quinta-feira, 14 de abril de 2016

Perspectivas para o 14º mandato

Começo esta publicação com a citação de uma frase presente no site do Público, e copiada pelo JN, pela RTP e tantos outros, aquando da eleição de Jorge Nuno Pinto da Costa para o seu 13º mandato consecutivo à frente do Futebol Clube do Porto.

"A reeleição de Pinto da Costa surge envolvida num ambiente de euforia "azul e branca", depois das comemorações dos títulos nacionais de futebol (tricampeão), andebol (penta) e hóquei em patins, conquistados no passado fim de semana".

2013. Momento de descontracção e felicidade de Jorge Nuno Pinto da Costa. Imagem original

No fim de um mandato de uma direcção que se recandidata às mesmas funções, mesmo sem oposição, é sempre exigível que apresente um plano, uma estratégia, um conjunto de acções programas que, espera-se, leve a instituição que querem representar ao máximo sucesso. É isso mesmo que se exige ao Futebol Clube do Porto. Máximo sucesso.

Ora máximo sucesso foi exactamente o contrário do que se passou no Futebol Clube do Porto. A ser negados no Andebol, ultrapassados no Hóquei, a crescer no Basquetebol, a regressar no Ciclismo, e desastrados no Futebol. É um 13º mandato que traz muito pouco para o Museu do Futebol Clube do Porto, em comparação com mandatos anteriores. É isso a que estamos habituados. Ganhar em tudo. Tudo. E se, em competição, nem sempre é possível ganhar, é necessário compreender que é essa a exigência da instituição. É essa a altura da fasquia.

Para conseguir chegar a essa fasquia, Jorge Nuno Pinto da Costa apresenta... nada. Uma mão cheia de nada. E justifico a minha visão em relação a esta matéria com a entrevista dada ao Porto Canal a 7 de abril. Jorge Nuno Pinto da Costa afirma que não quer que os sócios votem nele pelo seu histórico, pelo que já ganhou, até porque relembra que não se recandidata para ganhar o que já ganhou. Candidata-se para recolocar o Futebol Clube do Porto no caminho das vitórias. No caminho que ele desenhou primeiro a "quatro mãos" com José Maria Pedroto, que continuou após o seu falecimento e que saiu do rumo com este último mandato.

Como promessa eleitoral, Jorge Nuno Pinto da Costa aponta para a criação de um "grande centro de formação", para que os jovens sejam acompanhados, tanto na parte desportiva, como na formação académica, promovendo o seu valor e dando a oportunidade de se mostrar mais cedo e melhores condições que as actuais "regulares". Na entrevista, o Presidente do Futebol Clube do Porto estima que serão necessários entre 2 anos e 2 anos e meio para concluir esse projecto, não revelando mais detalhes de momento. Por exemplo, se apenas se aplica ao futebol, se outras modalidades irão entrar para o projecto, o local, e o que acontecerá aos outros locais onde o Futebol Clube do Porto tem actualmente a formação.

Havia tempos em que candidatos a Presidente de outros clubes anunciavam como promessa eleitoral treinadores ou jogadores. Talvez por concorrer sozinho, ou simplesmente para não fugir à palavra dada durante a campanha, Jorge Nuno Pinto da Costa não o faz. Mas também não traça uma estratégia concreta. Não define, em concreto, prioridades para o novo mandato em termos desportivos. 

Traçar, sem rodeios ou cautelas, como objectivo principal o campeonato. Declarar, durante os próximos 4 anos, um novo esforço na conquista de uma competição europeia. Focar os esforços da SAD em segurar 3 ou 4 jogadores específicos do plantel que considera fundamentais para o futuro desportivo do Futebol Clube do Porto. Dar indicações para que os jogos da Taça da Liga sejam montra para alguns elementos da equipa B. Tudo isto são putativos exemplos que estariam escritos num programa eleitoral. Mas nada disso. Aponta ao regresso de três jogadores emprestados e promete que só ficará quem tem carácter e que, ao entrar, não pergunte onde é a porta de saída. Isso não chega. Falta uma maior definição. Uma maior objectividade. 

Objectivos subentendidos? Há muitos... Mas cada um tem os seus. Jorge Nuno Pinto da Costa prefere não os revelar, especulando apenas sobre a sanidade mental de adeptos que não querem que o seu clube seja campeão nacional.


Uma espécie de Declaração de Voto

Revelo fracas expectativas para o 14º mandato consecutivo de Jorge Nuno Pinto da Costa. Acima de tudo porque as alterações são praticamente nulas e apenas obrigatórias pelos novos estatutos aprovados. A tomada de decisão estará, até ver, nas mãos dos mesmos que falharam durante os últimos três anos. O prometido não chega. A reputação também não. Nesse sentido, em consciência, não posso votar na lista encabeçada por Jorge Nuno Pinto da Costa para a direcção do Futebol Clube do Porto. O Regulamento Eleitoral aprovada para as eleições de 17 de Abril é omisso em relação à questão dos votos brancos ou nulos. Ou mesmo à definição do que o que é um voto válido. Mesmo confiando nos Presidentes de Mesa, Escrutinadores e Delegados que irão fiscalizar a votação, farei por introduzir na urna um boletim nulo, para que não hajam dúvidas sobre o meu sentido de voto nem oportunidade para que este possa ser alterado. 

Pelo demonstrado até ao momento não auguro um futuro brilhante para o Futebol Clube do Porto, principalmente no que toca ao Futebol. Simplesmente não o vejo. Quem sabe se, horas depois da eleição, o Futebol Clube do Porto ganha ao Nacional com uma exibição de qualidade. Quem sabe se, no fim da temporada, Jorge Nuno Pinto da Costa anuncia um conjunto de alterações que me façam mudar de ideias: alteração de treinador, lista de dispensas, novas contratações... Para já, nada disso.


Céptico. Preocupado. Portista.

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Um abraço.

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