sexta-feira, 8 de abril de 2016

O 13º mandato: Futebol (parte 2)

Um aperto de mão que nunca soube digerir. Imagem original aqui

Caro Leitor, antes de ler a segunda parte, não se esqueça de ler a primeira parte desta análise aqui.

Curiosamente, um dos temas que Jorge Nuno Pinto da Costa abordou (novamente) em entrevista ao Porto Canal, a 7 de abril de 2016.

Julen Lopetegui Argote assina por três temporadas, com início do contrato para a temporada 2014/15. É um perfil de treinador completamente diferente do habitual no Futebol Clube do Porto de Jorge Nuno Pinto da Costa. Primeiro, estrangeiro. Depois, sem experiência de futebol Português. Além disto, sem histórico no futebol em clubes, mas com currículo nas selecções jovens de Espanha. Campeão europeu de sub-19 em 2012, e sub-21 em 2013. Releva uma personalidade muito mais forte do que os anteriores, mostrando-se muito mais activo, quer nas conferências de imprensa, quer no banco. O grito e a reclamação são frequentes em qualquer partida onde Julen Lopetegui pisa a área técnica.

Lopetegui é apresentado com "pompa e circunstância" a 5 de maio de 2014, após a derrota em Olhão. Assiste já do camarote à vitória no Clássico que fechou o campeonato e o capítulo curto de Luís Castro, que regressou ao comando da equipa B. Com a chegada de Lopetegui, vinham várias promessas. Primeiro, a prática de um futebol mais ofensivo e agradável à vista. Depois, a aposta em jogadores jovens, acompanhando a experiência em selecções jovens. Por outro lado, exige a liberdade para escolher e fazer o seu próprio plantel, mas prometendo o regresso aos títulos num plano que previa rápidos resultados e longa duração, e que criou "ilusion" em todo o Portista.  

Do plantel comandado por dois Portugueses são transferidos Fernando, Mangala, Fucile e Defour. André Castro e Iturbe saem em definitivo do Futebol Clube do Porto, depois de empréstimos cumpridos na temporada anterior. Os empréstimos de Izmailov, Djalma, Carlos Eduardo, Licá, Ghilas, Kléber, Bolat ou Abdoulaye também não têm retorno. Josué e Silvestre Varela também têm ordem de marcha. Estas saídas fazem mexer cerca de 80.000.000,00€, sendo que o Futebol Clube do Porto poderá ter recebido cerca de 65.000.000,00€, antes de pagar a intermediários e agentes. Para reforçar o plantel depois destas saídas, Lopetegui escolhe recrutar Evandro ao Estoril, Adrián López ao Atlético de Madrid, Bruno Martins Indi ao Feyenord, Brahimi ao Granada, Andrés Fernández ao Osasuna, Marcano ao Rubin Kazan e Aboubakar ao Lorient. Chegam, em fim de contrato, Daniel Opare, Ricardo Nunes, Sami e José Ángel. Por empréstimo chega Olíver do Atlético de Madrid, Tello do Barcelona, Casemiro do Real Madrid e Campaña da Sampdória. Batem-se recordes com os cerca de 40.000.000,00€ gastos. Mas Lopetegui escolheu os que quis e teve-os quase todos. Há quem diga que queria Illarramendi em vez de Casemiro para o meio-campo.

A lesão grave de Mikel dá a oportunidade a Rúben Neves de também se destacar e assumir um papel importante na equipa principal. E foi ele a marcar o primeiro jogo oficial da temporada, abrindo o marcador frente ao Marítimo. No discurso de Lopetegui foi constante a menção à Liga dos Campeões e ao facto de que, no início da temporada, não tínhamos bilhete para essa competição. O play-off de acesso foi jogado de uma forma altamente profissional e concentrada. Um Futebol Clube do Porto cauteloso e equilibrado despachou o Lille sem direito a questões. O mesmo aconteceu com o BATE, na abertura da fase de grupos. Os golos foram surgindo e a equipa manteve o plano traçado à partida, quando quatro dias antes o apito tinha feito a sua presença sentir e a primeira perda de pontos para o campeonato tinha ocorrido em Guimarães. 


Um fenómeno meteorológico como nunca tinha visto... Favoreceu, e de que maneira, a equipa visitante.
Ao Futebol Clube do Porto faltou sensatez e o jogo realizou-se. Imagem original 

O dilúvio que se fez sentir no Estádio do Dragão afectou, e de que maneira, o rendimento da equipa frente ao Boavista, e o resultado não saiu do nulo inicial. Já um jogo equilibrado e um apito incompetente origina novo empate em Alvalade, antes de uma deslocação à Ucrânia, que também deu em empate. Mas o Futebol Clube do Porto regressa ao Estádio do Dragão para suar mas ganhar ao Braga e entrar na pausa para selecções sem ter perdido qualquer partida e com um saldo, a meu ver, positivo. No regresso, o início da Taça de Portugal, a rotação, o erro e a primeira derrota. Que vergonha passada no Estádio do Dragão frente ao Sporting. Mas o Futebol Clube do Porto levanta-se e tem um percurso fantástico até ao Clássico seguinte. Athletic Club, por duas vezes, BATE, Rio Ave, Arouca, Académica... O Futebol Clube do Porto só parecia ser parado pela sua própria mania da rotação, promovida frente ao Estoril e ao Shakthar. Mas o líder Benfica vinha aí e o primeiro lugar no grupo da Liga dos Campeões estava seguro. Havia que ganhar. O Futebol Clube do Porto lançou-se ao ataque, sem medo, e dominou a partida. Criou oportunidades de golo de todas formas e feitios. Tinha tudo para alcançar o adversário na frente do campeonato. E, no fim, perdeu... 0-2 e seis pontos atrás. Até ao momento o Futebol Clube do Porto tinha perdido pontos em Guimarães (golo limpo de Brahimi anulado), Estoril, Boavista (relvado impróprio, culpa própria) e Sporting (um Clássico sempre difícil de vencer). Em janeiro, Hernâni, do Guimarães, reforça as opções de Lopetegui.

O Futebol Clube do Porto não desarma e segue na luta. Tanto pelo campeonato, onde alcança mais quatro vitórias seguidas, como na taça da liga, onde uma exibição de grande carácter e sacrifício, contra tudo, contra todos e contra o Cosme Machado, carimba a passagem à meia-final da competição. Até Jorge Nuno Pinto da Costa sente que é tempo de falar.


Nem na taça da liga o apito deixava influenciar os resultados do Futebol Clube do Porto.

Mas os exames da Madeira voltam a trair o Futebol Clube do Porto. Mais três pontos perdidos mantêm a desvantagem em seis pontos para a liderança. Pelo meio dez jogos onde apenas não foi possível vencer em Basileia. Isso foi corrigido no Dragão antes de nova viagem à maldita ilha. Primeiro para defrontar o Nacional (oportunidades não faltaram para desfazer o empate, que deixava o Futebol Clube do Porto a três pontos da liderança) e contra o Marítimo (eliminação da taça da liga). Já no Continente o Futebol Clube do Porto não parece afectado. Cilindra o Estoril, não dá margem para dúvidas frente ao Rio Ave e exige respeito ao Bayern. Grande vitória europeia do Futebol Clube do Porto frente a um colosso europeu cheio de estrelas e com um poder financeiro bem superior. Carácter, garra, e compromisso. A expulsão do Neuer podia ter mudado muita coisa. Cá e lá.


Aproveitámos o que nos deram. E nós não fomos esquisitos ou envergonhados. Que ambiente! Que vitória!

A vitória tangencia sobre a Académica mostrava que estava tudo a pensar em Munique. E, sem os laterais disponíveis, Lopetegui colocou Martins Indi na esquerda e na direita........ Reyes. Esteve tão bem que aos 32 minutos foi substituído por quem deveria ter ocupado a posição: Ricardo Pereira. Os alemães chegavam aos magotes e não havia como os parar, feridos pela derrota da semana anterior. A derrota pesada deixava uma vincada mancha num caminho quase perfeito na Liga dos Campeões. Foi a única derrota nessa edição da competição. Mas a eliminação teria de ser posta de lado rapidamente. O Futebol Clube do Porto tinha de viajar até à Luz quatro dias depois, sabendo que tinha o seu futuro nas suas próprias mãos... Ou pés. Um jogo muito apertado, cauteloso, amarrado no centro do terreno viu apenas uma oportunidade clara para cada lado, e um nulo que servia perfeitamente ao visitado. Mais paixão fora de campo, depois da partida, do que dentro.

Quem o conhece sabe que das dificuldades que tem em falar. Com Lopetegui não se brinca. 

A liderança ficava a três pontos que na realidade eram quatro. Vitória de Setúbal e Gil Vicente caíram frente a um Futebol Clube do Porto em apressada perseguição, mas já era tarde. Se o adversário sucumbiu à pressão em Guimarães, o Futebol Clube do Porto não consegui melhor do que um empate no Restelo, e entregou de bandeja o título ao Benfica e ao "colinho". 


Perder faz parte da competição. Ajoelhar-se perante a adversidade não faz parte do
ADN do Futebol Clube do Porto! Imagem original
A verdade é que a temporada foi marcada por momentos decisivos onde o Futebol Clube do Porto sucumbiu. As viagens à Madeira não deixam boas memórias a nenhum Portista. Existe culpa própria na eliminação da Taça de Portugal, em casa, frente ao Sporting. Já contra o Benfica, que teve sempre o colo quando precisou, era possível ter ultrapassado essa desvantagem caso o nível de competência tivesse sido o mesmo nos jogos em que os defrontámos. É facto que o Futebol Clube do Porto praticou melhor Futebol com Lopetegui do que com Paulo Fonseca. Ou até mesmo com Vítor Pereira. Mas também é facto que Lopetegui tinha à sua disposição um conjunto de soluções muito superiores às dos dois treinadores supracitados. E chegou ao fim da temporada sem nada material para mostrar. Por isso, na minha opinião, não devia ter ficado. O Futebol Clube do Porto foi superior. Foi melhor. Mas não ganhou. E o importante é ganhar.

De toda a maneira, em Junho de 2015, Jorge Nuno Pinto da Costa confiava em Julen Lopetegui, e por isso continuou no banco na época seguinte. Se calhar ainda estava a compreender o Futebol Português. Quem sabe, com um Ferrari no meio-campo, podia ser que fosse suficiente para vencer. Mas as mudanças não se ficaram por aí, já que havia muitos emprestados para devolver e outros para fazer circular. Uma nova volta ao plantel estava pronta para ser dada.


O banco do Estádio do Restelo não escapou à fúria de Lopetegui.
Eu fiz algo semelhante quando soube que iria continuar na temporada seguinte. Imagem original


A continuação, com a parte 3, para breve.


Portista.

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Um abraço.

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