sábado, 23 de janeiro de 2016

O 21º de Janeiro (parte um): A apresentação de José Peseiro

Na apresentação do novo Treinador, reinou a boa disposição e a confiaça

Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016, espera-se que seja um dia que marque, de forma positiva, a história do Futebol Clube do Porto. O Porto Canal teve, com certeza, dos seus melhores dias de audiências desde que tem história. Apresentação do Treinador à hora do almoço, entrevista do Presidente à noite. Funcionalidades possibilitadas pelas novas tecnologias permitem puxar o filme atrás e rever tudo o que se passou. Sublinhe-se os momentos mais importantes do dia. Para a noite, noutra publicação.

José Peseiro deu o treino de manhã. Fechado à comunicação social, mas com algumas imagens exclusivas para o Porto Canal, o novo treinador do Futebol Clube do Porto arrancou a preparação para o jogo de amanhã, frente ao Marítimo. Às 13h30 estava prometida a apresentação do novo Treinador do Futebol Clube do Porto. Ao segundo dia de contrato, e pouco depois da hora prometida, o Nosso Grande Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa toma a palavra para apresentar José Peseiro, elevando a reputação da nova contratação:

“… se alguém não o conhecesse não estaria a ser apresentado aqui nestas funções em que estão, por seria desconhecer o futebol e o futebol Português...”

Jorge Nuno Pinto da Costa dá as boas-vindas de forma pública ao novo Treinador do Futebol Clube do Porto, deseja-lhe sorte e ressalta a unanimidade da SAD (acreditam-se?) na decisão e a vontade de abraçar um projecto cheio de ambição. O Presidente do Futebol Clube do Porto não se alongou, e passou a bola a José Peseiro, talvez a guardar baterias para novo compromisso à noite, desta vez com Júlio Magalhães.

Entra José Peseiro. Tinha a frase de entrada combinada, tal a prontidão com que a deitou cá para fora. Registou maior tranquilidade no resto do discurso.

“Sei da exigência e da responsabilidade de ser treinador do Porto…”

Exigência? Não, não sabe. Até ao momento apenas sentiu uma ponta do sabor, em Famalicão e nas redes sociais. Qualquer nível de exigência que José Peseiro tenha desenhado na sua mente é curto. Nunca representou as cores do Futebol Clube do Porto no Estádio do Dragão, onde uma bola passada para trás, com 3-0 a favor da casa, é brindada com assobios. Certamente não concebe que isso lhe possa acontecer. Nem eu concebo como é que isso pode acontecer… até o testemunhar. Que não aconteça com José Peseiro.
Responsabilidade? Sabe certamente, e há muito. Apenas espero que possa adicionar mais uma página de sucesso e acrescentar maior responsabilidade ao futuro (O Futebol Clube do Porto não acabará com José Peseiro. Daqui a um ou a dez anos, haverá próximo certamente).

“… sei também da minha competência, do meu profissionalismo, da minha capacidade como treinador, e como homem. Sei que tenho um grupo de jogadores de grande qualidade… ”

Bom, por estas afirmações então não deve precisar de mais nada. Deverão existir ajustes, com certeza. A Torre do relvado de treino, por exemplo, deve desaparecer. Foi curto na sua primeira intervenção, antecipando certamente questões do batalhão de jornalistas que se deslocaram ao Estádio do Dragão para assistir à sua apresentação. Respondeu a tudo, e por vezes até abordava mais do que o que se lhe pedia.

“Tal como disse aos jogadores na apresentação, queremos ser campeões, queremos ganhar a Liga Europa e queremos ganhar a Taça de Portugal. Não faz sentido estar neste clube sem pensar assim.”

“Ainda bem que os Portistas não estão totalmente satisfeitos. Só para clubes que não têm a exigência que Porto tem é que podem estar satisfeitos. Mas também quer lançar um desafio. É o momento, eles sabem disso, porque têm sido sempre o 12º jogador e o suporte deste trajecto (…) quero dizer que precisamos deles, precisamos que o nosso estádio esteja cheio, precisamos da sua emoção, precisamos do seu envolvimento, precisamos de estar mais unidos que nunca (…) Temos de estar unidos…”

Mensagem importante para os adeptos, pois houve quem levantasse sérias questões sobre esta contratação. Eu também o fiz e por escrito. Não creio que tenha sido a primeira opção da SAD ou de Pinto da Costa. No entanto, José Peseiro terá espaço para contrariar essas mesmas primeiras impressões de uma boa parte dos Portistas, que esperavam outros nomes para suceder a Julen Lopetegui. Pese embora esse facto, recorde-se o discurso de José Peseiro aquando da sua chegada a outro "grande" do futebol Português. Muita ambição, muita vontade de vencer. Esteve quase a ganhar tudo, mas não ganhou nada. No entanto, como qualquer profissional diz que vem com as suas próprias ideias:

“… muitos ganharam nome estando no Porto. Eu lembro que a maior parte dos treinadores que chegaram ao Porto não tinham ganho nada e ganharam muita coisa a seguir...”.

“Para mudar? Para já mudou o treinador! Depois o que há a mudar é que tenho ideias sobre o jogo, tenho ideias sobre o treino, tenho ideias sobre a liderança (…) Venho com as minhas ideias. Eu sou eu.”

São três as competições que José Peseiro terá a oportunidade de ganhar. Por isso ainda pode ganhar muita coisa. Tem boa matéria-prima e várias soluções. Não acredito que dispense reajustes, com também referiu na apresentação, sem revelar pormenores. Afinal, José Peseiro não segue os mesmo pensamentos que os treinadores anteriores. Recorde-se que, apenas passando pela disposição táctica, ao contrário do que é habitual no histórico recente do Futebol Clube do Porto, José Peseiro prefere ter dois jogadores na frente de ataque. Recorde-se também que as suas equipas preferem praticar um futebol ofensivo, tendencialmente atractivo, e que, como consequência disso, sofrem bastantes golos. Esse problema poderá ser Já se mostrou que a paciência dos adeptos é curta para qualquer falha ou erro. O Futebol Clube do Porto não regista a qualidade defensiva de outros tempos. Disfarça esse facto com a posse de bola. Quando não a tem, regista alguma permeabilidade.

Pinto da Costa guardou-se para a entrevista da noite. Foi José Peseiro que teve o palco

De toda a maneira, José Peseiro terá espaço para mostrar a sua capacidade. O calendário é apertado e com vários testes em várias frentes. Não há nada como o jogo para aprimorar o treino. Se o jogo com o Marítimo vale 3 pontos, a deslocação a Sta Maria da Feira é para defender a honra do Clube e cumprir calendário. Segue-se uma visita complicada ao Estoril e a primeira mão das meias-finais da Taça, em Barcelos. O fim-de-semana chega com a recepção Arouca. Seguem-se a Luz e a eliminatória frente ao Dortmund, com a recepção do Moreirense pelo meio. Há pouca margem de erro e muita oportunidade para demonstrar a sua competência. Sentirá cedo a verdadeira exigência e responsabilidade associada ao cargo que aceitou desempenhar.

Nota para a apreciação global da transmissão: “The lag is real”. Oh Porto Canal, ainda há tanto para melhorar na cobertura deste tipo de eventos. Soluços na transmissão e perdas na resolução estiveram presentes durante os cerca de 20 minutos de directo, algo que não se verifica na transmissão de eventos.

Antes de passar a palavra a José Peseiro, avisou-o que agora era ele que tinha que aturar os jornalistas. Sabia dos 90 minutos que tinha pela frente com Júlio Magalhães e as suas questões.


Clique aqui para ler a segunda parte do dia, onde é analisada a entrevista de Jorge Nuno Pinto da Costa ao Porto Canal.



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Um abraço .

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