quarta-feira, 11 de maio de 2016

O futuro constrói-se a partir de casa: o Futebol do Futebol Clube do Porto no fim-de-semana de 8 de Maio de 2016

Vitória moralizante em Vila do Conde, e a confirmação do título para a equipa B

Mesmo limitado na disponibilidade, não queria deixar passar em claro o fim-de-semana positivo das equipas de Futebol Profissional do Futebol Clube do Porto. Infelizmente não consegui estar presente em Vila do Conde ou em Pedroso. Felizmente, nos tempos de hoje, temos a possibilidade de recuperar os momentos do fim-de-semana e fazer uma análise, ainda que breve.


Primeiro, numa tarde de sábado pouco primaveril, a equipa A do Futebol Clube do Porto deslocou-se a Vila do Conde para vencer o Rio Ave e conquistar mais três pontos no campeonato durante a sua caminhada de preparação para a final da Taça de Portugal, no Jamor. Mesmo jogando fora, o Futebol Clube do Porto foi sempre a equipa mais autoritária dentro de campo, e assumiu a partida desde o seu início. Helton voltou à baliza, e praticamente nada precisou de fazer. Não tem qualquer hipótese de parar o remate certeiro de Hélder Postiga. Até Postiga marca ao Futebol Clube do Porto... Incrível!

Mas o Futebol Clube do Porto de José Peseiro mantém a postura e foi à procura de melhor resultado. E, uma vez mais, conseguiu virar o marcador. Destaque merecido para nova resposta positiva, que nunca precisava de acontecer se conseguíssemos fechar melhor os caminhos para a nossa baliza. Mesmo assim, o golo sofrido não mancha a exibição positiva do regressado Marcano, que fez par com Chidozie no centro da defesa. José Peseiro preferiu deixar Danilo Pereira no banco de suplentes e prossegue com a afirmação constante e assertiva de Sérgio Oliveira, que fez parte de um meio-campo totalmente vindo da formação. O Português que não era opção para Lopetegui foi a principal figura da partida, sendo o maestro da manobra ofensiva do Futebol Clube do Porto, rubricando um golo e procurando sempre aumentar a contagem. O adversário possibilitou que o trio composto por André André, Rúben Neves e Sérgio Oliveira tivesse a possibilidade de se concentrar muito mais na transição ofensiva do que nas compensações para defender. Esteve nessa zona do campo a maior influência e a chave natural para o controlo da partida. André Silva foi novamente titular na frente de ataque. Voltou a não ter uma oportunidade clara frente à baliza de Cássio, destacando-se pelo constante trabalho entre os centrais. José Peseiro foi dando-lhe indicações ao longo da partida, mas a veia goleadora que demonstrou na equipa B não subiu à equipa principal com ele… ainda. O caminho para o Jamor continua. Creio que, frente ao Boavista, teremos uma ideia final do onze que José Peseiro quer ver no Jamor, com apenas a já anunciada alteração de Casillas.

Vento a favor, guarda-redes tapado, prática anterior: condições ideias que Sérgio Oliveira não desperdiça!

Por falar em equipa B, que orgulho! Um projecto com 3 anos e máxima ambição demonstrada pelos jogadores em campo, que sempre contrariaram a curta premissa de que a equipa B é tão só e apenas um local de formação. Pessoalmente, não posso concordar em absoluto. Não é que a premissa seja errada, é apenas curta. Ninguém poderia exigir aquilo que Luís Castro e os seus pupilos, que foram muitos e sempre em constante renovação, conseguiram neste espaço de tempo: lutaram pela Segunda Liga, pela International Championship Cup, até alcançarem a glória esta temporada. O nível de exigência está elevado e isso só pode ser interpretado como positivo, pelo acrescido teste a que estes jovens terão de responder. O jogo frente ao Benfica B foi apenas nova resposta de um grupo unido, ambicioso, de qualidade e fiel aos princípios de um timoneiro que sabem que confiam nele, que não se queixa do que tem ou do que lhe falta, e que faz por praticar um jogo positivo, de posse e com intenção de golo. Há coragem e ambição no balneário da equipa B. E isso sentiu-se em campo. O Benfica B foi tão só e apenas mais uma "vítima". 

Golos!! Muitos golos!! Só em casa foram 52! 

No entanto, analisando, um a um, quem participou neste feito histórico no Futebol Português, apenas repetido a nível mundial uma vez pelo Real Madrid, será complicado ver grande parte destes jovens na equipa A do próximo ano. Certo é que há jogadores que estão apenas emprestados e em teste na equipa B do Futebol Clube do Porto. Mesmo assim, há que destacar que André Silva e Francisco Ramos subiram ao plantel principal durante esta temporada. Rafa, que foi emprestado à Académica, parece ter lugar assegurado na pré-época que começa a 28 de Junho. Há quem diga que o mesmo irá acontecer cm Omar Gouveia. Mas José Sá ou Gudiño estarão tapados por Casillas e Helton, logo terão de buscar alternativas para jogar. E ficamo-nos por aqui... Jogadores decisivos na brilhante temporada como os Portugueses João Graça, Tomás Podstawski, Pité e Diego Verdasca, bem como a frente de ataque estrangeira composta por Gleison, Ismael Díaz e Leonardo terão de esperar na equipa B por nova oportunidade ou simplesmente procurar outro clube para jogar. Um dilema que o Treinador do Futebol Clube do Porto da próxima temporada terá de lidar, e que não será brando nas dispensas…

Deixo aqui o meu desejo (que deve ser interpretado apenas e só como um desejo): gostava de ver Chidozie ou Diego Verdasca na A, como quarto central. Gostava de ver José Sá assumir a baliza da equipa A do Futebol Clube do Porto, com Gudiño também no plantel. Gostava de ver Gleison, Rafa e André Silva no plantel da próxima temporada.

A pré-época 2016/17 terá ver vários regressos, novidades e apostas de jovens que conhecem os cantos da casa. O aperto do fair-play financeiro também poderá contribuir para limitar mais um impulso de compras durante o verão que se avizinha. A margem de erro para este tipo de decisões é curta, e o adepto continua, por força do calendário, pouco informado do que se passa. A essa dúvida acrescenta-se um constante desejo: o de ver um jogador "criado" pelas camadas jovens afirmar-se na equipa principal. Ou seja, resultados práticos do projecto Visão 611. Rúben Neves recomeçou esse ciclo. Sérgio Oliveira e André André voltaram à casa-mãe. André Silva dá os primeiros passos. Mas o Portista é exigente e quer um João Pinto, um Vítor Baía, um Rui Barros, um Jaime Magalhães... O Portista pede "pouco", pede...


Céptico. Preocupado. Portista.

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Um abraço.

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