domingo, 24 de janeiro de 2016

O 21º de Janeiro (parte dois): A entrevista de Jorge Nuno Pinto da Costa.


Antes de ler o rescaldo da entrevista de Jorge Nuno Pinto da Costa ao Porto Canal, clique aqui para ler o post sobre a apresentação do novo Treinador do Futebol Clube do Porto José Peseiro.

Os bastidores da entrevista que muitos Portistas esperavam.

Pouco passava das 22h30 quando Júlio Magalhães apresentou o seu convidado de hoje: o Presidente da SAD do Futebol Clube do Porto Jorge Nuno Pinto da Costa. Sinal de que apenas se iria falar de futebol? Na maior parte sim, mas não só. Debrucemos-nos apenas sobre os principais temas abordados.


Realçando a expectativa dos Portistas, o Presidente afirma que era este o momento certo para falar: mudança recente de Treinador e recandidatura.

Não creio, Presidente. A sua presença foi necessária muito mais cedo. E não apenas para se vangloriar com a liderança no campeonato, que rapidamente se esfumou.


Confirma-se a ideia que todos os sócios e adeptos: Jorge Nuno Pinto da Costa é candidato a um 14º mandato à frente do Futebol Clube do Porto, assegurado que está o seu estado de saúde.


Rapidamente foram abordadas as alterações feitas à equipa técnica que comanda o futebol.

“Entendi fazê-las agora porque me convenci a partir do momento em que senti que já não havia condições para podermos lutar pelos nossos objectivos. Senti que já não havia comunhão de ideias entre todos os sectores, entre técnicos, jogadores, e o próprio público (…) No Rio Ave foi o jogo decisivo em que eu me capacitei por vários factores, incluído pela própria reacção do treinador (…)”.

Segundo o Presidente, as medidas estavam a ser preparadas e que foram implementadas quando Julen Lopetegui saiu. O espanhol foi um autêntico fiasco, como ele próprio o admitiu. Apenas não compreendo o porquê de só se terem processados estas alterações agora. Houve uma pré-epoca onde seria perfeitamente possível executar essas mudanças, quem sabe com outras opções para assumir a responsabilidade principal. As condições para Julen Lopetegui continuar já estavam deterioradas antes de terminar a temporada anterior. Infelizmente, perdemos tempo a reagir.


Sobre supostos candidatos:

“Eu disse que sou candidato. Agora todos os sócios que estiverem em condições de pretenderem ser candidatos, eu respeito-os.”

Já referi anteriormente que o ninguém irá se candidatar contra Jorge Nuno Pinto da Costa. Seria, na minha perspectiva, algo impensável e até “suicida” para qualquer sócio que ambicione ser Presidente do Futebol Clube do Porto. Neste momento, existe massa crítica suficiente entre mais de 100.000 associados para garantir uma alternativa à gestão do clube e da SAD. Para mim, o problema não está na liderança, ou seja, no Presidente. Está sim em quem o aconselha. É algo que Jorge Nuno Pinto da Costa admite mais à frente.


Não gostava de ver um candidato do Futebol Clube do Porto apoiado pelo Correio da Manhã”.

Nem eu, nem qualquer Portista que saiba o que o CM escreve sobre o Futebol Clube do Porto. Uma das várias indirectas a Vitor Baía. Sem o atacar directamente, soube “mandar a boca” quando oportuno. Demonstra cautela, sabendo que, mesmo sendo empregado do CM, seria prejudicar a sua imagem e dar força a uma potencial candidatura do ex-guarda-redes do Futebol Clube do Porto.


“Desconhecia totalmente a reacção que a minha mulher teve (…) Fui apanhado de surpresa”.

Outro ponto no qual Pinto da Costa foi cauteloso e, neste momento ficou o embaraço. Aquele tipo de coisas que todos permitem que seja dito, mas muitos percebem que não é bem assim. Ficará sempre a dúvida. O “só há que acreditar no que ele disse” não é argumento nesta matéria.


“Lopetegui foi uma escolha minha (…) Eu tinha boas informações, tinha informações de pessoas credíveis do futebol espanhol (…) Dizer que foi uma aposta ganhar? Não (…) Não quis compreender que as coisas não eram como aquilo que estava a pensar”.

Jorge Nuno Pinto da Costa admite que não gostava do jogo da equipa e, que, quando entrou no balneário, Julen Lopetegui disse que resolvia-se o problema em dois segundos. Enganou-se o Presidente e, segundo o próprio, o espanhol enganou-o também. Depois de referenciado pelas suas fontes, quem sabe com outras motivações que não o sucesso do Futebol Clube do Porto, foi levado a falar com o treinador espanhol e lhe endereçou o convite. Não creio que um Presidente que está à frente de clube desde 1982 seja enganado desta forma. Surge Jorge Mendes à conversa, esperando pela proposta do espanhol para um entendimento. Conversa. Julen Lopetegui já vai longe…


“Imbula era um ferrari (…) Um ferrari para estar na garagem”.

O discurso também foi para fora. A bola da direita para a esquerda, da esquerda para a direita não motiva o público. Em particular, Imbula também não, sendo este um desejo específico de Julen Lopetegui e que, ainda quando era treinador do Futebol Clube do Porto, dizia-se que podia estar de saída. Reafirmo: ninguém no seu perfeito juízo confia num jogador para ser titular na Liga dos Campeões e ficar de fora das convocatórias nos restantes jogos. Joga apenas pelo interesse financeiro, confiando na montra que é a competição europeia, e não pela qualidade que demonstra nos treinos e jogos.


“O Adrian Lopez tem uma história (…) 60%, 11 milhões. O empresário apresenta uma solução. Nos apresentamos letras para um ano depois. Se não quiséssemos pagar, que o vendiam pelo mesmo dinheiro. O jogador não foi colocado. Quando vieram as letras, tivemos de as pagar (…) O empresário era o Jorge Mendes. (…) Não faço mais negócios destas, mas não perdi a confiança em Jorge Mendes”.

Bela história. No momento do negócio já se suspeitava de que algo era anormal. No papel, o negócio parecia interessante, pese embora o risco. Era um desejo de Julen Lopetegui e que poderia ser muito útil à equipa. Foi uma nulidade. E com um custo astronómico. Outro negócio em que Jorge Mendes beneficiou, e de que maneira. Maus conselhos, uma vez mais.

Na altura deste cumprimento, José Peseiro não estava em nenhum clube.
Fotografia presente em www.zerozero.pt

Se nós tivéssemos a desmentir cada um que se falava, nós tínhamos de admitir um funcionário só para os desmentidos”.

Um primeiro desmentido seria suficiente. E não basta uma piada durante o aniversário de uma biblioteca nem um comunicado à CMVM, que não é totalmente verdadeiro. Se, na entrevista, não há menção de uma negociação de contrato, ou seja, de discussão de números, é verdade que, no dia em que Lopetegui foi afastado do comando do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa declara que contactou José Peseiro, que pensou bem na sua resposta ao início da tarde. No entanto, diz à CMVM que não estava em negociações com nenhum treinador.

Quanto à contratação de José Peseiro, confirmou (mau era…) aquilo que o novo Treinador do Futebol Clube do Porto tinha referido ao início da tarde. Contacto na manhã de quinta-feira. José Peseiro teve de reflectir na sua resposta, talvez por uma questão de fuso-horário. O momento mais importante da sua carreira. Disse que tinha jogo nesse dia. Vitória por 7-3.


“Foi a minha primeira opção”.

Não foi a primeira, nem a segunda, nem a terceira opção. Até Sérgio Conceição declinou, quando pressionado pela comunicação social e vendo questionada a sua seriedade. Não tenho dúvidas que foi a comunicação social que fez mudar as ideias a Sérgio Conceição. Jorge Nuno Pinto da Costa não faz ideia se os Portistas preferiam outro nome. Estaremos cá para ver se, tal como o presidente acha, a equipa de Peseiro joga da forma que os nosso adeptos gostam. José Peseiro diz que é possível ser campeão. O futuro o dirá, e espero que o diga mesmo. No mínimo está cá para um ano e meio, mesmo que não seja campeão. Outra afirmação que questiono. Acredito que possa ser para pelo menos 18 meses, se for campeão. Se não for, já é incerto.


“A contestação nas redes socias, a mim, não me dizem nada (…) A mim, o que me diz, é os adeptos, os sócios”.

Qualquer um pode dar a sua opinião nas redes sociais. É positivo ouvir e interpretar algumas das opiniões fundamentadas sobre a realidade do clube. Aliás, infelizmente é pelas redes sociais que se expõe muitas verdades. Umas que o clube deveria referenciar, e que não o faz. Outras que até pretende esconder.


A possível colisão entre Antero Henrique e Alexandre Pinto da Costa por causa da contratação  de Suk também foi tópico. 

“Suk foi o último desejo de Lopetegui (…) Peseiro quis Suk.”

A parte onde Jorge Nuno, sempre relaxado, mais hesitou. Mexe na cadeira, troca de pernas, dedo no nariz, discurso mais embasbacado. Um Portista mais crítico pressionaria e seria específico nas questões. Júlio Magalhães decidiu não pressionar o entrevistado. Reitera que foi o próprio que tratou da transferência de Suk com o Presidente do Vitória de Setúbal, e que nada faz sem ouvir Antero Henrique e Reinaldo Teles. Alexandre Pinto da Costa é empresário por coincidência. Afirma que não há nenhum jogador da equipa A que seja agenciado por Alexandre Pinto da Costa. Eu diria que nem tudo foi contado, até porque a Energy Soccer já recebeu várias comissões de negócios com o Futebol Clube do Porto. Até 2020 está tudo fechado a sete chaves. Mas o Portista anda atento e vê Lambourghinis no Instagram e paleio no Facebook. As redes socias ajudam muito nesse sentido.


O apito, como não podia faltar, também foi abordado.

“O problema da arbitragem é a forma de como o conselho de arbitragem gere os árbitros.”

Faço por não falar de arbitragem. Sobre esta matéria em especifico, deixo um link para um artigo do Tribunal do Dragão, sobre Vitor Pereira e as suas declarações ao Record, já posteriores a esta entrevista. Jorge Nuno Pinto da Costa prevê surpresas iguais à de Marco Ferreira.


No geral, discurso característico, humorado e com algum detalhe. Arrastado, mas ponderado, é um registo onde Jorge Nuno Pinto da Costa se sente muito confortável. Dá a entender que Júlio Magalhães fez as perguntas que bem entendeu, umas mais incomodativas do que outras, mas que nunca deixaram de ter resposta. Se a entrevista não foi preparada? Tenho dúvidas... Segredos da profissão.


Duas notas muito breves, apenas para terminar: Lichnovsky foi para o Sp. Gijon, por empréstimo. Não jogando, para já, tem de procurar outras oportunidades. A equipa B já não é lugar para ele. Tello já está na Fiorentina. Um abraço, Tello. Obrigado pelo “hat-trick” ao Sporting. Retratou muita gente.



É agora tempo de passar das palavras ao actos. Como sócio, estarei no local de sempre. Estádio do Dragão cheio, como pede o nosso “Mister”.


Promova o debate. Comente e deixa a sua opinião.
Um abraço.

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