quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Economato: Generoso Generoso

Uma publicação... generosa. Para a Danubio, claro.

Ponto prévio: até à data não fazia a mínima ideia quem era Generoso Julio Nunes Correia Generoso. O nome não me é estranho, mas daí até saber quem era ia um longo caminho. E, neste momento, pouco sei. Sei que é um jovem que que nasceu na Guiné-Bissau. Sei também que foi jogador da equipa de iniciados do Chaves. E que, durante essa altura, desperta o interesse do Futebol Clube do Porto. Ora, quando o Futebol Clube do Porto se envolve numa transferência, os interesses económicos de terceiros não costumam andam muito longe, infelizmente. É isso que a fonte habitual de informação confidencial põe a descoberto numa recente publicação. 

Ou por interesse do Futebol Clube do Porto, ou por interesse da Danubio Finanzierungsleistungen Und Marketing GmbH, mais à frente referida apenas por Danubio, é imperativo transferir o jogador Generoso Correia para o Futebol Clube do Porto. No entanto, não é possível fazê-lo sem assinar um contrato entre as partes, com data de 16 de Agosto de 2013. Entre o Futebol Clube do Porto e a Danubio. Senão vejamos. No ponto 1 redige-se os sempre complexos serviços a prestar:

É acordado que:

1. O agente prestou os seguintes serviços ao clube:
(a) Aconselhar o clube na estratégia de negociação;
(b) Actuar como intermediário pelo clube para comunicar os termos contratuais propostos ao jogador; e
(c) Convencer o jogador a aceitar os termos do clube em vez de perseguir outras alternativas que estejam em aberto para o jogador.

A verdade é que, depois de ver tantos contratos iguais a este, parece ser aplicada sempre a mesma minuta em vez de um contrato personalizado para cada situação. No entanto, este negócio volta a revelar que o Futebol Clube do Porto, nomeadamente a sua SAD, não tem capacidade dentro dos seus quadros para conceber uma estratégia de negociação a aplicar com um jovem de 14 anos do Chaves, propor os termos contratuais ao jogador e convencê-lo a assinar pelo Futebol Clube do Porto em vez de decidir-se por outro futuro. Ora, como não existe dentro da SAD do Futebol Clube do Porto a capacidade de executar estas três tarefas de enorme complexidade e risco, o Futebol Clube do Porto decide contratar a Danubio para o fazer. No entanto, pelo grau de complexidade e risco associado a todo o processo, é natural que a Danubio cobre bem. Parafraseando o contrato, focando nas partes mais relevantes.


2.1. Em consideração pelos serviços prestados pelo agente ao clube, o clube deverá pagar ao agente 50% do lucro da transferência recebida pelo clube.
2.2. As partes também acordam que, se o jogador participar em 5 jogos oficiais pela equipa A de Futebol (participação em pelo menos 45 minutos em partidas do campeonato, taça de portugal, supertaça ou competições da UEFA), o Futebol Clube do Porto terá de comprar 30% dos direitos económicos ao agente por 2.500.000,00€.
2.3.  As partes também concordam em que, se o Futebol Clube do Porto receber de um clube uma proposta escrita pelo jogador de, pelo menos, 15.000.000,00€, e não a aceite, o Futebol Clube do Porto terá de comprar mais 10% dos direitos económicos do jogador ao agente por um valor proporcional à oferta feita por escrito ao clube.

Pelo contrato assinado, dá a entender que o Futebol Clube do Porto não teve de pagar nenhum valor à Danubio. Preferiu apenas pagar em direitos económicos, prática já usual dentro da instituição. Não foi este o único negócio que a Danubio fez com o Futebol Clube do Porto. Em setembro do mesmo ano, participou na transferência de Kayembe do Standard de Liège para o Futebol Clube do Porto, supostamente também a custo zero. No entanto, o Relatório & Contas da SAD do Futebol Clube do Porto revelaria algo diferente: um pagamento de 2.615.000,00€ à Danubio por Kayembe. Na altura da transferência, o jogador belga tinha apenas 19 anos e nunca tinha feito qualquer jogo pela equipa principal dos belgas. Aliás, a 31 de Dezembro de 2014, a Danubio ainda detinha 15% dos direitos económicos do jogador. Fez uma época e meia no Porto B, mas já foi emprestado meia temporada ao Arouca e joga agora no Rio Ave. Paul Stefani, representante da Danubio no negócio Generoso Correia é também o empresário de Steven Defour, ex-jogador do Futebol Clube do Porto.

Por isso julgo serem necessários esclarecimentos para as seguintes questões. É necessário que uma estrutura altamente profissional e que aufere mais do que qualquer outra no Futebol Português tenha a necessidade de recorrer a prestadores de serviços como a Danubio, distribuindo os activos do clube por terceiros? É necessário colocar o clube na posição de estar obrigado a pagar 2.500.000,00€ a terceiros se Generoso Correia chegar a jogar pela equipa A? Quanto realmente custou Generoso Correia? 

O record noticiou hoje que a contestação chegou à porta da casa de Jorge Nuno Pinto da Costa. Não concordo com a postura de se ir à sua morada pessoal de uma pessoa exibir este tipo de mensagens. O Estádio do Dragão e o Centro de Estágios do Olival já foram palco de mais do que uma manifestação de protesto dos adeptos, e seriam o local mais indicado para voltar a fazê-lo. Quanto ao conteúdo, não posso deixar de compreender o ponto de vista de quem passou à acção e tentou fazer-se ouvir. Se fosse vivo, José Maria Pedroto não permitiria este cerco de hienas ao Futebol Clube do Porto em buscas de uma comissão que os enriqueça. Afastar o Alexandre ou o Adelino não basta, mas a 17 de Abril iremos legitimar este cenário por mais quatro anos. Terá a palavra o Presidente do Futebol Clube do Porto, logo à noite, no Porto Canal.


Fonte

Portista.

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Um abraço.

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