domingo, 21 de agosto de 2016

“Resultado magro, exibição gorda”: Futebol Clube do Porto 1x0 GD Estoril Praia (crónica)

Ficha de jogo completa em fcporto.pt

Mais um jogo de campeonato, mais uma vitória. Suada, sofrida, mas só pelo resultado. Evandro e Depoitre foram baixas de última hora e não fizeram parte das escolhas de Nuno Espírito Santo, que confiou em Rúben Neves e Silvestre Varela. Layún substituiu o castigado Alex Telles e Corona regressou ao onze.

Desde o início, o Futebol Clube do Porto assumiu uma posição dominante na partida. A partir daí raramente abrandou e as oportunidades sucederam-se. Ao minuto 7, Layún prova que procura quem quer. 3 cabeceamento levam enorme perigo à baliza de Moreira. Mescla entre 4-3-3 e 4-4-2, com Otávio a ter liberdade total no miolo. Corona na esquerda e Varela na direita. Herrera mais junto ao Rúben Neves. Só dá Futebol Clube do Porto. O Estoril alivia como pode e põe-se a frente de remates de Otávio, Varela e André Silva. Joga-se bem. Falta só facturar. Layún até assiste o adversário a ver se ajuda. Dankler cabeceia a trave da sua própria baliza. Varela, na recarga, envia por cima. André Silva também não responde da melhor forma aos cruzamentos, ora de Corona, ora de Varela. O português teve mais duas oportunidades nos últimos 5 minutos mas o nulo persistiu ao intervalo.

Durante o interregno tempo para saudar a equipa que venceu a volta a Portugal e apresentar equipas das modalidades de Basquetebol e Hóquei em Patins.

Os heróis da Volta a Portugal foram recebidos por um agradecido Estádio do Dragão. Foto de José Lacerda.

Para a segunda parte, Adrián rende Varela. Desenha-se um 4-4-2 com Otávio na esquerda e Corona na direita. O festival de oportunidades falhadas continua. Isolado, André Silva falha na recepção. Depois é Adrián que cabeceia por cima. À hora de jogo André Silva volta a ter o golo no pé.  O nervosismo apega-se da bancada. André André e Sérgio Oliveira entram para os lugares de Herrera e Otávio nos último 20 minutos da partida. Espelha-se um renovado 4-3-3 no terreno, com Adrián a cair para a faixa esquerda. As bolas vão sendo servidas para a grande área adversária, mas a finalização não sai. André Silva não chega. Sérgio Oliveira falha a cabeça. Ao minuto 84, finalmente o golo. Layún olha, compreende a movimentação de André Silva, tiras as medidas do cruzamento e executa. O menino-de-ouro mete a cabeça à bola e desvia-a sem hipóteses para Moreira. Estava inaugurado o marcador e colocada alguma justiça no resultado. André Silva ainda poderia ter dilatado a vantagem, mas teve a oposição de Moreira. O minuto 9o trouxe 3 minutos extra e uma aproximação do Estoril, mas o jogo rapidamente chegou ao seu fim.


Um sentimento de emoção... e alivio!!! Muito se trabalhou em campo para este golo...

(+)

Layún: Coloca a bola onde quer e foram várias as assistências que só não terminaram em golo fruto da incompetência na finalização. O nosso Mezut Özil está em forma e pronto a servir.

Corona: Talvez o melhor em campo. Enérgico, participativo, pró-activo, destemido, motivado. Creio que demonstra que está preparado para uma semana com dois grandes desafios.

(-)

Otávio: um jogo menos positivo do brasileiro, que teve a oportunidade de começar a partida no centro do terreno. Se, no primeiro tempo, foi capaz de criar calafrios à defesa do Estoril, recebendo, dando e circulando com critério, a mudança de posição no segundo tempo tirou-lhe protagonismo, acabando por ser substituído. Terça-feira também será dia.

Herrera: Voltou a sentir enormes dificuldades para comandar o jogo do Futebol Clube do Porto, que procurou o ritmo através de outros elementos. Viu-se outra energia e outro critério assim que André André entrou em campo. Veremos as opções tácticas de Nuno Espírito Santo para a próxima partida.

Varela: E que tal João Teixeira? Não?


Especial foco para André Silva. Quinto jogo oficial consecutivo a marcar. Uma vez mais foi decisivo a mexer o marcador, o único capaz de facturar no meio de tanta oportunidade falhada. Uma vez mais falhou uma meia dúzia de situações claras de golo. Também importante foi a sua renovação, que o Futebol Clube do Porto se apressou a anunciar depois da partida, com detalhes que já tinha m sido revelados na antevisão a esta partida. Faltou saber quanto é que o empresário do jogador recebeu como recompensa.

Globalmente, foi uma exibição muita conseguida do Futebol Clube do Porto. Defesa segura e sem grandes preocupações ao longo da partida. Meio-campo dinâmico durante grande parte do tempo e que beneficiou com as substituições feitas por Nuno Espírito Santo, que não esperou por milagres ou pelo adversário para mexer na partida, numa pró-actividade de elogiar. Claro que o resultado é manifestamente curto e não espelha o que se passou dentro de campo. Mas tudo poderia ter sido diferente se o árbitro tivesse apitado uma falta sobre Silvestre Varela dentro da grande área, logo aos 5 minutos. Apontamento também para a capacidade da equipa rapidamente se formatar dentro de campo de acordo com as alterações. Parece haver quem ainda não compreende todos os ajustes necessários. As decisões são tomadas e o processo de aprendizagem continua. A raça, o querer, a dedicação e a motivação foram constantes ao longo da hora e meia. Bravo!

Os números desta partida, segundo o Goalpoint.pt

Nota final para o iminente regresso de Óliver, jogador por quem já admiti especial apreço. Muito satisfeito pelo fecho deste negócio, que já podia ter sido feito há cerca de um mês, caso o Futebol Clube do Porto conseguisse pagar o custo do empréstimo na altura (havia quem falasse em 2.000.000,00€). Situação semelhante aconteceu com Luciano Vietto. Ao contrário do Futebol Clube do Porto, o Sevilha teve 3.000.000,00€ para apresentar pelo seu empréstimo e garantiu o jogador. Pese embora esta importante adição ao plantel de Nuno Espírito Santo, ressalto dois factos cruciais. Primeiro, este negócio cria uma nova obrigação (16.000.000,00€, provavelmente em tranches) a que o Futebol Clube do Porto terá de fazer face no futuro próximo, altura em que também terá vários pagamentos a fazer. Espero que Fernando Gomes tenha feito as contas... Depois, não é o centro do terreno que está mais carente de reforços. Talvez por isso, na mesma página do jornal O JOGO, surjam os nomes de Atsu e Diogo Jota. Confesso que um defesa-central seria a minha principal prioridade, mas até ao fim do mercado ainda pode surgir. Quem sabe...


Um adversário bem diferente da Roma, mas fizemos o que nos competia. Agora, venham eles!!


Crente. Portista.


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Um abraço.

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