sexta-feira, 15 de abril de 2016

Curta sobre uma capa: Jornal OJOGO, 15 de Abril de 2016

Esta é a capa do Jornal OJOGO de 16 de Abril de 2016, que destaca uma importante tarefa da SAD do Futebol Clube do Porto até 30 de Junho. Por isso, merece ser objecto de reflexão.

O principal destaque da capa do jornal OJOGO, de 16 de Abril de 2016

O jornal OJOGO de 16 de Abril de 2016 apresenta como notícia principal a longa lista de dispensas que o Futebol Clube do Porto. É um problema que se tem vindo a acumular de ano para ano, onde número de emprestados tem vindo a aumentar, e sem uma solução proposta à vista. Se o Futebol Clube do Porto poderá ver potencial nos jogadores que empresta, como os jovens Hernâni, Ricardo Pereira ou o recém-chegado Quintero, jogadores como Maicon, Ghilas ou Adrián são destacados de forma correcta pelo jornal OJOGO como possíveis excedentários e com valor no mercado suficiente para dar retorno financeiro.


No entanto, a afirmação feita na capa é muito duvidosa. “Vão”. Dentro do jornal, na própria notícia, o tom já é mudado para “possa render”. E não 30. Mas entre 25 e 30. Existe duas problemáticas de igual peso que merecem ser analisadas. A primeira, reduzir o elevado número de jogadores nos quadros do Futebol Clube do Porto, aliviando a folha salarial. Depois, gerar mais-valias que possam contribuir para o cumprimento do fair-play financeiro.

O mesmo jornal destaca uma lista de jogadores emprestados e capazes de atrair interessados na próxima janela do mercado de transferências: Adrián Lopez (Villareal), Maicon (Internacional), Ghilas (Levante), Diego Reyes (Real Sociedad), Hernâni (Olympiakos), Sami (Akhisar), Abdoulaye e Fabiano (Fenerbahçe) e Andrés Fernández. Depois existem outros casos mais complexos na sua resolução, pelo menos em definitivo: Tiago Rodrigues (Marítimo), Sinan Bolat (Club Brugge), Licá (Vitória SC), Lichnovsky (Sp. Gijon). Existe ainda Quintero, que regressa de um empréstimo ao Rennes. Uma lista longa e que Este problema relaciona-se com o segundo, muito mais urgente e ameaçador: o fair-play financeiro.

Recorde-se que orçamento da SAD do Futebol Clube do Porto prevê que se registem até 30 de junho vendas a rondar os 72.591.000,00€. Valor alto e ambicioso, mas natural dentro da política financeira de risco adoptada anos após ano pela administração da SAD. Alex Sandro, vendido perto do fecho do mercado, abate a esse valor. O mesmo acontece com Imbula. Cerca de metade do valor pretendido estará perto de ser alcançado. No entanto, falta a outra metade. Brahimi poderá ser o primeiro a ser colocado no mercado. Depois há Herrera, que deverá ser chamado à Copa América e Danilo Pereira, que se prevê que tenha lugar nos escolhidos por Fernando Santos. Estes estão numa situação diferente. Se Herrera termina a participação na Copa América antes de 30 de junho, é possível que o mesmo não aconteça com Danilo Pereira (se Portugal chegar aos quartos-de-final, não jogará antes de 29 de junho). A urgência na venda poderá limitar a sua valorização. Algo semelhante acontece com Rúben Neves, cuja participação nos Jogos Olímpicos o valorizará. 

A isto terá de se acumular uma política que aquisições que não prejudique, em demasia, as contas que a SAD está a fazer, já que o efeito negativo do desempenho no campeonato irá fazer-se sentir. Por exemplo, o orçamento da SAD para esta temporada previa receitas na ordem dos 27.437.000,00€ nas competições da UEFA. Nas contas do primeiro semestre não se ultrapassou os 12.000.000,00€. E, como o Futebol Clube do Porto não terá entrada directa na Liga dos Campeões, perdem-se mais 12.000.000,00€ para este exercício.

O fair-play financeiro continua à perna e o Futebol Clube do Porto tem uma enorme necessidade de reforçar o seu plantel, mas com disponibilidade financeira muito escassa, pelo menos até 30 de Junho. É possível que vejamos nova manobra contabilística, com novo recurso ao Estádio do Dragão, que poderá ser ainda menos dos sócios, e mais dos accionistas. A SAD previa resultado positivo para esta temporada. Não será grave sofrer perdas, que poderão ser compensadas pelos resultados da temporada seguinte. Mas sofrer sanções da UEFA seria uma mancha no histórico do Futebol Clube do Porto, que potencialmente afectariam ainda mais os resultados financeiros, caso a pena seja das mais severas.

Haverá a possibilidade de traçar uma previsão menos especulativa depois da publicação do Relatório & Contas com registo do exercício até 31 de Março. Entretanto, faltam dois meses e meio para o fim da temporada. Até lá, muitas decisões por tomar, e os sócios, adeptos, e accionistas estarão na expectativa, e no escuro.


Céptico. Preocupado. Portista.

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