domingo, 1 de maio de 2016

“Eu quero o sporting campeão” – Crónica: Futebol Clube do Porto 1x3 Sporting CP (Liga NOS)

Ficha de jogo completa em fcporto.pt

Se acha que o título desta crónica reflecte a minha postura, engana-se profundamente. O título da publicação foi apenas o cântico mais ouvido num Estádio do Dragão repleto de Portistas. Sim, porque 2.500 visitantes abafaram quase 40.000 Portistas, uma vez mais. Dentro de campo, não foi muito diferente.


Foi o Sporting quem teve a primeira bola de perigo. É João Mário que escapa ao fora-de-jogo e só não marca porque não quer. O Futebol Clube do Porto responde com uma bola no poste. Herrera responde em esforço ao cruzamento de José Ángel, mas não tem sorte na finalização. Verifica-se um visitante muito pressionante no Estádio do Dragão, com um Futebol Clube do Porto a ter de crescer com o desenrolar da primeira parte. Chidozie entrou para fazer dupla com Martins Indi, com Danilo Pereira à frente da defesa. Aboubakar foi apoiado por Brahimi e Corona. Um endiabrado Aboubakar aparece na cara do golo já depois do quarto de hora, mas a pressão de Rui Patricio mostra-se suficiente para o camaronês falhar a finalização. Pouco depois surge o primeiro golo da partida. João Mário aproveita-se da sua própria sorte e faz o que quer de José Ángel, e serve um isolado Slimani que só tem de encostar. O Futebol Clube do Porto não desarmou e foi à procura do empate, embora Slimani pudesse ter repetido o golo anterior e fazer o 0-2. Corona é o mais solto, mas é com Brahimi que surge o empate. O argelino aproveita uma segunda bola e faz passar a bola por Coates, que o carrega em falta dentro da área. Herrera não vacila na conversão da grande penalidade e iguala a partida. O mexicano tem oportunidade para virar a partida dois minutos depois quando aparece isolado frente a Rui Patrício. Faltou serenidade no momento da finalização. O Futebol Clube do Porto cresce com o passar dos minutos, mas é o Sporting que vai para o descanso a vencer. Bryan Ruiz faz o que quer de Maxi Pereira e cruza para a grande área. Martins Indi perde a noção de onde está Slimani, mas o argelino não perde a veia de goleador e cabeceia para o 1-2.

Vantagem visitante ao intervalo injusta, a meu ver, permeando a eficácia e não a qualidade de jogo. Um resultado ao contrário espelhava de uma forma mais fidedigna o que se passara dentro de campo.

Herrera converte de forma tranquila a grande penalidade. 

Na segunda parte é o Sporting que assusta primeiro por Slimani, mas é o Futebol Clube do Porto que começa por assumir a partida. Primeiro, com uma incursão de Corona que Zeegelaar para apenas com falta dentro da área. Artur Soares Dias deixa seguir a bola para Maxi que remata para Rui Patrício desviar para canto. Sérgio Oliveira tem nos pés a melhor oportunidade do Futebol Clube do Porto na segunda parte. Execução quase perfeita de um livre directo, que só não dá golo porque a barra assim não o quis. José Peseiro decide, à hora de jogo, trocar Sérgio Oliveira por André André num momento de viragem do jogo. O Futebol Clube do Porto perdia o controlo do centro de jogo e deixa o Sporting subir no terreno. Mas Aboubakar ainda teve nos pés o 2-1. Coates decide evitar a finalização empurrando o camaronês dentro da área. Artur Soares Dias volta a deixar passar. Corona, já limitado, sai para a entrada de Varela. Já Slimani continua a ter total liberdade dentro da área. Mais um cabeceamento apenas com a oposição de Casillas. Que grande defesa do espanhol! Na resposta, Chidozie vai à frente responder a um canto, mas cabeceia por cima. Herrera tenta fazer melhor que Sérgio Oliveira, mas Rui Patrícia está atento e defende o livre do mexicano. O Futebol Clube do Porto, mesmo mais encolhido na partida, cria mais perigo. Mas é o Sporting que marca. João Mário assiste Bruno César, que remata para a defesa de Casillas. Ansioso para saber para onde foi a bola, é o próprio Casillas que inverte o seu sentido e a empurra para dentro. Num pano até agora “limpo” caiu a maior das nódoas. A debandada do Estádio do Dragão começa. O silêncio apodera-se dos Portistas. O jogo não acaba sem José Ángel tentar testar a atenção de Rui Patrício, que responde de forma positiva. Artur Soares Dias termina a partida três minutos depois da hora.

Até os postes estiveram contra nós nesta partida. 



(+)

Pinto da Costa: nota “positiva” para o Presidente do Futebol Clube do Porto, que FINALMENTE, depois de ter deixado primeiro Vítor Pereira, a seguir Paulo Fonseca, depois Lopetegui, e ainda mais José Peseiro, SOZINHOS a queixarem-se do roubo do apito, decidiu vir à zona mista queixar-se do trabalho de Artur Soares Dias. FINALMENTE!!! Nem falo do jogo da Taça da Liga em Braga, dado que o lugar de um Presidente de um clube não é a “flash interview”. Mas na zona mista fala quem quer. E finalmente Jorge Nuno Pinto da Costa apareceu para reclamar. Depois de Lopetegui muito se queixar, quando este assumiu a liderança isolada do campeonato, veio vangloriar-se para a zona mista. Já para reclamar do apito demorou mais tempo. Há quem diga que mais vale tarde que nunca. Eu digo que é tarde demais, Presidente. Quando à Taça de Portugal, não se preocupe. Só quem apita penalties contra o Benfica e desce de divisão é que vai ao Jamor apitar. Artur Soares Dias não faz parte desse lote especialmente restrito. Mesmo assim, um Presidente falar durante a pré-época não deixa de ser estranho.


(-)

Defesa, no seu global: Todos conhecíamos a principal lacuna do Futebol Clube do Porto de José Peseiro. Primeiro, pela falta de qualidade das opções. Segundo, pela falta de qualidade do treinador. É um facto que José Peseiro não tem grandes alternativas para o sector defensivo. É regra também que as equipas de José Peseiro, por norma, defendem mal. E este Futebol Clube do Porto não foge a essa regra. Slimani fez o que quis e apareceu sempre sozinho. Os laterais não conseguiram evitar os cruzamentos nem os centrais as finalizações. Os números acompanham os que os meus olhos viram. Deixo a seguir uma análise do GoalPoint.


No fim, o resultado acaba por se ajustar ao que se passou em campo. Defendemos mal. Muito mal. E por isso pagámos caro. José Peseiro fez adiantar Danilo Pereira para tentar segurar o centro do campo, mas retirou qualidade ao quarteto defensivo, que se demonstrou em vários momentos do jogo mal organizado e mal povoado. Faltou eficácia, faltou consistência defensiva, faltou pulmão na ponta final. Fomos incompetentes. Fomos medíocres. Fomos tudo... menos PORTO! Com um adversário de menor qualidade, parte dos nossos problemas poderiam passar despercebidos ao adepto regular. Este jogo e este adversário apenas os vieram sobressair ainda mais. Mas há quem diga que estamos em pré-época... O problema é que, entretanto, o adepto paga as suas quotas, acompanha a equipa e sofre com tudo isto, sem fim aparente à vista.

Confesso que parte de mim faleceu com o 1-3. Confesso que um silêncio e um sentimento de vergonha e humilhação conquistou um espírito esperançado por um ambiente de pura rivalidade. Confesso que uma vez mais os adeptos visitantes deram-nos nova lição e dominaram o Estádio do Dragão fora das quatro linhas. Confesso que ainda me faltam as palavras.

Irei repetir-me tão só e apenas porque a realidade continua a ser a mesma. Como ter esperança para o futuro se as pessoas como o poder e a capacidade de tomar decisões são exactamente as mesmas que, de forma constante e consecutiva, erraram nas escolhas de jogadores e treinadores? José Peseiro colabora na preparação da próxima temporada e diz que jogámos bem. Com franqueza, não me peçam para apoiar as pessoas que insistem no erro…


Céptico. Preocupado. Portista.

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Um abraço.


P.S.: A equipa B do Futebol Clube do Porto joga às 16h na capital, e pode sair do jogo frente ao Sporting CP B como vencedora da Segunda Liga. Seria um enorme feito para estes jovens guerreiros, que merecem pisar o relvado do Estádio do Dragão na próxima jornada, frente ao Benfica B. Força rapazes!!! 

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