quarta-feira, 25 de maio de 2016

“Silly Season” I: o (próximo) Treinador do Futebol Clube do Porto

Muita oferta, poucas certezas.

Não tenho qualquer conhecimento sobre engenharia cívil, há quem diga que uma casa não se começa pelo telhado. Parece-me algo relativamente óbvio.

Comecemos então pela base, pela fundação, pelos alicerces. Temos uma Administração da SAD e uma Direcção do Clube recentemente eleitas, legítimas e profissionais com competências e responsabilidades definidas. Falta-nos agora um treinador principal.

Capa do jornal OJOGO de 24 de Maio de 2016.
À altura em que escrevo, o Futebol Clube do Porto tem Treinador. Chama-se José Peseiro e tem contrato por mais uma temporada, assinado em Janeiro, aquando do seu ingresso no Futebol Clube do Porto. O público em geral não tem conhecimento das cláusulas deste contrato. Que prémios poderia José Peseiro receber. Se estava sujeito a determinado sucesso para continuar no Futebol Clube do Porto. Se pode prolongar o contrato. Não sabemos. Não temos conhecimento. Nesse sentido, há que trabalhar com o que é certo: José Peseiro tem 12 meses de contrato. Na minha opinião, para a construção de um futuro vencedor, não os deve cumprir e deve terminar de imediato a sua ligação com o Futebol Clube do Porto. Procura-se um "técnico jovem, enérgico e ambicioso" para o substituir, segundo o jornal OJOGO.

Vamos às alternativas.

Campeão pelo Basileia e pelo Maccabi Tel Aviv. Treina a Fiorentina. Fonte

É o principal favorito dos meios de comunicação social. Nacionais e internacionais. Pessoalmente, ou como adepto, não tenho nada contra Paulo Sousa. Reconheço-lhe competências técnicas, realizando um trabalho sóbrio e respeitável nos clubes onde conquistou troféus: Videoton, Maccabi Tel Aviv e Basileia. Terminou a Serie A desta temporada em 5º no comando da Fiorentina.

Num olhar mais frio para os números, as equipas de Paulo Sousa parecem padecer dos mesmos problemas das de José Peseiro: sofrem muitos golos. Mesmo quando são equipas que dominam a sua realidade futebolística nacional. Senão vejamos. Paulo Sousa foi campeão pelo Maccabi Tel Aviv com 84 pontos (26-6-4), mais 18 que o segundo classificado, e marcou 76 golos e sofreu 30. O segundo classificado marcou apenas 56 golos, mas sofreu 33. Na época seguinte, já no Basileia, voltou a ser campeão com 78 pontos (24-6-6), mais 12 que o segundo classificado e marcou 84 golos e sofreu 41. O segundo classificado marcou apenas 63 golos, mas sofreu 45. Diferenças que indicam que as equipas de Paulo Sousa dão prioridade e têm sucesso no ataque, mas demonstram permeabilidade na zona defensiva. Curiosamente, seria a sua primeira experiência no futebol Português.

A imprensa italiana afirma que o Português irá continuar na Fiorentina, algo que foi anunciado durante o mês de Maio, que pelo próprio clube, quer pelo treinador.  No entanto, os rumores do seu ingresso no Futebol Clube do Porto continuam. A revista France Football diz que é o preferido de Alexandre Pinto da Costa, o que adiciona uma maior probabilidade à sua contratação e uma indicação adicional ao poder e influência que o empresário e filho do Presidente detêm sobre a SAD do Futebol Clube do Porto. Estamos a falar de alguém que escapa a qualquer escrutínio, quer de sócios ou accionistas. Mas é de treinadores que estamos aqui para falar… Duvido que a Fiorentina abra mão do seu treinador.


Vencedor da Taça de Portugal pelo Sporting, e Campeão Nacional pelo Olymipakos. Fonte

Uma opção que seria a preferida de… Antero Henrique, segundo a revista France Football. Viria certamente motivado em querer alcançar mais do que a Taça de Portugal com o Sporting e corrigir a sua imagem depois do seu despedimento polémico do mesmo clube. Rapidamente assumiu o comando do Olympiakos e dominou a temporada na Grécia com a conquista do Campeonato Nacional, com 28 vitórias em 30 jogos. Perdeu a final da Taça e não passou aos oitvaos-de-final da Liga dos Campeões por diferença de golos. Os números são muitos interessantes para os recursos que teve à disposição. Se na Grécia marcou demais sofreu poucos golos, a eliminação frente ao Anderlecht da Liga Europa será certamente o ponto negativo da temporada. 

Marco Silva tende a montar equipas consistentes, mas que premeiam o equilíbrio no jogo, com prioridade no resultado. O seu Estoril, que terminou o campeonato de 2013/14 no 4º lugar é o exemplo disso mesmo. 54 pontos, 15 vitórias, 9 empates e 6 derrotas, 42 golos marcados e 26 golos sofridos. O seu Sporting da temporada seguinte não foge a essa postura. 76 pontos, 22 vitórias, 10 empates e apenas 2 derrotas, 67 pontos marcados e 29 sofridos. As suas equipas sempre preferiram atacar, mas reconhecem o momento de transição defensiva e resguardam-se quando é necessário manter um resultado.

Na minha óptica, creio que seria um nome que rapidamente iria reunir o consenso dos Portistas, sendo um treinador com experiência no futebol Português, com provas dadas e conquistas. É verdade que saiu do Sporting "a mal". Mas também nunca percebi o porquê de ter saído. Diz-se por aí, "à boca pequena", que favorecia os jogadores que eram representados pelo seu empresário. A saber Jefferson, titular indiscutível, e Maurício, que saiu a meio da temporada. Na minha óptica, foi apenas uma vítima da actual guerra da segunda circular. O Olympiakos estará certamente satisfeito com o trabalho de Marco Silva. Daí que o Futebol Clube do Porto terá de convencer o clube grego, à força do dinheiro, a abrir mão do seu treinador. Além disso, de acordo com a rescisão de Marco Silva com o Sporting, Marco Silva terá de pagar 1.000.000,00€ para poder treinar o Futebol Clube do Porto, valor que provavelmente também sairá dos cofres da SAD do Clube.

Confesso, é o meu favorito...


Depois de fazer regressar o Sporting às competições europeias, assinou pelo Monaco. Fonte

Outro nome avançado durante o período em que procurava pelo substituto de Julen Lopetegui. Vai registando presenças curtas nos clubes por onde passou. E sempre a subir. As duas temporadas no Beira-Mar despertaram a atenção do Braga, que apurou para o play-off da Liga dos Campeões. Manteve o domínio do Olympiakos, onde ficou apenas por seis meses, antes de ingressar no Sporting. Na única temporada ao comando do clube, devolveu-o à Liga dos Campeões. Na época seguinte, assinou pelo AS Monaco. Alcançou por duas vezes o terceiro lugar no Campeonato de França. 

A consistência, coesão e cepticismo reinam nas equipas de Leonardo Jardim. Mesmo resultadista, pede aos seus orientados para que tenham a iniciativa, estruturando equipas que pretendem ter a posse de bola, mas demonstram muita cautela no processo ofensivo. Tem o dom de rapidamente incutir as suas ideias de jogo nos jogadores que treina. O seu rápido sucesso pelos clubes que passou o comprovam. 

A imprensa francesa fez eco de rumores de que o Futebol Clube do Porto estará à espera da decisão do AS Monaco sobre a sua continuidade para tomar uma decisão. Existe obviamente dois senãos. Primeiro, o despedimento de Leonardo Jardim poderá custar ao AS Monaco 6.000.000,00€, um número que poderá desaparecer caso o interesse do Futebol Clube do Porto se confirme. Por outro lado, o seu regresso a Portugal obrigará ao pagamento de 12.500.000,00€, conforme o contrato estabelecido aquando da sua transferência para o Principado. Há quem diga que era o escolhido de Jorge Nuno Pinto da Costa para suceder a Julen Lopetegui, em Janeiro, no comando do Futebol Clube do Porto. Pela qualidade do trabalho, é uma opção credível. Pelos números envolvidos, não creio que seja considerado como opção.


Bicampeão pelo Futebol Clube do Porto. Actualmente treina o Fenerbahçe. Fonte
Um regresso de um homem que conhece os cantos de uma casa onde, em abono da verdade, não tinha razão para ter deixado. Vítor Pereira nunca foi amado pelos Portistas ou pelo Estádio do Dragão. No entanto, recordo-me de estar no Estádio do Dragão durante os festejos do "Bicampeonato" após a vitória frente ao Sporting, e os mesmos que o assobiavam e insultavam das bancadas foram aqueles que abraçaram e elogiaram Vítor Pereira na sua "volta olímpica". Na época seguinte, voltaram à cassete antiga. O Futebol é ingrato...

As experiências fora de Portugal não podem ser todas consideradas como um sucesso. Após a saída do Futebol Clube do Porto, assume o comando do Al-Ahli Saudi FC, clube da Arábida Saudita. Faz 3º no Campeonato e chega à final da King Cup. Fica apenas uma temporada, com destaque para célebres conferências de imprensa em inglês, juntando-se a outros exemplos de Portugueses cuja comunicação em terras Árabes foram diferentes do habitual. Em Janeiro de 2015 aceita o convite do Olympiakos, que tinha perdido a liderança do campeonato, e alcança a "dobradinha". Com a chega de Marco Silva, assume o comando do Fenerbahçe, que fez um investimento avultado no seu plantel. Não consegue fazer melhor que 2º, atrás do Besiktas. Neste momento, mantém-se como treinador do clube Turco.

Não tenho a certeza se Vítor Pereira quererá regressar a Portugal ou ao Futebol Clube do Porto. No entanto, teríamos a certeza que o Treinador do Futebol Clube do Porto seria um Portista, um homem da casa, conhecedor das suas manhas e entranhas. Exigiriam certamente mais responsabilidades e influência do que o período anterior em que esteve no Futebol Clube do Porto. Mas recorde-se que, de momento, não existe no plantel Hulk, James, Moutinho, Mangala, Otamendi, ou algo do género. 


José Peseiro a viver as incidências do jogo como qualquer outro adepto. Nervos. Muitos nervos.

Exactamente! Uma das alternativas a José Peseiro pode ser... José Peseiro. Primeiro, porque tem contrato, segundo porque Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente do Futebol Clube do Porto, insistiu várias vezes que está a preparar a época 2016/17 com José Peseiro. O actual Treinador do Futebol Clube do Porto dispensa as apresentações dos anteriores. Todos sabemos quem é, de onde vem, e o que fez. Assumiu uma equipa, a meu ver, destroçada, desmotivada, desunida e decadente. Recordem-se os números pelo Futebol Clube do Porto: 22 partidas, 13 vitórias, 8 derrotas, e apenas 1 empate, curiosamente na Final da Taça de Portugal. O desempate por grandes penalidades não nos sorriu. 38 golos marcados e 26 sofridos. Iniciativa constante de jogo. Miserável organização defensiva. Perseverança na procura da cambalhota do marcador exigida em praticamente todos os jogos, depois de sofrer antes de marcar. Algo raramente necessário com Lopetegui, mas praticamente nunca visto.

Só por uma casmurrice do tamanho do seu palmarés é que o Presidente do Futebol Clube do Porto Jorge Nuno Pinto da Costa irá segurar José Peseiro e dar-lhe o comando do Futebol Clube do Porto por mais uma temporada. Respeito a coragem que José Peseiro demonstrou em assumir um desafio claramente difícil e deixar um lugar mais cómodo e, quem sabe, mais lucrativo, no Al-Ahly. É tempo de admitir que não teve sucesso, não demonstrando capacidade de reconstruir, reestruturar e motivar o actual plantel, nem registar melhorias claras ao longo do ano. Os resultados falam por si. Mais não, por favor... 

No entanto, no meio do desentendimento dos galos da SAD pelo poleiro, quem sabe se Jorge Nuno Pinto da Costa não se decidirá pela manutenção do actual Treinador do Futebol Clube do Porto? Nervos... Muitos nervos...


Opções descartadas, por agora...

Nomes é o que não faltam para assumir o banco do Futebol Clube do Porto. Mas existem opções fortes e credíveis que estão desde já descartadas. A primeira, muito alimentada pela imprensa, foi Jorge Jesus, que rapidamente aproveitou a situação para ganhar ainda mais influência dentro do Sporting e renovar por mais uma temporada. André Villas Boas despede-se do Zenit e já afirmou que não aceita mais convites de clubes até 2017. Sérgio Conceição disse não em Janeiro e, por isso, nem deve chegar a ser considerado. Luís Castro, Campeão da Segunda Liga com a equipa B do Futebol Clube do Porto, poderá rumar a outras paragens, a fim de encontrar novos desafios na sua carreira profissional. Domingos Paciência parou de treinar e dedica-se ao comentário. Já Jorge Costa poderá voltar a Portugal, mas não ao Futebol Clube do Porto. 

Repito o que disse anteriormente: não faço a mínima ideia de quem será o Treinador do Futebol Clube do Porto. O jogo frente ao Oliveira do Douro já aconteceu e ainda não temos novidades, ao contrário daquilo que a capa do jornal OJOGO de ontem prometia. Claro que tudo amanhã pode mudar. O Caro Leitor pode já esta a ler esta publicação com a informação de que o Futebol Clube do Porto já prescindiu dos serviços de José Peseiro e já escolheu o seu sucessor. Hoje, o JN apenas põe José Peseiro fora do clube. O jornal OJOGO dá destaque a Marco Silva. A Bola está mais do lado de Leonardo Jardim. Já o Record, não quer ser específico...  Mas, a esta hora, é isto. É José Peseiro. E é preocupante...


Nota: espero, pelo menos, que o Treinador escolhido tenha a mesma interpretação que eu desta magnífica demonstração de talento futebolístico de Moussa Marega, que ocorreu durante o amigável de ontem, frente ao CF Oliveira do Douro, na inauguração do seu novo estádio. Futebol, em estado puro.



Céptico. Preocupado. Portista.


Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.

Um abraço.

5 comentários:

  1. Acho que falta aqui a analise ao trabalho de cada treinador tendo em conta o contexto do campeonato portugues. E por contexto eu quero dizer um campeonato em que para se ser campeao tem de se ganhar pelo menos 80% dos jogos.
    Ora portanto treinadores que brilham pelo equilibrio como Jardim e Marco Silva nao tem um modelo de jogo que sirva para isso. De certeza que teriam poucas derrotas, mas a jogar contra equipas que so defendem seria de esperar muitos empates.
    Esta e uma das razoes que JJ se da tao bem em portugal.
    Portanto prefiro um treinador que ponha o ataque acima de tudo (mas ao mesmo tempo consiga treinar uma defesa para ser competente). Para tal, VP e Paulo Sousa sao os unicos nomes citados que cumprem. Para vir outro treinador, mais vale ficar com Peseiro que nao custa mais dinheiro, ja conhece muito dos jogadores e tem bom historial de lancar jovens. Peseiro com uma pre-epoca para treinar as suas ideias e com defesas que nao sejam de nivel dos distritais pode fazer muito.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Pancas, obrigado pelo comentário.

      Saúdo-o pela iniciativa de participar no debate.

      Compreendo a sua análise. No entanto, dos quatro que decidi destacar, continuo a ter a opinião de que Marco Silva seria a escolha ideal. É verdade que, por exemplo, Marco Silva teve resultados inferiores a JJ no campeonato. Mas JJ também teve direito a mais e melhores opções... Aliás, sempre que JJ ganhou, teve sempre bons planteis à disposição. Creio que teria dificuldades em ser campeão com o que Rui Vitória teve para trabalhar, com franqueza.

      De toda a maneira, ficaria satisfeito com qualquer um dos quatro destacados, se, e só se, existir uma concordância dentro da SAD e todos se focarem num objectivo comum: fazer o Futebol Clube do Porto regressar às vitórias, deixando de lado os interesses financeiros. Deles e dos amigos e familiares.

      Mais José Peseiro não, por favor. Com todas as atenuantes e condicionantes que enfrentou. Mas mais de José Peseiro, não.

      Um abraço.

      Eliminar
  2. Os resultados que cada treinador consegue importam-me muito pouco. Apenas baseio a minha analise na organizacao da equipa durante as diferentes fases do jogo. Depois, os jogadores e que rematam e marcam (ou nao) e nisso o treinador nao tem grande influencia.
    Agora lembro-me do Sporting de Marco Silva, em que fosse contra que equipa fosse, o Rui Patricio levava com adversarios isolados pelo menos 3/4 vezes por jogo (contra o Chelsea foram prai 10 vezes) e isso tem muito a ver com controlo de profundidade (ou falta dele). JJ, ja nas equipas mais fracas que treinou mostrava uma organizacao brilhante - nos grandes duelos JJ vs VP foi sempre mais por questoes individuais que uma ou outra equipa ganharam - eram jogos em que a qualidade da organizacao (zonas de pressao, movimentacao da defesa, reaccao a perda, cobertura de espacos) merecia a final da champions.
    Para demonstrar a minha visao de treino digo-lhe isto - o Mourinho de Porto e primeiro ano de Chelsea seria hoje o segundo melhor treinador do mundo (Guardiola no topo); mas o Mourinho de hoje nem no Top 10, e definitivamente abaixo de VP, JJ e Paulo Sousa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro pancas,

      É sem dúvida um comentário enriquecedor o que traz para este espaço. Convido-o a ponderar também uma outra possibilidade para assumir o comando do Futebol Clube do Porto destacado na publicação deste domingo.

      Um abraço.

      Eliminar
  3. Pelos vistos ja ha noticias de q NES vai mesmo ser o nosso treinador. So tenho a dizer que vamos entrar numa seca de titulos ainda mais grave. Mas nao ha duvida que o Jorge Mendes e elementos da direccao vao fazer muito dinheiro.

    ResponderEliminar