terça-feira, 12 de abril de 2016

O 13º mandato: Futebol (parte 3)

Lopetegui, Rui Barros, José Peseiro. Até à data, o Futebol Clube do Porto teve treinadores em 2015/16.
E os resultados são cada vez piores.

Caro Leitor, antes de ler a terceira parte, não se esqueça de ler a primeira parte desta análise aqui, e a segunda parte aqui.

Jorge Nuno Pinto da Costa abordou novamente o período em que Julen Lopetegui foi Treinador do Futebol Clube do Porto durante a entrevista ao Porto Canal de 7 de abril de 2016. É manifestamente um tema que ainda incomoda o actual responsável máximo do Clube. Depois do maior investimento da história do Futebol Clube do Porto, e apesar do desapontante segundo lugar no campeonato, Jorge Nuno Pinto da Costa manteve a confiança em Julen Lopetegui para a temporada 2015/16.

Do plantel comandado pelo treinador espanhol são transferidos Jackson Martínez, Danilo, Alex Sandro e Ricardo Quaresma. Oliver e Casemiro regressam aos seus respectivos clubes. Carlos Eduardo, Kléber, Tozé e Rolando saem em definitivo do Futebol Clube do Porto, depois de empréstimos cumpridos na temporada anterior. Josué, Adrián López, Hernâni, Quintero, Andrés Fernández, Abdoulaye, Tiago Rodrigues, Sinan Bolat, Sami, Licá, Diego Reyes, Ricardo Pereira e Fabiano são emprestados. Estas saídas fazem mexer mais de 110.000.000,00€, mas nem tudo é para o Futebol Clube do Porto, já que existem intermediários e agentes pelo meio. Para reforçar o plantel depois destas saídas, Lopetegui escolhe recrutar Imbula ao Marselha, Jesús Corona ao Twente, Danilo Pereira ao Marítimo, André André ao Guimarães, Sérgio Oliveira ao Paços de Ferreira. Chegam, em fim de contrato, Iker Casillas, Maxi Pereira, Alberto Bueno e Daniel Osvaldo. Por empréstimo chegam Miguel Layún do Watford e Aly Cissokho do Aston Villa. Lichnovsky é promovido da equipa B. O investimento ultrapassa os 35.000.000,00€. Não é líquido que Julen Lopetegui tenha tido a mesma liberdade na escolha de jogadores. Nem o mesmo orçamento.

Ao contrário da época anterior, o segundo lugar alcançado no campeonato dá acesso directo à fase de grupos da Liga dos Campeões. A posição no ranking é favorável, mas as regras da competição obrigam à queda do Futebol Clube do Porto para o segundo pote. A época começa de forma habitual, com uma vitória em casa, e uma perda de pontos na Madeira. Melhor que a época transacta, mas novamente não passámos na ilha. As vitórias na recepção ao Estoril e a na discussão da liderança do campeonato em Arouca elevam a motivação da equipa, mas acaba por ceder o empate nos últimos minutos em Kiev. Já a oportunidade de ganhar ao Benfica não é perdida. As mexidas de Lopetegui num jogo equilibrado e fechado resultam, e o Futebol Clube do Porto ganha o seu primeiro clássico da temporada.


Varela saiu do banco para assistir um oportuno André André para fazer explodir o Estádio do Dragão.

O empate em Moreira de Cónegos não chega para liderar de forma isolada. Mas, na recepção ao Chelsea, o Futebol Clube do Porto alcança a primeira vitória da temporada. Um grande jogo europeu que ficará para a memória. Beleneses, Varzim e Maccabi de Tel Aviv são derrotados sem questão, ou golos sofridos. Mas, frente ao Braga, o nulo persiste até fim do jogo. O jogo seguinte é novamente para a Liga dos Campeões, em Israel. Nova vitória e 10 pontos conquistados em apenas quatro partidas. O sucesso continua frente ao Setúbal e, depois da pausa para as selecções, nos Açores, com Bueno a destacar-se. É talvez o momento de melhor forma do Futebol Clube do Porto na época 2015/16. O Estádio do Dragão recebe um Dínamo Kiev que derrota o Futebol Clube do Porto, deixando o primeiro classificado do grupo em problemas. O golo de Brahimi e o penalty defendido por Casillas garantem três pontos frente ao Tondela, antes da viagem à Madeira para defrontar o União. Jogo resolvido facilmente. O Paços mostra-se mais resistente, mas sucumbe ao caudal ofensivo do Futebol Clube do Porto. Primeira vez que o Futebol Clube do Porto dá a volta ao marcador ao comando de Julen Lopetegui.

Lopetegui tinha ganho o primeiro duelo, no Estádio do Dragão. Precisava de repetir a façanha em Londres. Fonte
 
Em Londres joga-se a passagem à fase seguinte da Liga dos Campeões. Não havia outra hipótese senão vencer. E, perante um Chelsea ainda combalido, não fomos capazes. Lopetegui optou por mexer na estrutura da equipa, e sem estrutura ficou. Pouca presença na frente, pouco perigo criado, e o Chelsea aproveitou para vencer, atirando o Futebol Clube do Porto para a Liga Europa. 10 pontos, por norma, chegam para passar à fase seguinte. Mas, a precisar de mais um para garantir a passagem, em duas partidas, não fomos capazes de o fazer. A contestação regista-se pela primeira vez. Mesmo assim, o Futebol Clube do Porto regressa às vitórias na Madeira frente ao Nacional. Em Santa Maria da Feira, um resultado magro garante a passagem aos quartos-de-final da Taça de Portugal. Na última partida antes do Natal, um presente antecipado. Vitória frente à Académica, que dá a liderança isolada. Quem diria… Até Jorge Nuno Pinto da Costa sente vontade de falar. Da liderança e da valente assobiadela que Lopetegui levou depois de ter escolhido Bueno, em vez de André Silva. Mas a declaração do Treinador da Académica foi sintomática do ambiente que se vivia no Estádio do Dragão. A pausa Natalícia não foi nada favorável. Se a derrota em casa frente ao Marítimo era para a Taça da Liga, a liderança do campeonato perdida na viagem a Alvalade deixa Lopetegui em mãos lençois. O empate caseiro frente ao Rio Ave é o ponto de ruptura. São raros os treinadores que Jorge Nuno Pinto da Costa deixa cair a meio de uma temporada. Repare-se que esse número tem vindo a aumentar nos últimos anos. Mas o desporto é mesmo assim. No futebol vive-se de vitórias. E as vitórias não apareciam. Pelo menos em número suficiente para apaziguar a contestação dos adeptos. Títulos também não vimos nenhum. Jorge Nuno Pinto da Costa tomou uma atitude.

O assustador destas palavras é como de facto, esta é uma estratégia que - em muitos casos - resulta.Vamos lutar para...
Publicado por +FCPorto em Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2015

A pausa Natalícia não foi nada favorável. Se a derrota em casa frente ao Marítimo era para a Taça da Liga, a liderança do campeonato perdida na viagem a Alvalade deixa Lopetegui em maus lençois. O empate caseiro frente ao Rio Ave é o ponto de ruptura. São raros os treinadores que Jorge Nuno Pinto da Costa deixa cair a meio de uma temporada. Repare-se que esse número tem vindo a aumentar nos últimos anos. Mas o desporto é mesmo assim. No futebol vive-se de vitórias. E as vitórias não apareciam. Pelo menos em número suficiente para apaziguar a contestação dos adeptos. Títulos também não vimos nenhum. Jorge Nuno Pinto da Costa tomou uma atitude.

"Um tem de assumir a responsabilidade, e assumo-a com muito gosto". Ainda bem. Adeus.

Obrigado Julen. Nunca mais irei esquecer a grande vitória frente ao Bayern. Ou do hat-trick do Tello frente ao Sporting. Também não me irei esquecer de outras decisões. Do Casemiro, do Adrían López, do Campaña, do José Ángel, do Marcano... Do joelho no chão em Belém. Da derrota em casa frente ao Sporting para a Taça de Portugal, Fui "Inácio" em curtos espaços na recepção ao Dínamo, mas, pelo que ouvi, também foi mau. Tiveste tempo demais e a mais no Futebol Clube do Porto. Contrataste a mais, e demais. E não ganhaste nada. Descansa que, se o Futebol Clube do Porto ganhar a Taça de Portugal no próximo mês de Maio, enviamos-te um postal.

Inevitável, atrasado, apressado, desleixado, milionário e não precavido. Foi assim o despedimento de Julen Lopetegui. Jorge Nuno Pinto da Costa afirma que, para Lopetegui, o despedimento não era um problema. Mas, até novos factos surgirem, o Futebol Clube do Porto terá de pagar o contrato por completo ao espanhol. No Bessa, Rui Barros comandava o Futebol Clube do Porto na goleada para campeonato, e na vitória tangencial que dava acesso às meias-finais da Taça de Portugal. Enquanto isso, multiplicam-se os palpites na imprensa sobre os possíveis substitutos de Julen Lopetegui. André Villas Boas, Marco Silva, Leonardo Jardim, Jorge Costa, Jaime Pacheco, Nuno Espírito Santo, Jesualdo Ferreira... Jorge Nuno Pinto da Costa garantiu que era uma pessoa. O nome de Sérgio Conceição ganhou força curiosamente antes da deslocação do Futebol Clube do Porto à cidade-berço. O antigo jogador do Futebol Clube do Porto terá alegadamente dito "não" aos responsáveis do clube pouco antes do jogo. Um "frango" de Casillas decide a partida a favor dos da casa. O nome de José Peseiro é anunciado no dia seguinte, e já assiste ao jogo frente ao Famalicão para a taça da liga junto a Pinto da Costa. O golo que decide o jogo traz uma imagem, no mínimo, caricata.

Jorge Nuno Pinto da Costa conseguiu achar piada no meio do desastre que ocorria em Famalicão.
O Futebol Clube do Porto é eliminado da taça da liga. Fonte

Na sua apresentação, o Presidente do Futebol Clube do Porto que quem não conhece José Peseiro não sabe o que anda a fazer no futebol. Pergunto-me se sabiam das qualidades de José Peseiro quando foi contratado, já que assinou um contrato válido por 18 meses. Tello, Imbula, Osvaldo, Cissokho e Lichnovski já não opções para Lopetegui, que recebe Suk, José Sá e Marega, e chama Chidozie da equipa B.

José Peseiro assume formalmente o comando e estreia-se frente ao Marítimo. Vitória tangencial em casa, mas são três pontos cruciais. Espera-lhe muita competição num calendário muito apertado. Para cumprir calendário, José Peseiro roda a equipa e dá oportunidade a um outro onze. A derrota por 2-0 é apenas a primeira de várias em poucos meses. Mas faz algo que não era possível num passado recente. Ganha no campo do Estoril. Vítoria por 3-1 e sinais de alguma melhoria. Na primeira-mão da meia-final da Taça faz descansar alguns elementos mas facilmente ganha 3-0 ao Gil Vicente. Mas, antes da viagem à Luz, a derrota frente ao Arouca põe o Futebol Clube do Porto em alerta. Mas o Clássico é do Futebol Clube do Porto. Casillas e a eficácia Portista dão uma saborosa vitória, onde Chidozie se estreou. Depois vem a Liga Europa. Se o adversário era dos mais complicados, as ausências também complicaram. A fraca exibição é atenuada por um Casillas atento e 0-2 é o resultado possível, que não é revertido no Estádio do Dragão, com nova derrota, apenas pela margem mínima. Pelo meio, vitória frente ao Moreirense, onde foi preciso virar um resultado de 0-2. José Peseiro tinha poucas opções, e guardava os melhores para os jogos do campeonato. Eliminado da Liga Europa, restava-lhe apenas competições internas. Volta a ir ao Sul conquistar três pontos e carimba o bilhete para o Jamor. O adversário seguinte era o Braga, que iremos encontrar em Cascais para decidir o vencedor da Taça de Portugal. O ensaio geral não correu bem. Um Futebol Clube do Porto ineficaz e incapaz é derrotado por 3-1 onde José Peseiro é expulso. O momento alto de uma exibição fantástica de Carlos Xistra no Estádio Axa.

Peseiro, não vale a pena dizer que ele não queria... Xistra teve dois pesos e duas medidas em Braga

Jesus Corona dá três pontos ao Futebol Clube do Porto frente ao União da Madeira num jogo onde o sofrimento era perfeitamente evitável. Sérgio Oliveira decide a partida em Setúbal, numa viagem ao Sul novamente vitoriosa. Mas o Futebol Clube do Porto de José Peseiro mostra-se intermitente... e bate no fundo. A derrota frente ao Tondela disputa nova onde de contestação direccionada à actual administração da SAD, e, em particular, a Jorge Nuno Pinto da Costa, que vê tarjas serem exibidas perto de sua casa. O Presidente do Futebol Clube do Porto sente a necessidade de dar nova entrevista ao Porto Canal. Diz que "batemos no fundo" a época já terminou e que a pré-época começa no jogo em Paços de Ferreira, exigindo carácter, valor e qualidade aos jogadores do Futebol Clube do Porto, sob pena de serem afastados do clube na próxima temporada. Ora, isso não se viu em abundância em Paços de Ferreira. Nova derrota do Futebol Clube do Porto, a segunda consecutiva, e a sétima de José Peseiro em 16 partidas ao comando. Está ainda por explicar que tipo de mensagem interna foi passada pelo Presidente do Conselho de Administração da SAD do Futebol Clube do Porto. No entanto, o que é facto é que, talvez pelos contornos actuais do desporto, quem sabe pela pressão adicional colocada sobre os seus ombros, ou até por um futuro já por si desenhado, a maior parte dos jogadores do Futebol Clube do Porto, e a equipa no seu global, teve uma resposta muito negativa ao "murro na mesa" de Jorge Nuno Pinto da Costa. O "fundo" tem uma nova profundidade, cortesia do Futebol Clube do Porto.

Pela existência de apenas uma lista, Jorge Nuno Pinto da Costa será reeleito para um 14º mandato consecutivo à frente do Futebol Clube do Porto. No entanto, é importante reflectir sobre este 13º mandato, que, para o Futebol, foi um COMPLETO DESASTRE! Dois treinadores despedidos a meio da temporada, apenas uma Supertaça para o palmarés, consequentes investimentos milionários em planteis que tiveram rápida rotação, uma aposta ainda curta em jovens da formação e um Estádio do Dragão cada vez mais despido, apenas com a promessa da Taça de Portugal, final em que, na forma actual, não podemos ser considerados favoritos. Um verdadeiro DESASTRE!

Perspectivas para o 14º mandato? Uma reflexão para muito breve...

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Um abraço.

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