quarta-feira, 29 de junho de 2016

O Economato: Hector Herrera



Um caso daqueles de levar a mão à cabeça. Uma publicação necessária, dada a contra-informação entretanto publicada. Comecemos pelo óbvio e básico.

Héctor Herrera, 26 anos, médio internacional mexicano. Brilha com a selecção mexicana e atrai as atenções de pretendentes. Vencedor do Torneiro de Toulon e medalhado de ouro nos Jogos Olímpicos de 2012. Chegou ao Futebol Clube do Porto em 2013, a troco de 8.000.000,00€ por 80% do seu passe, vindo do Pachuca, com o objectivo de colmatar a saída de João Moutinho. Começou pela equipa B e ficou rapidamente marcado pela expulsão recorde frente ao Zenit. Recuperou de tudo isso e afirmou-se como titular no Futebol Clube do Porto. Ora com Paulo Fonseca, Luís Castro, Julen Lopetegui, Rui Barros ou José Peseiro.

Até aqui, tudo normal. Transferência cara para a altura, diria eu. Mas de resto, tudo normal. O "Economato" não é rubrica para palpitar sobre o desempenho desportivo. É para números. Factos irrefutáveis. Esclarecimentos o mais cabais possíveis. Em concreto, pôr tudo em pratos limpos e esclarecer Vladimir Garcia, jornalista mexicano da Fox Sports MX, que tweetou isto.


Aqui o problema não reside no possível destino de Héctor Herrera, mas sim a referência ao Pachuca, referindo que o clube mexicano detém 30% dos direitos económicos do jogador. Aliás, este senhor deve ser mesmo credível tal a quantidade de sites que citam este tweet: tribal football, 101greatgoals, Empire of the Kop, Fanbolero, 90min ou o Português Fora-de-jogo.

Ora, os factos que nós conhecemos apontam para a falsidade desta declaração. Saltemos para os factos, trazidos para a praça pública pelo site de "leaks" mais famoso do futebol. 

É facto que o Futebol Clube do Porto assinou um contrato com o Pachuca para acordar os pressupostos da transferência de Héctor Herrera a 30 de Maio de 2013. Faço especial foco o parágrafo c) após o "Whereas" do documento, onde é claro que o Futebol Clube do Porto demonstra a intenção de adquirir 80% dos direitos económicos do jogador ao Pachuca. E concretiza-o no parágrafo 1., e descreve a forma de pagamento no parágrafo 2.: quatro parcelas iguais de 2.000.000,00€ cada, com a última a ser paga até 30 de Setembro de 2014. Até aqui, tudo normal. Aliás, o Futebol Clube do Porto relata a participação que tem de Hector Herrera em mais do que um momento. A 30 de Junho de 2013 (pág. 56 e 62, onde declara que pagará encargos adicionais de 1.000.000,00€), repetindo a mesma informação a 30 de Junho de 2014 (pág. 64 e 68), a 30 de junho de 2015 (pág. 68), ou mais recentemente a 30 de Março de 2016 (pág. 26), já com a referência à renovação do seu contrato até Junho de 2019. Nestes relatórios é possível verificar que o Futebol Clube do Porto já concluiu os pagamentos ao Pachuca.

Mais claro do que isto é complicado! O senhor mexicano não sabe usar nenhum motor de busca antes de palpitar no twitter?

Com ou seu tweets, Herrera parece ter um passo fora do Futebol Clube do Porto. Fonte


No entanto, o acordo assinado em Maio de 2013 foi mais além, e é aqui que levanto as minhas dúvidas em relação a todo o processo. Uma dúvida que poderá estar apenas no inglês, nomeadamente na palavra "shall", que indica obrigação. Se, em 2013/14 Héctor Herrera jogasse 15 partidas durante pelo menos durante 45 minutos, o Futebol Clube do Porto tinha de adquirir mais 10% do seu passe ao Pachuca por 1.500.000,00€. Héctor Herrera ultrapassou largamente esse número. E o Futebol Clube do Porto não o fez. Na época seguinte, 2014/15, o Futebol Clube do Porto estava obrigado a fazer o mesmo. 15 partidas com mais de 45 minutos dariam obrigação de compra de mais 10% do passe, totalizando os 100%. Héctor Herrera seria do Futebol Clube do Porto por 11.000.000,00€. Supõe-se que os restante 20% estarão nas mãos do Pachuca. 80% é certo que pertencerão ao Futebol Clube do Porto. Mas o Futebol Clube do Porto estaria obrigado a comprar os restantes direitos económicos, e não o fez. 

Porquê? Trespassou esse direito a outra entidade? É que essa mesma informação é fundamental para este momento em que se conjectura a sua transferência. Explico-me.

O acordo entre o Pachuca e o Futebol Clube do Porto inclui uma "side letter". Um documento à parte que, ao contrário do que acontece no documento original, não tem de ser assinado pelo jogador, e que incluem informações pouco animadoras. Na cláusula c), os clubes acordam que o valor de 20.000.00,00€ é um excelente valor a receber pelo jogador numa futura transferência. E, por isso, os clubes acordam que, enquanto o Pachuca tiver uma percentagem do passe, e apenas entre 30 de Junho e 31 de Julho de cada ano, se o Futebol Clube do Porto receber uma proposta de pelo menos 20.000.000,00€ por Herrera, tem duas opções: ou aceita, ou rejeita e fica obrigado a pagar a percentagem que caberia ao Pachuca, no máximo até 210 dias depois da proposta.



2 amarelos em 20 segundos. Um recorde. Aprendeu a ter juízo... a mal.

Tudo isto levanta várias questões. Em 2013, quem é que se sabia que 20 milhões era um bom valor a receber pelo Herrera? Como é que o Pachuca saberia que o Futebol Clube do Porto recebera uma proposta por Herrera? A ser verdade que o Nápoles estaria disposto a pagar 20.000.000,00€ por Herrera, porque é que o Futebol Clube do Porto ainda não declarou que accionou a cláusula de pagamento ao Pachuca? Cedeu esses 20% a terceiros? Se o fez, redirecciono a questão para o senhor mexicano: onde é que o Pachuca é chamado a isto tudo?


É por isso que faço novo apelo à transparência, à informação, ao esclarecimento. Diz-se em aulas de comunicação que esta serve para evitar ou esclarecer um mal-entendido. Não é necessário nenhum comunicado oficial ou a refutação do Dragões Diário. Apenas um esclarecimento. Que é devido. Para quê esconder esta realidade?  


De referir ainda que Northfields tem direito a 5% de uma possível mais-valia. 10%, se essa proposta for apresentada por um agente específico. A saber, Ricardo Lopez Rivera.


Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente do Futebol Clube do Porto, afirmou que Héctor Herrera não estava a ser negociado com o Nápoles e que só sairia pela cláusula de rescisão, fixada em 40.000.000,00€. Hoje, por exemplo, o Calciomercado avança que o Nápoles aumenta a sua proposta para 25.000.000,00€.


Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.

Um abraço.

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