quinta-feira, 18 de agosto de 2016

“Não chega, Nuno...”: Futebol Clube do Porto 1x1 AS Roma (crónica)

Ficha de jogo completa em fcporto.pt

Outro adversário, outra cantiga. Depois da vitória sempre moralizadora em Vila do Conde, o Futebol Clube do Porto procurava novo resultado positivo, desta vez frente a um adversário bem diferente, naquele que era a partida mais importante da temporada. 

Nuno Espírito Santo optou por mexer no onze que venceu em Vila do Conde, subtraindo Corona para incluir Adrián Lopez (de dispensado a titular no jogo mais importante da época... quem diria!). Mas o desenho era o mesmo. Herrera fechou à direita e Otávio continuava no flanco esquerdo, com André André a fazer companhia a Danilo Pereira.

Na antevisão pedi apenas que o Futebol Clube do Porto não se encolhesse. Ora, foi exactamente assim que os escolhidos de Nuno Espírito Santo entraram em campo: encolhidos. Uma Roma autoritária entra com todo o gás e cria perigo por Salah. Depois é Casillas que faz asneira da grossa e dá uma prenda a Dzeko. Felizmente, Alex Telles consegue cortar em cima da linha. O espanhol também mostrou alguma hesitação frente a Juan Jesus. O golo ia sendo adiado até que Felipe decide introduzir a bola dentro da baliza de Casillas. Lance infeliz do brasileiro, que não teve reacção suficiente para evitar o auto-golo. 20 minutos totalmente entregues ao adversário, e o resultado poderia estar bem mais desfavorável. 

O Futebol Clube do Porto reage através de André Silva, que remata para a defesa de Alisson. Uma segunda bola ainda surge nos pés de Otávio, que remata por cima. Mas é Salah que volta a ter o golos nos pés, e por duas ocasiões, a juntar a uma terceira de Nainggolan. Casillas evitou sempre 0 0-2. Do outro lado, Otávio tira Florenzi do caminho e corta para o meio mas remate sai disparatado. Ao minuto 40, André Silva é lançado na frente pelo brasileiro. Vermaelen faz falta perigosa à entrada da área e recebe o segundo amarelo da partida e ordem de expulsão. A conversão do livre não passa da barreira. André Silva ainda tenta servir André André, mas o remate sai froxo. Ao cair do pano um cruzamento de Alex Telles encontra a mão de Juan. Björn Kuipers não consulta nenhum auxiliar e deixa seguir o jogo de forma incorrecta. 

Primeira parte controlada e muitas vezes dominada pela Roma. Com o golo sofrido, abrandou, mas não deixou de criar perigo. Futebol Clube do Porto recuperou mais perto do fim, mas a vantagem forasteira era justa até ao momento, com um meio-campo a carburar e a dominar o seu espaço do terreno. O resultado até podia estar mais desnivelado. 


Os números do primeiro tempo pelo GoalPoint.pt.

Para a segunda parte, o desenho é diferente. É Adrián que abre na direita em 4-3-3. A polémica instala-se ao minuto 50. Adrián introduz a bola na baliza mas é assinalado tardiamente fora-de-jogo. Dada a confusão da jogada, apenas uma análise mais cuidada podia ditar uma conclusão, por isso aceita-se a dúvida e a decisão do árbitro. Logo a seguir, André Silva cabeceia sozinho ao lado. O desenho muda novamente. O Futebol Clube do Porto encontra maior no losango do 4-4-2 com Otávio livre no centro do terreno. Nainggolan e Florenzi tentam de longe. Otávio também. Mas só depois de nova mão dentro da grande área (desta vez, Emerson) há indicação de penalty por parte de Björn Kuipers. Da marca, André Silva converte com classe e empata a partida. Logo a seguir, Felipe vai à frente cabecear por cima. O minuto 66 chega com a troca de André André por Layún, que assume a marcação das bolas paradas para Felipe repetir a dose. O relógio começa a pesar. André Silva acerta mal na bola. Já Adrián, nem na baliza. O último quarto de hora traz (FINALMENTE) Corona para o lugar de Adrián. Otávio tem na cabeça o 2-1 a passe de Herrera, mas acerta em Alisson. Cede pouco depois o lugar a Evandro. Em cima dos 90 minutos, mais uma incursão de Alex Telles resulta em bom serviço para André Silva, que escandalosamente não consegue encostar. O jogo não termina sem estalada perto da área do Futebol Clube do Porto. Björn Kuipers ainda dá direito à marcação do livre mas Casillas encaixa e rapidamente acaba-se a partida.

Segunda parte bem melhor, obviamente. Mau era... Contra 10! Só deu Futebol Clube do Porto no segundo tempo. André André subiu imenso de rendimento. Herrera também apareceu melhor. Otávio era um perigo constante. E oportunidades não faltaram... Pecou-se na finalização. Só mesmo da marca dos 11 metros, até porque acertar na baliza parecia uma tarefa hercúlea. Ora porque parecia pequena demais, ora pelo caminho obstruído.



(+)

Alex Telles: Para mim, o melhor em campo do Futebol Clube do Porto. Quer a atacar, quer a defender. O mais constante, mais participativo, mais incisivo. Também pelo pé esquerdo dominante, compreende-se a confiança que Nuno Espírito Santo deposita nele, em detrimento de Layún.

Otávio: Jogo em crescendo do brasileiro na sua estreia no Estádio do Dragão. Brilhou principalmente no segundo tempo, quando teve oportunidade de jogar no centro do terreno. Mesmo contra o adversário encolhido, jogou, fez jogar, e teve o golo nos pés e na cabeça.

(-)

André Silva: Algum dia tinha de começar a cobrança. Converteu o penalty com a tranquilidade que não teve em Vila do Conde e trabalhou, e muito! Garra e luta que até expulsaram Vermaelen e contribuiu para a sua bela partida. Mas faltou, a meu ver, o mais importante: acertar o trio de oportunidades claras em frente à baliza. Porque é isso que se pede a um ponta-de-lança: em frente à baliza, não falhar. E falhou, mais do que uma vez. Era possível construir outro resultado caso a sua competência fosse superior. 

NES: Cobro já hoje porque ainda vamos cedo na temporada, era o jogo mais importante da época, foi dia de enchente no Estádio do Dragão, tenho esperança no seu sucesso e ainda há tempo para correcções. Mas há coisas que não se compreendem! No primeiro tempo, alterou os protagonistas sem justificação, Mas com o mesmo desenho e postura. Pressão só em meio-campo. Os primeiros trinta minutos foram da Roma porque simplesmente não tivemos réplica. Há que pedir mais, Nuno. Ainda por cima em casa... Já no segundo tempo, trocou o desenho, mas sem o risco que se exigia perante um resultado manifestamente desfavorável. Contra 1o, Nuno!! Sem medo, e ir para cima deles, pah! Ainda por cima com Salah a jogar "bola" e Nainggolan esgotado a partir da hora de jogo e não se arrisca??? Nem falo da indecisão entre Rúben Neves e Evandro (naquela altura, quem é que decide em função da decisão do adversário???). Mas porque não João Teixeira?? Como o jogo estava, era altura de apostar nos craques. E tirar o Maxi, por favor! Quando se tem o melhor jogador do Futebol Clube do Porto da época passada no banco, dificilmente se compreende a presença de Maxi em campo. Vamos lá, Nuno. Ainda vamos a tempo...

Foi uma enorme desilusão. Pela lenta e desorganizada entrada no recinto. Pela atitude demonstrada. Pelo resultado curto. Havia quem questionasse a qualidade do adversário de hoje. Creio que todos que o faziam criaram novo respeito pela Roma. Queria que não fosse assim. Que fossemos capazes de controlar o adversário no nosso próprio reduto e viajar para a capital italiana com um resultado favorável. No Olímpico de Roma, entraremos em desvantagem, e é bem possível que haja Futebol Clube do Porto à quinta-feira, na SIC. Porque, ainda que seja possível reverter, o que vimos não chega, Nuno.


Crente. Portista.


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Um abraço. #VaiNaFé

2 comentários:

  1. Excelente análise. Concordo com os +, nos menos incluo o André André. Não traz nada ao jogo. O Danilo parece-me perdido no campo. Também fiquei frustrado. Não há pressão, não há esquema tático 442? 4321? 441?

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    1. Caro Rui V, obrigado pelo comentário.

      É verdade que o número de jogadores alvo de crítica poderia ser ampliado com justificação. No entanto, foquei os que acredito que poderiam ter feito a diferença caso tivessem outro tipo de prestação.

      No jogo de Vila do Conde não me foi possível compreender de forma segura. Mas no Estádio do Dragão deu para perceber de imediato as alterações no desenho. E, de facto, foram várias ao longo da partida. Embora seja conservador no tema, se a equipa carburar, óptimo. Mas existem jogadores que, por aquilo que lhes é pedido (ou não), não parecem estar no pleno das suas capacidades. Se é verdade que "faz parte do processo", na evolução da compreensão do esquema, também há que compreender que isso pode custar bem caro ao Futebol Clube do Porto. No imediato, 12M€.

      Um abraço.

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