domingo, 18 de setembro de 2016

"A incerteza, a miséria e o desespero": CD Tondela 0x0 Futebol Clube do Porto (crónica)

Ficha de jogo completa em fcporto.pt

Num fim de tarde solarengo, o Futebol Clube do Porto deslocou-se a Tondela para não ir além do nulo. Nuno Espírito Santo operou uma significativa revolução no onze, desenhando-o em 4-4-2. Boly apareceu ao lado de Felipe no centro da defesa. Rúben Neves fez dupla com André André no meio-campo. Otávio manteve-se no flanco esquerdo, com Brahimi a estrear-se no onze do lado direito. Um móvel André Silva teve a companhia de Depoitre na frente de ataque. Na escolha de campo, o Futebol Clube do Porto escolheu... jogar de frente para o Sol.

A primeira oportunidade surgiu para o Futebol Clube do Porto. Depoitre acaba por aproveitar mal a sobre de uma disputa de bola entre Cláudio Ramos (guarda-redes do Tondela) e André Silva. A sua recepção é deficiente e a oportunidade de alvejar a baliza perde-se. Pouco depois, o avançado Português também tentou de longe, mas sem precisão. A posse de bola foi-se acumulado, mas as oportunidades não existiam. De assinalar, apenas foi isto. Muita posse, maior iniciativa, mas o apito do árbitro levou um nulo sem oportunidades para o intervalo.


Números magros... Porque futebol e oportunidades nada... Goalpoint.pt
Uma primeira parte onde existiu imensa dificuldade em construir, apenas verificando-se maior dinamismo quando os laterais se envolviam no processo ofensivo, mas sem soluções para penetrar no último terço de um Tondela muito fechado, mas a praticar um jogo duro não penalizado por Hugo Miguel. André Silva registou o único remate registável do Futebol Clube do Porto, de longe, e sem acertar na baliza. Quase que dava para puxar uma soneca. Tendo em conta a aposta em dois avançados, esperava-se um maior esforço em cruzar, algo que não aconteceu de todo, curiosamente durante toda a partida.

Nuno Espírito Santo não mexeu para o segundo tempo. O Futebol Clube do Porto passou a atacar de costas para o Sol, mas foi o Tondela a assustar através de uma bola parada. O jogo estava dividido, por isso Óliver foi o primeiro a ser lançado, antes da hora de jogo, para render Brahimi. André André e André Silva dividiam as suas atenções ao lado direito. À hora de jogo, o primeiro cruzamento assinalável do Futebol Clube do Porto. O esforço de Layún chega à cabeça de Depoitre, mas o belga não consegue baixar o cabeceamento. Com pouco mais para acrescentar, Nuno Espírito Santo acaba por substituí-lo por Adrián López. Depois de um falhanço de Boly, Murillo tem a oportunidade da partida, mas felizmente acerta em Casillas. Que perigo! O Futebol Clube do Porto tentou responder através de Adrián, que pica a bola por cima da defesa para tentar servir André Silva. O cabeceamento sai fraco e desenquadrado. Corona foi a última opção para Nuno Espírito Santo para os últimos 10 minutos, que rendeu Otávio. O desgaste acumulava-se e organização baixava. E por isso o Futebol Clube do Porto registava maior iniciativa, e remata pela primeira vez à baliza ao minuto 82. André Silva é isolado por Óliver, mas permite a defesa de Cláudio Ramos (guarda-redes do Tondela). Logo a seguir, André Silva volta a estar em frente à baliza, mas o remate sai ao lado. A pressão aumenta para o últimos minutos, com mais cinco de compensação. Corona consegue furar pela esquerda e cruza para Adrián, que apenas penteia a bola e cabeceia ao lado. A seguir, Óliver isola o compatriota, mas, também atrapalhado pelo defesa adversário, não faz mais do que acertar no guarda-redes contrário. E foi isto... O Tondela segurou o nulo com sucesso até ao fim.


(+)

Adeptos: Incansáveis, uma vez mais. Hora e meia de apoio incondicional e dominante nas bancadas do Estádio João Cardoso. Eram a banda sonora e o ânimo numa emissão Sport TV de conteúdo (falo do futebol jogado no relvado, obviamente) globalmente fraco. 

Óliver: O jogador que fez mexer o Futebol Clube do Porto. Com a batuta, colocou alguma ordem e uma maior intensidade no jogo. Quis assistir André Silva e Adrián, mas faltou a ambos classe na finalização.

Rúben Neves: À falta de maior qualidade na construção a meio-campo, recorreu ao passe longo e foi o jogador que mais desarmes conseguiu durante a partida. Não é nenhum Danilo Pereira no momento defensivo, mas o "recorte técnico-táctico" superior, aliado a bons níveis de concentração, contribuiu para uma exibição individual positiva, quando em comparação com os colegas.   


(-)

André Silva: Não é possível falhar assim desta forma. Foram duas oportunidades claras à frente da baliza. Se Depoitre foi uma nódoa enquanto esteve em campo, teve apenas uma situação passível de poder finalizar. Já o avançado Português esteve na cara do golo por três ocasiões. Num jogo onde as oportunidades escasseavam, o erro acaba por ser ainda mais notado. 

NES: Isto de martelar sempre no mesmo até fica mal. Mas, na evidente existência de razão, para quê esconder? Rotação no onze sem necessidade e a fazer lembrar Lopetegui, um futebol miserável durante cerca de 70 minutos e o desespero da procura com o coração, e não com a cabeça, o golo que esteve perto uma mão cheia de vezes. Embora apenas na 5ª jornada, é um momento onde começo a levantar as primeiras dúvidas sobre a capacidade de Nuno Espírito Santo estar à frente do Futebol Clube do Porto. Ainda estamos no início, mas confesso que já esperava algo melhor.

Nota para a estreia de Boly. Depois de um primeiro tempo relativamente seguro, a segunda parte trouxe um Tondela mais arrojada e um Boly mais exposto ao erro, que aconteceu por três ocasiões, uma delas que ofereceu uma oportunidade flagrante. Chegou a assustar, mas não foi por ele que perdemos dois pontos.

As estatísticas da partida, segundo o Goalpoint.pt
Esta partida puxou imenso pelo sono. Porque, na realidade, só me apetecia dormir, tal foi o aborrecimento que era ver a primeira parte. O último quarto de hora tirou algum peso da pestana, mas, ao mesmo tempo, desejava que isto não passasse de um sonho. Porque empatámos em Tondela. Será que, depois do empate em casa frente ao Copenhaga, batemos no fundo? Sexta-feira há derby da Invicta. E estarei lá, claro. Há que apoiar durante a partida, se queremos aplaudir no sucesso, ou cobrar no falhanço.


Crente. Portista


Como viu esta partida? Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião. 

Um abraço. 

7 comentários:

  1. ... parece que vou ter de me habituar ao FCP de 1974, porque aquele a que me habituei já era, desde o clube ao Presidente, a quem considero ser o principal (ir)responsável pela situação! Para além da falta de qualidade dos jogadores, a (in)capacidade para escolher treinadores é notável...

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    1. Caro António Lourenço, obrigado pelo comentário.

      Eu gostaria de não ser tão dramático. Mas infelizmente o tempo vai passando e não vemos resultados onde nos possamos agarrar. Resta-nos a fé intrínseca de um adepto e a confiança cada vez mais pequena de que é possível reverter a situação. 6ª há derby, e depois viagem a Inglaterra. Vamos ver...

      Um abraço.

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  2. é tudo tão mau que nem dá vontade de dizer nada ...

    Dizia o Nuno na conferência de imprensa antes do jogo que em vontade ninguém nos ía ganhar !

    Foi pena que essa vontade toda só tenha chegado a 10 m do fim do jogo .

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    1. Obrigado pelo comentário.

      Com efeito, admito que não foi fácil escrever esta crónica. Mas é verdade que temos de fazer face aos factos. Acredito sinceramente que existe vontade de vencer. Creio é que as soluções para chegar a esse fim não chegam a ser praticadas. Ora pela sua complexidade, ora pela incompetência dos executantes. Só não elaboro mais porque não tenho acesso aos treinos.

      Um abraço.

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    1. Caro LAeB, obrigado pelo elogio.

      Como viu esta partida? Será que isto ainda nos permitirá sorrir em 2017?

      Um abraço.

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    2. Vi com muita preocupação, como todos nós Portistas.

      Sem repetir o que já escrevi, acrescento que é preciso recuperar a agressividade dentro de campo. Não é possível termos 11 bailarinas no relvado. Se levámos uma, temos que dar duas. No mínimo. O resto (e também isto!) cabe a Nuno resolver, tenha ele habilidade para tal.

      Abraço

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