantos subsequentes expõem o brilhante jogo aéreo de Casillas. Na resposta, surge o golo. A pressão alta de Otávio origina a recuperação de bola, que rapidamente tabela com André Silva. O brasileiro não mostra cerimónia na carreira de tiro e inaugura o marcador. Início feliz do Futebol Clube do Porto numa partida que valia milhões. Até ao fim da primeira parte, pouco futebol. e pressão muito recuada, sem que caísse uma única bola nas costas da defesa. Destaque para mais um penalty por marcar a favor do Futebol Clube do Porto sobre Corona. Não registei o minuto, mas o empurrão é evidente. Assim, o primeiro tempo chegou ao seu fim com um resultado magro.

 Esperar por quem e para quê? Pressão que nem deixa respirar, recuperação, toque de classe, golaço!

Uma primeira parte globalmente fraca, como único ponto alto do jogo a ser mesmo o golo de Otávio, na sua estreia na prova. A falta de cerimónia ou incerteza na dupla que o criou foi uma novidade entre a passividade e a pasmaceira que estava a ser a partida. Novamente uma pressão muito baixa sem sequer aproveitar o espaço nas costas para lançar a contra-ofensiva.

Na segunda parte, nada de novo. A primeira bola voltou a ser do Copenhaga, e desta vez deu golo. Cruzamento da esquerda, com um toque subtil de Danilo a tirar Telles da jogada e a dar Cornelius a oportunidade de, após muita raça e luta, cabecear para a baliza e empatar a partida. Exactamente. O Copenhaga marca e empata o jogo no Estádio do Dragão. E o que há a registar de resposta do Futebol Clube do Porto? Muito pouco. Depoitre entra depois da hora de jogo para o lugar de Corona. O desenho que iniciou a partida de sábado regressa. Ala direita totalmente entregue a Layún. Gregus é expulso pouco depois e o Futebol Clube do Porto volta a jogar na Liga dos Campeões com mais uma unidade. Outras equipas não deixariam escapar esta oportunidade. O sufoco do Copenhaga começa, mas não sem antes Herrera sair para a entrada de Brahimi, que recebeu uma assinalável ovação. O Copenhaga está entregue ao seu último terço, qual fortaleza escura que sempre se negou a ceder. Otávio tentou de longe mas saiu ao lado. Os cruzamentos sucedem-se. Bolas que se revelam presas fáceis para a muralha defensiva. Diogo Jota ainda rendeu o esgotado Otávio (não era o único. Óliver estava ainda pior) para um último esforço final. Muitas fintas no último terço, ora de Brahimi, ora de Layún, ora de Jota, mas pouca penetração, e a bola tinha de cair no flanco. Das que vinham daí, o Copenhaga podia bem. Sem alterações no marcador, apitou-se para o fim da partida.


(+)

Otávio: O melhor do Futebol Clube do Porto. Evidentemente que o golo ajuda a esta percepção. Mas enquanto pisou o relvado, foi sem dúvida o mais irrequieto. Mais que Óliver, que tinha brilhado no passado fim-de-semana.

Danilo Pereira: A presença de dois avançados adversários de enorme estatura exigiu ao médio defensivo uma dupla função. Na minha perspectiva, cumpriu, quer na ajuda aos defesas-centrais, quer a meio-campo, na recuperação e circulação. Jogo positivo. Espero que ainda melhor mais com o avançar da temporada.

Brahimi: Uma palavra para o argelino, que passou a contar para Nuno Espírito Santo. Não tendo feito uma enorme exibição, entrou dentro de campo como se não se tivesse passado nada durante o verão. Já vi várias referência ao Sebastianismo desta entrada. Mais do que a sua entrada, é o desespero da bancada. 


(-)

Herrera: Merecia todo e qualquer assobio. Apostava nele na posição ocupou. Menos responsável por agrupar, definir ou indicar. Menos fixo. Mas um Herrera com mais cobertura atrás, mais intenso e com mais liberdade na chegada à área. Nada disso, muito pelo contrário. Pesado. Pastelão. Morrinhento. Óliver não chegava para tudo. Viram-no a pressionar o Youssef Toutouh, que cruzou no golo do empate? Parecia o trinco titular da Selecção Portuguesa. Peço que alguém que o espevite no banco, frente ao Tondela. É lá onde merece estar, depois do que (não) fez...

NES: Pato. Completo pato. O que se vê do banco é definitivamente algo bem diferente do que o que se vê na bancada. Concordo plenamente com o onze em que apostou. Ao fim de 45 minutos, mesmo a ganhar, não é possível continuar a compactuar com a passividade que se via no jogo. E havia que mexer. Também por essa passividade vinda do banco acabou por sofrer o empate. E o que fez? Colocar um jogador alto no meio dos outros adversários igualmente altos. Bom para ganhar metros num primeiro momento, mas ineficaz a ganhar uma bola aérea no meio de tantos, e insistindo no erro que estava a ser Herrera por mais uns minutos. Depois, contra 10, e apenas frente a um atacante alto, possante, mas pouco velocista, não teve a coragem de arriscar e tirar um defesa-central. Por outro lado, em vez de passar uma mensagem de um futebol mais arriscado, mas rápido de passe curto, toca, tabela, foge, movimento e rasgo, as tentativas de cruzamento eram constantes, bolas fáceis para a defesa dinamarquesa. E só muito tarde fez adiantar um defesa-central, que durante cerca de 25 minutos quase podiam folgar, dado o pouco trabalho que tiveram. Mais clarividência, Nuno. Por favor. Vá lá, enquanto é tempo...


Os (magros) números desta partida, cortesia do Goalpoint.pt

Desde quando é que o Futebol Clube do Porto merecia ganhar este jogo? Mesmo contra 10, não fomos capazes de alvejar a baliza adversária uma única vez! Não estivemos ao nível que a própria competição exige, abandonado, pelo menos, a dinâmica demonstrada no último sábado. Exige-se mais. Muito mais a esta equipa, frente a esta adversário e no nosso próprio reduto. Em antevisão à partida, Nuno Espírito Santo voltou a referir a fortaleza que teria de ser o Estádio do Dragão. Com efeito, o Futebol Clube do Porto estava obrigado a reverter um cíclo de três jogos consecutivos sem o sabor da vitória em casa. Depois de Dinamo Kiev (Lopetegui), Dortmund (Peseiro) e Roma (play-off), soma-se o Copenhaga, esticando esse cíclo para QUATRO jogos. Que bela fortaleza... Já os sub-19 do Futebol Clube do Porto começaram da melhor forma a Youth League, com uma vitória sobre o Copenhaga por 4-1, como golos de Moreto Cassamá, Rui Pires e Rui Pedro. 

Que ninguém se engane! O Futebol Clube do Porto não vai deitar a toalha ao chão. Muito menos os adeptos. Havia já quem pintasse na TSF um cenário tipo tragédia grega. Tínhamos a obrigação de somar três pontos. Ficámos apenas pela unidade. Há QUINZE ainda em disputa. Mas também não se pense que expulsões e golos vão "cair do céu" sempre que vamos fora! Até porque nenhum jogo fora recupera os pontos perdidos de hoje. Mais FUTEBOL, Nuno! Exige-se mais futebol... E profissional. O amadorismo da exibição frente ao Copenhaga não se pode repetir.


Perseverança. E, já agora, algum respeito pelos adeptos! Há que jogar mais. Fotosdacurva.


Crente. Portista.


O que achou desta partida? Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.

Um abraço. 

1 comentário:

  1. boa tarde ,

    Achei que o treinador é fraquinho e que a equipa é fraquinha também igual a ele .

    A equipa é lenta sem intensidade e objetividade .

    Desde cedo se viu que se pressionados á saída da sua área os defesas Dinamarqueses não sabiam o que fazer á bola e chutavam para á frente para se vir livres dela de qualquer maneira . O nosso dever era pressionar a saída de bola logo ali junto á área deles e não recuar para o nosso meio campo . Isso só permitiu cruzamentos perigosos para a nossa baliza desnecessáriamente .

    O nosso meio campo, tirando o Danilo, só tem pézinhos de lã. Ninguém mete o pé com raça, com vontade de ganhar um bola dividida ... é um meio campo onde passa tudo á vontade . Acho que ao intervalo tinhamos feito 2 faltas .

    O ataque é fraco e precisa de 10 oportunidades para marcar um golo . Vamos ter muitos jogos que não vamos conseguir criar tantas oportunidades e vamos no fim lamentar não ter marcado pelo menos um golo .

    Enfim, vamos esperar por melhores dias . Afinal os treinos servem para isso mesmo .

    Abraço
    AS

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