sexta-feira, 25 de março de 2016

O Economato: especulação sobre os próximos “5%”

Ponto prévio: é objectivo da seguinte publicação ser uma extensa conjuntura. Uma previsão, um palpite, uma especulação, uma ideia do que poderá vir no futuro, tendo em conta factos actuais e experiências anteriores.

Dentro desta rúbrica, são vários os exemplos de alienação de parte de direitos económicos de jogadores do Futebol Clube do Porto determinados pela sua SAD, depois das respectivas renovações de contrato. É usual vermos que a SAD recorre a intermediários externos à instituição para se fazer representar nas negociações, no sentido de “convencer” o jogador a assinar um novo vínculo com o Futebol Clube do Porto. Os casos mais recentes explicitados nesta rúbrica são as renovações de Ruben Neves, em 2014, e André Silva, em 2015. Sendo um facto que, nem depois de uma leitura atenta e análise do Relatório e Contas seja possível verificar que o Futebol Clube do Porto não detém a totalidade dos passes de dois jogadores da formação, mas que se mantém nos quadros do clube, só depois da revelação de determinados documentos oficiosos foi possível dar a conhecer esta manifesta acção de diminuição do activo do clube em beneficio de terceiros, onde até se incluem familiares de Administradores da SAD.

Mesmo assim, e tendo em conta a informação incompleta existente nestes documentos, ainda é possível fazer uma abordagem sobre os nomes visados, conjeturando sobre quem poderá ser o próximo jogador do Futebol Clube do Porto a ser usado para dar centenas de milhares de €uros a intermediários, com a promessa de milhões de €uros extra caso ocorra um trespasse. Para esta análise, serão apenas elegíveis os jogadores cujo clube detém 100% dos seus direitos económicos, de acordo com a página 45 do Relatório e Contas do 1º semestre da época 2015/2016.



André André
André André foi decisivo para a vitória no Clássico frente ao Benfica jogado no Estádio do Dragão.
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Começamos esta lista com uma das recentes contratações do Futebol Clube do Porto. Custou ao clube 1.500.000,00 € em junho de 2015 e assinou contrato por 4 temporadas. Rubrica uma entrevista pessoal à revista “Dragões” do mês de Março, mas é no jornal OJOGO de dia 23 de Março quer revela a ambição de ser capitão do Futebol Clube do Porto e querer conquistar tantos títulos como o pai. Quanto ao primeiro desejo, ainda está por explicar os problemas “físicos” que o afastaram da equipa em dezembro. De toda a maneira, o facto de ter vontade de continuar no Futebol Clube do Porto afasta a possibilidade de uma transferência a curto-prazo. Nesse sentido, uma renovação com estrutura semelhante à de outros jogadores poderá ser a forma de partir os direitos económicos do jogador.


Iker Casillas
Fotografia de Casillas a voar na pré-época. Que defesa!
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Outro jogador que chegou ao Futebol Clube do Porto em junho de 2015. Casillas é um caso complicado de compreender. Primeiro é, de longe, o jogador mais bem pago da história do Futebol Português. E, para esta afirmação, estou apenas a contar com o que o Futebol Clube do Porto lhe paga, que é menos de metade do seu actual vencimento, chegando o restante do Real Madrid. O Presidente do Futebol Clube do Porto, em resposta uma notícia, por sinal mentirosa, do jornal espanhol “El Confidential”, que existe a intenção por parte do Futebol Clube do Porto em prolongar o contrato com o guarda-redes espanhol que liga-o ao clube até junho de 2017. Antes de se transferir, Casillas tinha contrato com o Real Madrid, sendo que o clube espanhol se prestou a cobrir o valor do salário que o Futebol Clube do Porto não lhe paga. Não estando em vista um trespasse imediato do jogador, é duvidoso que o empresário peça, pela sua renovação, parte dos direitos económicos do jogador, recebendo apenas uma “choruda” compensação pelos serviços de intermediação.


Evandro
Evandro cumpre a segunda temporada ao serviço do Futebol Clube do Porto
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Com contrato até junho de 2018, Evandro poderá ter de esperar pelo fim do seu vínculo para saber o seu futuro. Não vejo aqui a possibilidade da geração de remunerações fora do comum para quem representa o jogador. 


Marcano
A carreira de Marcano com a camisola do Futebol Clube do Porto regista altos e baixos.
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O Futebol Clube do Porto declara que detém 100% do passe do jogador. É, na minha perspectiva, uma das possíveis saídas na próxima janela de transferências. Resta saber qual será o destino do jogador.


Martins Indi
Bruno Martins Indi chega ao Futebol Clube do Porto depois de uma participação positiva
no Mundial de 2014 ao serviço da Holanda.
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Embora, na minha perspectiva, seja o melhor defesa central disponível no plantel, será alvo de escrutínio até ao fim da temporada para compreender se será colocado no mercado. Não estará presente no Europeu, mas o Futebol Clube do Porto terá o fair-play financeiro à perna, e por isso poderá ser tentada uma mais-valia com o jogador, que custou 7.700.000,00€. Mesmo perante a ameaça de sanções da UEFA, onde se encontra a proibição de participar nas competições europeias, isso não será impeditivo de distribuir remunerações a intermediários.


Maxi Pereira
Maxi Pereira é um dos indiscutíveis do onze desta temporada.
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Chegou a custo zero, mas o Futebol Clube do Porto pagou 2.000.000,00€ pelo jogador. Além disso, o contrato de 4 temporadas assinado terá um custo total de 16.000.000,00€. Já por essa altura deve ter sido um excelente negócio para o representante. O próprio jogador também não deve estar insatisfeito. Quer para uma renovação, quer para um trespasse, Maxi Pereira não será o primeiro na lista de prioridades.


Juan Quintero
Consta que o seu talento é só igualado pelo seu apetite por comida italiana.
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Um caso especialmente complexo, onde nenhuma das partes está isenta de culpa. Esta semana tivemos novo capítulo na sua saga. Há notícias que indicam o seu empréstimo ao Internacional de Porto Alegre, depois de estar emprestado ao Rennes. As renovações de contrato são constantes e duvido que algum clube adquira este jogador de forma definitiva. Interessados até haverá e o problema maior, o negócio que envolvia o Futebol Clube do Porto e a Doyen, já não existe. O Futebol Clube do Porto detém a totalidade do passe de Quintero. Talento não lhe falta. Já a condição física demonstra-se deplorável. Uma análise mais detalhada para uma melhor oportunidade.


Alberto Bueno
Poucas vezes chamado, e com lesões pelo meio, o atacante espanhol não tem a sorte do seu lado.
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Cinco anos de contrato. Chegou a custo zero. Levanto dúvidas sobre a sua continuidade no Futebol Clube do Porto após a próxima janela de transferências, mesmo tendo em conta a lesão que praticamente terminou com a sua temporada. Uma saída, ainda que por empréstimo, poderá ser a solução para Alberto Bueno.



Fora da lista

Aqui irão abordar-se putativos nomes de jogadores que, embora não estejam referidos na lista divulgada pelo Relatório e Contas, julga-se que a totalidade dos seus direitos económicos pertença ao Futebol Clube do Porto e que estejam na calha para renovações ou trespasses.


Chidozie

Tem sido uma revelação muito positiva da segunda metade da temporada, com participações constantes na equipa principal, dada a falta de opções do plantel para o centro da defesa, ora por saídas do clube, ora por lesões. Julga-se que, neste momento, o Futebol Clube do Porto detenha a totalidade do passe do jogador.  É um jovem de apenas 19 que demonstra já capacidades interessantes dentro de campo, mas que ainda necessita de experiência competitiva e tutores de qualidade como referência. Algo que, no actual plantel, escasseiam. A sua entrevista à revista “Dragões” revela especial ambição, mas com uma serenidade pouco usual na sua tenra idade. É manifestamente um dos possíveis candidatos a ficar no plantel para a temporada 2016/17, e já por isso viu o seu vínculo renovado. Resta agora saber se, à semelhança de outros casos, exista partilha de direitos económicos com outros intervenientes. Haverá atenção redobrada sobre o dossier deste jogador.


Francisco Ramos

Um caso menos flagrante que Chidozie, mas que merece igual reflexão. Estreou-se pela equipa A do Futebol Clube do Porto frente ao Famalicão e pisou o relvado do Estádio do Dragão no jogo frente ao União da Madeira. É presença constante nas opções de Luís Castro na equipa B, sendo dos jogadores mais utilizados. É visto como uma esperança do clube, mas onde dificilmente terá lugar no plantel da próxima temporada. Assim, com 20 anos, o empréstimo poderá ser o futuro de Francisco Ramos. No entanto, quando esta situação acontece, é usual no Futebol Clube do Porto que o jogador assine novo vínculo com o clube.


Outros nomes poderiam ser destacados, mas, maioritariamente por falta de dados que suportem a análise, terão de ficar de fora. Com encargos relacionados com aquisições de "passes" de jogadores, onde se incluem encargos com serviços de intermediação, serviços legais, prémios de assinatura de contratos a ultrapassarem os 11.000.000,00€ nos primeiros seis meses do ano, será de prever que este valor possa aumentar com as recentes aquisições de Suk e Marega. No entanto, estará por apurar o valor realmente gasto apenas em intermediação de renovações de vínculos, além da perda do valor do activo.

O Futebol Clube do Porto e a sua actual direcção, que se confunde em larga medida com a administração da SAD, corta aos pedaços os seus activos para enriquecimento de terceiros enquanto cobre prejuízos da SAD com activos dos clube, pertencentes aos sócios, como o Estádio do Dragão. Resta saber se, além da EuroAntas, que mais terá de ser feito, e a muito custo, para evitar sanções da UEFA na próxima temporada, incluindo o enfraquecimento do nosso actual plantel e a limitação do seu reforço. A reflexão sobre o fair-play financeiro será feita depois da publicação do Relatório e Contas do 3º trimestre.


Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.


Um abraço.

2 comentários:

  1. Um bom ponto de situação e alerta. Logo veremos o que o futuro nos (lhes) reserva.

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    1. Caro Lápis Azul, obrigado pelo comentário.

      É o principal tema que creio que apoquenta a maioria dos Portistas que não se revêm na actual gestão. É verdade que os resultados dentro de campo influenciam sempre qualquer opinião relacionada com um clube de Futebol, mas creio que as constantes vitórias ajudaram a esconder o destino para o qual caminhamos no campo financeiro.

      Temo que, quando nova direcção entrar, poderá reagir assim: "On the right side there is nothing right and on the left side there is nothing left"

      Esperemos que não...

      Um abraço

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