quarta-feira, 6 de abril de 2016

O 13º mandato: Futebol (parte 1)

As caras do Futebol Clube do Porto na época 2013/14. Imagem original aqui

Mas que altura para publicar isto…

O 33.º presidente do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, com 74 anos, foi reeleito para um 13º mandato consecutivo no comando do Futebol Clube do Porto após as eleições de dia 25 de Maio de 2013, com 99,13% dos votos, registando apenas 11 votos nulos num universo de 1258 votantes. Na altura, o Futebol Clube do Porto acabava de ser tricampeão nacional com Vítor Pereira ao comando e com Kelvin, que ganhou direito a um espaço especial no Museu do Futebol Clube do Porto, a protagonizar o momento com mais visualizações do canal do Youtube do Futebol Clube do Porto, eternizando a compensação de um Clássico histórico.

Vítor Pereira cumpriu o que restava do seu contrato e decide sair do Futebol Clube do Porto. Para o seu lugar é escolhido Paulo Fonseca, que, na época anterior, tinha liderado o Paços de Ferreira a um histórico 3º lugar. Com ele regressa o emprestado Josué, que se tinha destacado ao seu comando. Para ajudar a espelhar as ideias do novo treinador dentro de campo foram contratados Licá e Carlos Eduardo ao Estoril (4º na temporada 2012/13), Tiago Rodrigues e Ricardo ao Vitória de Guimarães, Ghilas ao Moreirense, Quintero ao Pescara, Diego Reyes ao Club América, Héctor Herrera ao Pachuca, e Sinan Bolat, em fim de contrato, ao Standard de Liège. Estima-se que estes reforços terão custado mais de 34.000.000,00€, entre aquisição dos passes e outros encargos. Do plantel que Vítor Pereira liderou saíram João Moutinho, James Rodríguez, Rolando, Atsu, André Castro, Liedsón e Izmailov, com a receita a superar e muito os 80.000.000,00€. Notória a discrepância entre as vendas e as compras, tanto no lucro feito, como na qualidade dos jogadores envolvidos. 

Há quem diga que Pinto da Costa queria Paulo Fonseca. Já Antero preferia Mano Menezes.
Levou a melhor o Presidente. Imagem original aqui

Mesmo assim, a época 2013/2014 não começou mal. Paulo Fonseca lança Licá no lugar de James, Defour em vez de Moutinho e ao lado de Fernando, troca o esquema de jogo para 4-2-3-1, e ganha 3-0 ao Guimarães, conquistando a Supertaça Cândido de Oliveira, acompanhando a teoria de que "qualquer treinador no Futebol Clube do Porto arrisca-se a ser campeão". 

Os responsáveis pelo último título oficial do Futebol Clube do Porto. O futebol faz tudo mudar rapidamente.

Em primeira instância, tudo parecia bem encaminhado. E aliás, isso continuou nas várias provas oficiais. 7 vitórias em 8 jogos oficiais, contando com a Supertaça, uma magra vitória em Viena para a Liga dos Campeões, e apenas com pontos perdidos no campo do Estoril, onde o apito não teve vergonha do roubo que protagonizou. Por si só, o futebol não impressionava! Mas havia resultados para mostrar. Cedo, tudo mudou. A recepção ao Atlético de Madrid dá a primeira derrota da temporada, onde o Futebol Clube do Porto até mostrou qualidade futebolística superior ao adversário. Faltou o resultado que o sustentasse. O mesmo aconteceu quinze dias depois, frente ao Zenit. A expulsão de Herrera ao minuto 6 exigiu um esforço redobrado a uma equipa ainda em construção, mas que claudicava ao minuto 85. Mais uma derrota em casa para a Liga dos Campeões, e o assobio, a meu ver, injusto, ganha presença na bancada do Estádio do Dragão. Danilo dizia que alguém tinha de pagar esta factura. E, de facto, isso aconteceu. 5 dias depois, no mesmo local, uma exibição de raiva, intensidade e alguma sorte dá a vitória no primeiro clássico da temporada. Factura entregue ao Sporting. O Futebol Clube do Porto seguia isolado na frente do campeonato.

Recordo-me de partilhar esta publicação do BestOfFutebol,
advertindo para o facto de faltar muito para o fim.

Uma estrutura construída com muito esforço, pouco talento, exibições inconstantes, e apenas baseada nos resultados, cai por terra no mês de Novembro. Uma vitória, apenas para a Taça de Portugal, em apenas seis partidas oficiais, com destaques para os empates na Liga dos Campeões que retiraram esperanças ao Futebol Clube do Porto de continuar na competição. Apenas dois pontos em três partidas em casa e a derrota em Madrid atirou o Futebol Clube do Porto para a Liga Europa. No campeonato, passa-se a olhar para cima, seguindo à distância Sporting e Benfica, mas por pouco tempo com a pausa de Natal a ser passada na liderança a três. O empate para taça da liga em Alvalade não traz novidades futebolísticas. Nem a goleada perante o Atlético para a Taça de Portugal. Já a derrota para o campeonato frente ao Benfica expõe todas as debilidades do Futebol Clube do Porto. Falta qualidade, esclarecimento e que o apito não queira ser protagonista. Nunca mais o Futebol Clube do Porto alcançaria a liderança do campeonato. 


Lucho fala em 2016: "Se pudesse, acabava a carreira no FC Porto" Imagem original aqui

Em Janeiro, Paulo Fonseca perdeu Lucho González e Otamendi, mas ganhou Ricardo Quaresma. Passa à risca o teste da taça da liga, mas não no exame na Madeira. O treinador do Futebol Clube do Porto fica por um fio e a pressão aumenta com os empates frente Eintracht Frankfurt, sendo que a recepção, e derrota, frente ao Estoril faz criar a maior assobiadela a um representante do Futebol Clube do Porto de que tenho memória. Foi grave. Muito grave. Se a passagem frente ao Eintracht deu um leve folgo a Paulo Fonseca, definitivamente este afogou-se em Guimarães, com nova perda de pontos.


Sempre muito calmo, tranquilo, pensativo, pouco emotivo. Traços que fazem parte do perfil do treinador Paulo Fonseca.
Imagem original aqui

Não tiveste o que outros tiveram, Paulo. Mas foste tu próprio a admitir que não estavas preparado e que pensavas que sabias tudo. Pelo menos de geografia alemã não é verdade. Um dia certamente irás voltar para reescrever a história.

Sete dias depois o Futebol Clube do Porto recebe e derrota o Arouca por 4-1. Ao comando senta-se Luís Castro, que transita da equipa B, fruto de um trabalho notável à frente das promessas do Futebol Clube do Porto na Segunda Liga. É um Futebol Clube do Porto mais reconhecível no seu desenho. Mais familiar. Cuja simplicidade, humildade e Portismo de Luís Castro se fazia sentir em campo. Mas a evidente falta de qualidade futebolística de quem vestia a nossa camisola não podia ser sempre disfarçada. Se o assalto feito em Alvalade pelo apito não mancha o caminho feito por Luís Castro, com destaque para a passagem frente ao Nápoles e a vitória em casa sobre o Benfica na primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, o chumbo em novo exame na Madeira, a pesada derrota em Sevilha e a saída da Taça de Portugal na Luz contra 10 são provas evidentes do que faltava a este plantel. Já para a Taça da Liga parecia que a baliza assustava, até na lotaria das grandes penalidades. Faltou classe, diriam uns. Eu diria que faltou compromisso. O mesmo aconteceu em Olhão, mas não no Estádio do Dragão, frente ao Benfica, para fechar o campeonato. Por essa altura, o Futebol Clube do Porto já tinha anunciado a contratação de Julen Lopetegui para as três temporadas seguintes. O espanhol já via o Clássico das bancadas e ninguém se quis esconder dentro de campo. Recordo-me que Ricardo Pereira foi o melhor campo. Recordo-me dos festejos feitos na bancada pelos adeptos visitantes. Muito penoso e duro para qualquer Portista. 

Ao dia desta publicação, o FC Porto B é líder da Segunda Liga. Imagem original aqui

Obrigado Luís. Demonstraste um enorme sentido de amor à causa. Um enorme Portismo. Continuas o teu trabalho excepcional com as promessas do Futebol Clube do Porto. Espero que um dia venhas a ter o devido reconhecimento pelo que emprestas ao Futebol Clube do Porto.

Com a chegada de Lopetegui, vinham várias promessas com ele. A prática de um futebol mais ofensivo e agradável à vista, a aposta em jogadores jovens, liberdade para o treinador escolher e fazer o seu próprio plantel e o regresso aos títulos num plano que previa rápidos resultados e duração longa, e que criou "ilusion" em qualquer Portista. 

"Não Presidente... Por favor, não faça isso...". Mas fez. Mão apertada, contrato assinado.
Imagem original aqui

A continuação desta análise para breve.

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Um abraço.

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