domingo, 15 de maio de 2016

“Foram almoçados do Dragão” – Crónica: Futebol Clube do Porto 4x0 Boavista FC (Liga NOS)

Ficha de jogo completa em fcporto.pt

Há quem diga que, de manhã, é tudo mais complicado. Uma pessoa ainda está muito sonolenta. O Futebol Clube do Porto parece concordar com esse perfil. Chidozie fez par com Marcano à frente de Casillas. O meio-campo mais utilizado voltou a ser alinhado para o jogo frente ao Boavista, com Varela e Corona no apoio a André Silva. Foi o Futebol Clube do Porto que naturalmente assumiu as responsabilidades da partida, e chegou ao primeiro golo mais cedo que o habitual. Danilo Pereira aproveitou vários ressaltos dentro da área e, com um pontapé certeiro, não deu hipótese a Mika (o guarda-redes do Boavista). O 1-0 revelava a diferença de qualidade dentro de campo, mas a superioridade do Futebol Clube do Porto ainda não era totalmente visível. A partida foi-se dividindo, mais pela passividade do Futebol Clube do Porto do que por agressividade excessiva do Boavista. Nesse aspecto, os homens de Erwin Sanchez foram leais. O ambiente criado pelas claques era mais enérgico do que o jogo em si. O Futebol Clube do Porto criava perigo apenas de bola parada. Chidozie responde bem a um canto de Layún, mas não dá a melhor direcção ao cabeceamento. Maxi tentava penetrar na grande área, mas a defesa contrária estava atenta. Os remates de André Silva eram frouxos. O fim do primeiro tempo chega com um bocejo gigante e um Boavista por cima da partida, mas com o marcador a justificar-se pelo que se passava nas quatro linhas, pese embora o adversário tivesse rematado mais.

 Danilo Pereira: o mais assertivo, vigilante, activo e acertado do primeiro tempo.

Para a segunda parte, José Peseiro deixa um enérgico e disciplinado Danilo e um Corona dorminhoco no banco, e faz entrar Rúben Neves e Brahimi. Com o passar da hora, a intensidade do jogo aumentou um pouco, e foi André Silva que assustou primeiro a baliza de Mika (o guarda-redes do Boavista). Pouco depois, foi magistral a assistir Layún, para o 2-0. Remate colocado do mexicano a dilatar a vantagem e a animar as bancadas do Estádio do Dragão. O Futebol Clube do Porto respirava outra tranquilidade. E veio para frente à procura de mais. Brahimi tentou o chapéu, mas o tamanho saiu-lhe grande. André Silva também tentava, mas sem conseguir alvejar a baliza. Como 20 minutos para o final, José Peseiro fez descansar André André e fez entrar para o seu lugar Evandro. André Silva e Brahimi acreditavam que o dia lhes ia sorrir, mas Mika (guarda-redes do Boavista) ia parando as tentativas dos jogadores do Futebol Clube do Porto. Até que Rúben Ribeiro faz falta sobre Maxi dentro da área. Carlos Xistra, perto do lance, não tem dúvidas e aponta para a marca de grande penalidade. Brahimi agarra a bola e não quer ouvir ninguém. O público assobia e puxa pelo miúdo. O argelino cobra o penalty de forma inquestionável. 3-0 para o Futebol Clube do Porto. Rúben Neves tenta 0 4º de muito longe. A bola não passa longe do ângulo que procurava. Mas o dia também ia sorrir ao miúdo. Brahimi deixa André Silva na cara de Mika (guarda-redes do Boavista), tira-o do caminho e mesmo em desiquilibrio, não falha o 4-0. Expulsão de alegria nas bancadas e um reconhecimento colectivo da equipa pelo seu trabalho. Foi com este momento que fechamos a temporada no Estádio do Dragão. Um grande, histórico momento. E o Boavista foi já almoçado para casa.


O momento que marcará para sempre a carreira de André Silva.


(+)

André Silva: para mim, o melhor em campo. Bela partida do avançado Português. Estreia a marcar, depois de um trabalho primoroso, e ainda assistiu Layún. Aliou o belo trabalho de campo ao golo, finalmente, pese embora as muitas tentativas ao longo desta partida. Confesso um momento de loucura quando finalmente se estreou a marcar pela equipa principal.

Layún: Grande partida do mexicano. Fez o flanco esquerdo todo, na falta total de Varela ou de um concentrado Corona e perante um deambulante Brahimi. A verticalidade e o pulmão do mexicano foram cruciais, com destaque para o golo de “primeira” que facturou e que emprestou uma maior tranquilidade à equipa.


(-)

Corona: Esta situação do jogo de manhã tem sempre as suas consequências nos jogadores. Umas positivas, outras negativas. Corona não se mostrou nada adaptado às condições. Nem ele, nem o seu cabelo, cujo penteado parecia ser sempre mais importante que o próprio jogo.

Varela: durante o jogo recebi esta mensagem: "não dá para jogar sem o varela?". Foi um jogo muito pobre do Português. É difícil compreender como é que uma equipa como o Futebol Clube do Porto mantém durante 90 minutos em campo um jogador com este nível exibicional. Mas atenção, ninguém aqui está a pedir o regresso de Marega!


Globalmente, eu achei o jogo…… chato! E garanto que fui cedo para a cama no dia anterior, ao contrário de muitos que foram ao Estádio do Dragão. O mesmo aconteceu com um ou outro elemento dentro de campo. Será que os asiáticos gostaram disto? Eu confesso que não... De toda a maneira, é necessário contextualizar o jogo: último da temporada, de manhã. Mas também há que reforça a importância do próprio jogo, pelo derby, e das consequências que pode trazer para o futuro, como preparação para o "jogo da temporada". Como exibição colectiva, não é possível ser destacada pela sua qualidade. No entanto, aplaudo o resultado, que, perante o rival, me deixa especialmente satisfeito. Aliviado por este campeonato também ter terminado. Três treinadores, derrotas em casa frente a equipas de muito menos qualidade. Saboreio esta última goleada e o golo de André André na quinta jornada.



Teremos tempo para falar da final da Taça. Mas aviso já: não quero ver nada como isto. O resultado é largo, mas exagerado para a qualidade de jogo demonstrada pelo Futebol Clube do Porto. De toda a maneira, o plano, o adversário, o terreno, tudo será diferente na próxima semana. Mesmo assim, continuo muito defensivo para o jogo do Jamor.


Céptico. Preocupado. Portista.

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Um abraço.

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