sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O Estado da Nação


Imagem original em www.fcporto.pt

Se eu lê-se este título em algum sítio, rapidamente me questionaria: “quem é este para palpitar sobre o estado do Futebol Clube do Porto?”. Sou um sócio como outro qualquer, com quotas em dia e presença regular no Estádio do Dragão. Não me julgo nem mais nem menos que os outros. Há Portistas com diferentes comportamentos, posturas ou opiniões. Isso é claro. Mas todos podem opinar, analisar, escrutinar e comentar a realidade do Futebol Clube do Porto. É assim que se evolui.

E perante uma mudança tão crucial, mas tão necessária. E perante um futuro incerto, é necessário reflectir sobre o Estado da Nação. Da Nação que importa, obviamente. Da Nação Portista.

Esqueçamos o passado por agora. Como adeptos, observemos o presente e olhemos para o futuro.


Classificação presente em www.fcporto.pt

A quase eliminação da Taça da Liga, precipitou a contestação, a queda em Alvalade só a aumentou, e o Rio Ave deu a machadada final. 5 pontos perdidos em duas jornadas e queda de 1º para 3º. A Taça de Portugal joga-se no Bessa depois do encontro para o Campeonato. A Liga dos Campeões já foi, e o desafio da Liga Europa é ainda maior: Borussia Dortmund.

Analisemos o plantel disponível. Na baliza, Casillas é o titular, e o capitão Helton joga as taças inferiores. O Futebol Clube do Porto tenta construir o futuro com Raúl Gudiño. O mexicano tem ao seu lado duas referências de onde só não aprende se não quiser. O futuro pode ser brilhante.

Mais à frente temos uma tripla que sempre foi rodada. Maicon lesionou-se quando parecia finalmente acertar. Indi assumiu o lugar ao lado de Marcano, que começou a temporada a fazer parte da dupla habitual, e não saiu de lá mais. O brasileiro não saiu do banco no ultimo jogo. Todos, uns mais que outros, têm acumulado erros ao longo da temporada. Com tanta rotação entre os três, Lichnovski ainda não jogou para a Liga. Na equipa B é Chidozie que se destaca.
Pelas laterais aparecem os muito utilizados Maxi Pereira e Miguel Layún. Do uruguaio confesso que só me surpreende o facto de não ter sido tão amarelado. Do mexicano não esperava tanto. Desejo-o ver do lado direito. Já José Ángel tem sido pouco utilizado. Denoto que és dos poucos que sabe cruzar no plantel. Mas só isso não chega. Cissokho chegou e disse, errou na Madeira e foi-se. O futuro prepara-se em casa com Victor Garcia e Rafa. O venezuelano cumpriu quando chamado para a Taça de Portugal e para a Taça da Liga. O português renovou esta semana até 2020.

À frente da defesa mora mais vezes Danilo Pereira que Ruben Neves. Aliás, é o jogador mais utilizado do plantel. Diferentes, mas que não parecem combinar em campo. André André deverá estar totalmente recuperado dos problemas físicos já amanhã e poderá retomar a forma que nos habituou. Com ele, o intermitente Herrera ainda poderá continuar a fazer parte do onze, ao contrário de Evandro, que pouco tem aparecido, e de Sérgio Oliveira, que ainda menos vezes é opção. Imbula é um caso à parte e que merece reflexão mais cuidada. Dispendioso como nunca se viu, foi sempre titular na Liga dos Campeões e raramente aparecia nas outras competições, vendo-as mais da bancada do que do banco. Um caso de jogar por decreto que manchou a participação na competição e no qual o anterior treinador não tem culpa. Muito ainda se está por descobrir. Na equipa B, Francisco Ramos passeia classe e liderança, acompanhado de João Graça. Pede uma oportunidade noutro nível de exigência em Junho. Até lá, tem uma missão a cumprir.

Na frente o recém-chegado Corona tem sido intermitente, mas é dos que mais factura. Do outro lado, Brahimi parece apelar demasiado à individualidade, já a pensar no seu próprio futuro. Aboubakar tem sido a desilusão. Há que puxar mais da classe e com menos força no gatilho. Um toque basta por vezes, Vincent! Podia ter mais que 11 golos na época. Tello parece guardar forças para quando tiver de correr na próxima pré-epoca com Messi e companhia. Forças que parecem faltar a Varela, que já não tem o passo de outros tempos. Com Bueno, bem mais em conta que outros, surgiu a possibilidade de uma dupla de avançados. Precisa de aparecer mais se quer ser alternativa. Tem capacidade! A saída de Osvaldo permite o ingresso de André Silva. Teve a confiança do técnico quando não tinha outra opção ou estava em apuros. Precisa de uma base mais segura de onde crescer. Com a mudança de técnico, ninguém fala de Suk. Na equipa B aparecem Gleison e Ismael Díaz. Embora num nível de exigência inferior, dá gosto vê-los jogar.

Na direcção, como é habitual, apenas o nosso Presidente usa da palavra. Entre a aparição na zona mista, quando o Futebol Clube do Porto alcançou a liderança isolada, e o jantar organizado pela Comissão de Recandidatura, reiterou que os assobios davam sorte e que o treinador do Futebol Clube do Porto não tinha de agradar a ninguém. Em primeiro lugar era fácil falar. Lá o Nosso Grande Presidente mal sabia o que nos esperava. O voto de confiança no treinador sucumbe em Dia de Reis perante a evidência dos factos e a decadência da realidade. Depois são mais 861 mil €uros por ano para um trabalho por nós, mas bem longe de nós. Peço mais. Mais comunicação, mais segurança, mais transparência.

19 de Agosto de 2006. Mais uma Supertaça para o Futebol Clube do Porto.
Fotografia original em www.maisfutebol.iol.pt

No banco são mais os que vão do que os que ficam. Calero, Martinez, Arevalo. Todos dever seguir Lopetegui. Fica Rui Barros, e quem mais? À hora que escrevo, é Rui Barros que vai orientar o treino de sexta-feira. E, à falta de informação que a contrarie, assumirá o comando no Estádio do Bessa, frente ao Boavista. Recorde-se que, ao contrário do anterior técnico, Rui Barros conquistou uma supertaça ao serviço do Futebol Clube do Porto. No momento, estão vários nomes em cima da mesa, todos que sabem dizer "PORTO". Não quero alimentar especulações. Deixemos quem sabe trabalhar. Sei que está difícil e que a noite vai ser longa. Mas a manhã poderá trazer boas novas.

Por isso, faço um apelo a todos os Portistas: paciência, perseverança, protecção. Paciência no caminho que se avizinha muito difícil, cuja falta de preparação terá ser compensada pela perseverança de quem o faz e pela protecção de quem os rodeia. Ou seja, os Portistas. Há talento, há competência, há capacidade. Falta liderança e visão. Ainda é possível ganhar algo este ano!

Fotos da Curva: FC Porto x Rio Ave 

São dias negros os que vivemos. Há que puxar o Futebol Clube do Porto do buraco em que está metido. Esse salvamento começa no domingo, às 18h15, no Bessa, frente ao eterno rival da Cidade Invicta. TODOS AO BESSA! 

Promova o debate. Comente e deixe a sua opinião.
Um abraço e até à próxima.

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