sexta-feira, 20 de maio de 2016

Rescaldo da "pré-época"

Jorge Nuno Pinto da Costa decretou pré-época e exigiu respeito após a derrota frente ao Tondela.

Após a derrota em casa frente ao Tondela, o Presidente do Futebol Clube do Porto Jorge Nuno Pinto da Costa deu uma entrevista ao Porto Canal onde, entre outras afirmações, declarou que tínhamos “batido no fundo”, que a “radiografia” estava feita, e que os jogadores do Futebol Clube do Porto tinham 6 jogos de pré-época para demonstrar o carácter que lhes permitia continuar no Futebol Clube do Porto na próxima temporada, permitindo, durante um conjunto de jogos, uma preparação mais cuidada do único objectivo da temporada ainda possível de alcançar. Certo é que a final da Taça de Portugal poderá influenciar mais directamente a manutenção de José Peseiro do que a de qualquer jogador em particular.

Com efeito, o Blog Porta 26 criou um “medidor de carácter”, onde se analisa a prestação de cada jogador e se destaca quem, apenas considerando os seis jogos de “pré-época”, demonstrou aí carácter suficiente para continuar no Futebol Clube do Porto. É possível consultá-lo aqui.

No entanto, com a final da Taça de Portugal à porta, é necessário fazer uma análise das opções do Treinador do Futebol Clube do Porto José Peseiro, da prestação de cada jogador utilizado e dos resultados obtidos ao longo de seis jornadas.

José Peseiro teve uma rara disponibilidade para preparar um único jogo que poderá "salvar" uma época.
Fonte

Começando por José Peseiro, optou sempre pelo 4-2-3-1 em todas as partidas, não treinando em nenhum momento, qualquer outro sistema táctico. É verdade que recuou Danilo Pereira para central em mais do que uma ocasião e chegou a colocar André Silva numa faixa. No entanto, a estrutura foi sempre a mesma, não dando lugar ao treino em competição de uma disposição táctica alternativa. Em seis partidas de “pré-época” o Futebol Clube do Porto registou 4 vitórias (em casa frente a Nacional e Boavista, por 4-0, e fora frente a Académica (1-2) e Rio Ave (1-3)). e 2 derrotas (fora frente ao Paços de Ferreira (1-0) e em casa frente ao Sporting (1-3)). A forma foi D-V-V-D-V-V. O Futebol Clube do Porto marcou 14 golos e sofreu 6.

José Peseiro deu minutos a 2 guarda-redes e 20 jogadores de campo e fez estrear Francisco Ramos no campeonato.

Na baliza, Casillas teve 360 minutos de utilização, sofrendo 4 golos. Já Hélton jogou durante 180 minutos, e registou 2 golos. José Peseiro instaurou um sistema de rotatividade, dando a oportunidade a Helton para se preparar para a final da Taça de Portugal.

Abro um parênteses para Casillas. Há quem diga que o espanhol é o pior guarda-redes do Futebol Clube do Porto dos últimos quinze anos. E, olhando para os números, é totalmente verdade. Neste milénio, nenhum outro guarda-redes sofreu tantos golos numa só temporada como o espanhol. 39 golos sofridos em 40 jogos, com a pior média de golos sofridos. O mais próximo deste insucesso é Vítor Baía na temporada de 01/02, com 22 golos sofridos em 22 partidas. Números assustadores para uma equipa como o Futebol Clube do Porto, que comprovam a fraca capacidade defensiva da equipa como também a uma má prestação de Casillas durante 2015/16.

"Frangos" dão todos. Mas este foi caro...

Dos 20 jogadores de campo utilizados, estes foram os 5 mais utilizados:
- Maxi Pereira (540 minutos, 6 jogos)
- Herrera (450 minutos, 5 jogos)
- Varela (440 minutos, 6 jogos)
- Danilo Pereira (409 minutos, 6 jogos)
- Sérgio Oliveira (388 minutos, 5 jogos)

E estes foram os 5 menos utilizados:
- Marega (4 minutos, 1 jogo)
- Francisco Ramos (12 minutos, 2 jogos)
- Evandro (38 minutos, 2 jogos)
- Suk (90 minutos, 1 jogo)
- Aboubakar (108 minutos, 3 jogos)

Olhando apenas para a utilização, verificamos que apenas Maxi Pereira foi totalista durante este período. Natural, dado que o plantel nem tem um suplente directo esta posição. Curiosamente foi Silvestre Varela o outro jogador a ser utilizado em todas as partidas por José Peseiro. Se é verdade que a gestão do esforço de Corona, mas principalmente de Brahimi, foi uma prioridade, sou da opinião que as exibições de Silvestre Varela não convenceram na maioria dos jogos.

Com a ausência de André André, Sérgio Oliveira surgiu em bom plano no onze, chegando em boa forma ao fim da temporada, embora André André tenha somado cada vez mais minutos com o avançar dos jogos.


A meia-distância de Sérgio Oliveira já tinha dado três pontos em Setúbal. Voltou a funcionar em Vila do Conde.

Na frente de ataque, André Silva foi o preferido em quatro das partidas, embora José Peseiro tenha confiado em Aboubakar para titular apenas por uma vez, e logo frente ao Sporting. Suk somou apenas um jogo completo frente ao Paços de Ferreira, e nunca mais foi opção.

O centro da defesa viu várias caras. Bruno Martins Indi vinha sendo a primeira escolha até ao desastre que foi a sua exibição frente ao Sporting. O regressado Marcano foi influente nas últimas duas partidas, fazendo par com Chidozie. O nigeriano somou 341 minutos e ganha cada vez mais protagonismo.


Capa do jornal OJOGO de 19 de Maio de 2016. É possível vermos Chidozie e Marcano no Jamor.

José Ángel assumiu a posição quando Layún se lesionou. Cumpriu, dando indicações que está preparado para lutar por um lugar no plantel da próxima temporada. Mal o mexicano ficou novamente disponível, voltou a assumir o lugar.


Influente como sempre. A cláusula de compra de 6.000.000,00€. Preço especial só até 31 de Maio.

Olhando para estes números, e fazendo uma análise global deste período em particular, denotamos que José Peseiro foi rodando boa parte dos elementos do plantel, mas sendo selectivo nas oportunidades. Se José Peseiro reitera que as contratações de Inverno Suk e Marega (sim, contratações, mas não verdadeiros reforços) devem ter um nível de exigência inferior, também é verdade que lhe deu poucas oportunidades para se mostrarem. Não vimos Bueno, por estar lesionado, e Evandro foi reintroduzido na competição com cautela. Por outro lado, houve quem usufruísse de muitas oportunidades, e as desperdiçasse, como Silvestre Varela, e outros que as agarraram com a toda a força, como Sérgio Oliveira e André Silva.


Quanto aos famosos “processos”, estes foram pouco assimilados, ou então é simplesmente isto que vemos à frente. O Futebol Clube do Porto continua a saber atacar bem melhor do que defender. É uma equipa que demonstra maior vontade num processo ofensivo mais rápido e assertivo, mas peca na organização defensiva, aliada à qualidade diminuta dos elementos que a constituem. O “processo” de evolução do Futebol Clube do Porto com José Peseiro mostra-se curto e ineficiente.


Em jeito de conclusão, resta perceber que a influência destas seis partidas no resultado do campeonato seria sempre diminuta. Mas esperemos que José Peseiro tenha retirado conclusões suficientes para podermos regressar às conquistas e vencer a Taça de Portugal. Do ponto de vista individual, foi possível compreender quem estará, quem poderá estar, e quem definitivamente não estará na próxima temporada. Mas falta uma partida para o fim de 2015/16. Haverá tempo para discutir cada caso.


Céptico. Preocupado. Portista.

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Um abraço.

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